O Museu da Diversidade Sexual (MDS) é um museu público paulista dedicado à salvaguarda da memória coletiva da comunidade LGBTQIA+ bem como à preservação e divulgação de sua produção artística e cultural. Sua criação é uma demanda histórica dos movimentos sociais, atendida em 2012 pelo governo do Estado de São Paulo.

"O Museu da Diversidade Sexual tem por missão preservar o patrimônio sócio, político e cultural da comunidade LGBT brasileira, por meio da pesquisa, salvaguarda e comunicação de referências materiais e imateriais, com vista à valorização e visibilidade da diversidade sexual, contribuindo para a educação e promoção da cidadania plena e de uma cultura em direitos humanos"

O núcleo principal do museu está localizado dentro da estação República da linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo. Situa-se, assim, na região central da metrópole, historicamente marcada pela forte presença desta comunidade. De visitação gratuita para todos os públicos, a instituição apresenta exposições históricas e artísticas de curta e média duração além de um calendário de atividades culturais como palestras, clubes do livro e sessões de cinema.

A instituição adquiriu recentemente um anexo na Avenida São Luís, dedicado ao apoio à pesquisa e aos cursos de formação. Ali está localizado o acervo da instituição, abrangendo tanto a reserva técnica (de acesso restrito) quanto uma biblioteca temática que pode ser consultada pelos visitantes.

É um dos três únicos museus com temática LGBT do mundo, juntamente com o Schwules Museum, em Berlim, na Alemanha, e o The GLBT History Museum, em San Francisco, nos Estados Unidos.

O MDS foi a primeira instituição latinoamericana a receber o apoio da campanha Free and Equal da ONU com a realização da exposição "Sonhar o Mundo: Livres e Iguais", inaugurada no dia 17 de maio de 2016 - dia internacional da de combate à discriminação por orientação sexual e identidade de gênero. No mesmo ano, o MDS seria reconhecido em relatório da agência sueca de museus como um "importante espaço de visibilidade" e receberia o convite do Schwules Museum para realizar uma exposição em Berlin.

Além das atividades presenciais, o museu disponibiliza exposições virtuais que podem ser acessadas de qualquer lugar do mundo gratuitamente pelo Google Arts and Culture. Em 2020, quando os museus de São Paulo passaram a disponibilizar seus acervos de maneira virtual devido à pandemia de Covid-19, o MDS foi o segundo mais visitado com 2,3 milhões de acessos.

História A necessidade de uma instituição dedicada à preservação da memória coletiva da comunidade LGBTQIA+ é uma pauta histórica dos movimentos sociais. O resultado de décadas de mobilização foi, no dia 25 de maio de 2012, o decreto 58.075 que "Cria, na Secretaria da Cultura, como equipamento cultural da área de Difusão Cultural, o Centro de Cultura, Memória e Estudos de Diversidade Sexual do Estado da São Paulo"

Pleiteando seu reconhecimento como Museu, a instituição já utilizava publicamente o nome "Museu da Diversidade Sexual" desde sua criação, mas somente em 2018 por meio do decreto 58.075 este é oficializado . Passam a ser atribuiç˜

1. formação de acervo, divulgação e publicação de documentos, estudos, relatos, depoimentos e outros materiais referentes à memória e à história política, econômica, social e cultural da comunidade LGBT no Brasil;

2. promoção e apoio a eventos culturais, cursos, conferências, palestras e pesquisas, com o objetivo de promover e divulgar a produção cultural relacionada com a diversidade sexual.”.

É o primeiro museu na América Latina e em todo o hemisfério sul com essa temática. O objetivo do museu é preservar a história e cultura da comunidade LGBT, bem como valorizar a importância da diversidade sexual na construção social e cultural no Brasil. O museu foca em abrir espaço para artistas que discutem essa temática, junto ao ativismo político e legado sociocultural e preservar e dilvulgar a memória da cultura LGBT.

Com exposições itinerantes, o museu também promove e divulga exposições em outra cidades do Estado de São Paulo e trabalha em parceria com organizações que promovem discussão contra a homofobia, como na exposição "Homofobia Fora de Moda", feita em parceria com a Casa de Criadores e a exposição "O T da Questão", em comemoração ao Dia da Visibilidade Trans, em parceria com a Secretaria da Defesa e da Justiça da Cidadania.

Exposições Desde sua criação o MDS apresenta regularmente exposições de curta e média duração. ,já passaram por lá exposições como, "As representações LGBT na música brasileira" que foi exposta nos dias 08 e 15 de outubro de 2016, relacionando MPB e diversidade sexual. "Caio Mon Amour" ,criada em homenagem aos 20 anos da morte do escritor Caio Fernando Abreu,com a importância de se reforçar a existência de autores homossexuais consagrados na literatura. O T da Questão (30 de janeiro a 7 de abril de 2013): fotos de Eduardo Moraes, sobre a cultura dos travestis, transexuais e transgêneros do Estado de São Paulo; Crisálidas (30 de maio a 29 de setembro de 2013): fotografias por Madalena Schwartz (1921-1993), composta por retratos de transformistas, travestis e personagens do teatro underground paulista durante os anos 1970; Moda e Diversidade (29 de novembro de 2013 a 24 de maio de 2014): a exposição explorou temas universais como o amor, representado pelas relações entre casais, heterossexuais e homossexuais, transexualidade, retratada pela modelo internacional Lea T; Diversidade Futebol Clube (11 de junho a 2 de novembro de 2014): a exposição fala sobre a diversidade sexual dentro do futebol, os problemas que já houve com homofobia, e seu apoio hoje em dia pela diversidade; Darcy Penteado, o Observador Humano (29 de janeiro a 8 de maio de 2016): a exposição conta a história de Darcy Penteado, sua dificuldade ao assumir sua sexualidade na época e seu orgulho por isso. Sonhar o Mundo (17 de maio a 27 de agosto de 2016): Com a curadoria de Paulo Von Poser e Marcio Zamboni e a participação de mais de 30 artistas, a mostra celebrava o reconhecimento da diversidade sexual e de gênero como parte dos Direitos Humanos e as lutas por igualdade ao redor do mundo; CAIO mon amor (11 de setembro de 2016 a 28 de janeiro de 2017): a exposição fala sobre a trajetória do autor Caio Fernando de Abreu durante a sua carreira, conta suas dificuldades enfrentadas por ser um autor homossexual e do seu grande reconhecimento na área mesmo sendo uns dos únicos assumidos; Será que el_ é? (18 de fevereiro de 2017 a 27 de maio de 2017): exposição inspirada no carnaval que faz relação histórica entre a comunidade LGBT e a maior manifestação cultural do Brasil. A ideia do nome surgiu com a letra da famosa marchinha de carnaval que foi referencia nos bailes carnavalescos dos anos 60. O objetivo da exposição aponta a importância da diversidade na construção do carnaval,uma época do ano onde muitos se sentiam a vontade para expor suas escolhas muitas vezes oprimidas durante o ano ,sem medo da opressão; Mostra Solidão (10 de outubro de 2017 a 13 de janeiro de 2018): exposição curada por Duilio Ferronato e Eduardo Besen e tendo como tema a exclusão social experienciada por jovens e idosos LGBT; Exposição Tarja Preta (24 de janeiro de 2018 a 5 de maio de 2018): exposição de fotos dos anos 1970 a 1990, com foco em artistas LGBT da época; Com Muito Orgulho (25 de maio de 2018 a 1º de setembro de 2018): exposição de fotos da Parada do Orgulho LGBT de vários países; Textão (6 de novembro de 2018 a 12 de janeiro de 2019): exposição de vários textos em diferentes línguas explorando a ideia do poder que a palavra tem na sociedade para elicitar mudança; Plural 24h (24 de janeiro de 2019 a 11 de maio de 2019): mostra que aborda a vida cotidiana das pessoas LGBT, através de fotografias e desenhos; Devassos no Paraíso: o Brasil mostra sua cara (8 de junho de 2019 a 23 de setembro de 2019): exposição em homenagem a obra homônima de João Silvério Trevisan;

Mostra Diversa

A Mostra Diversa é uma exposição que acontece a cada dois anos e dá destaque a novos artistas com a exposição de obras que exploram a ideia de diversidade sexual e de gênero. A Primeira Mostra Diversa ocorreu entre 17 de junho e 20 de dezembro de 2015 e contou com um mural de fotos da série Doces Barbas, além de poesias, pinturas e outras obras sobre o tema. Entre junho e setembro de 2017 ocorreu a Segunda Mostra Diversa, que teve 70 obras inscritas para participação, sendo que destas, 17 foram selecionadas, incluindo ensaio da cartunista Laerte Coutinho.

A Terceira Mostra Diversa ocorreu entre outubro de 2019 e janeiro de 2020, e contou com 19 projetos, selecionados entre mais de cem inscrições. Um dos temas principais desta Mostra foi a discriminação e violência sofrida pelo público LGBT.

Queerentena

Em 9 de abril de 2020, devido à quarentena em vigor em razão do COVID-19, o Museu da Diversidade Sexual anunciou, através de postagem no Instagram, sua primeira exibição virtual, chamada "Queerentena". A chamada para inscrição ficou aberta até dia 15 de abril de 2020.

A Diversidade e a Política Apesar de existirem somente dois museus semelhantes no mundo, apenas 4% do público do seu público é composto por turistas estrangeiros.

O espaço destinado à exposição da memória e da arte LGBT é importante para a disseminação da cultura, pois o tema encontra dificuldades em espaços mais tradicionais e também pelo acesso tardio da cultura LGBT dentro do cenário brasileiro.

Planos de expansão do Museu Em 2014, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo durante a gestão do governador Geraldo Alckmin criou uma concorrência no PROAC para transferir o museu para a Residência de Franco de Melo, localizada na Avenida Paulista, a partir do Concurso de Apoio a Projetos para Restauração de Imóveis Tombados pelo Condephaat. O projeto contemplaria área para o acervo, administrativo, café, teatro e espaço para eventos. O imóvel se encontra em condições de desgaste, sem o investimento necessário para sua manutenção, por isso o projeto precisou de revisão do escritório Hereñu + Ferroni Arquitetos, empresa que ganhou a concorrência. O imóvel se encontra em litígio na justiça pelo tombamento do imóvel impossibilitou a implantação do museu neste endereço. Atualmente, o imóvel ainda continua como residência particular e a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo promoveu um abaixo assinado para que a Prefeitura de São Paulo desse continuidade neste projeto. Todavia, o governo estadual desistiu de transferir o Museu da Diversidade Sexual para o casarão e prometeu ceder o local à um museu de gastronomia.

Em dezembro de 2021, o governo do estado anunciou novos planos de expansão do museu. Dessa vez, a área na Estação República do Metrô, que atualmente é de 100 m², deverá ser ampliada para 540 m² com o investimento de R$ 9 milhões para as obras. A inauguração está prevista para julho de 2022.

No dia 12 de abril de 2022, uma decisão da justiça de São Paulo suspendeu um contrato de cerca de R$ 30 milhões entre o governo do estado e o Instituto Odeon para a expansão do museu, anunciada pelo estado em dezembro de 2021.

No dia 30 de abril de 2022, o museu foi fechado por tempo indeterminado pelo acatamento judicial de uma denúncia feita pelo deputado Gil Diniz (PL) por supostas irregularidades envolvendo a organização social que gerencia o local. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo divulgou nota dizendo que vai recorrer na justiça.

Em 29 de fevereiro de 2024, o museu demitiu 12 dos 30 funcionários, deixando as áreas de educação e museologia ficaram sem nenhum profissional.

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