Francis Masson Bladin (Korumburra, 26 de Agosto de 1898 – Melbourne, 2 de Fevereiro de 1978) foi um oficial da Real Força Aérea Australiana (RAAF). Nascido em Vitória, graduou-se no Real Colégio Militar, em Duntroon, em 1920. Bladin foi transferido do Exército para a Força Aérea em 1923, e aprendeu a pilotar na Base aérea de Point Cook. Em 1934, tornou-se comandante do Esquadrão N.º 1. Calmo mas autoritário, foi-lhe dada a alcunha de "Pai" em tributo pela preocupação que demonstrava pelo bem-estar dos seus militares.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 145–146
Quando a Segunda Guerra Mundial começou, Bladin tinha a patente de Wing Commander, e em Setembro de 1941 já havia sido promovido a Comodoro do Ar. Tornou-se comandante do Comando da Área Noroeste em Março de 1942, depois do primeiro ataque japonês contra a cidade de Darwin, no Território do Norte. Liderando pessoalmente ataques contra alvos em território inimigo, ele foi condecorado com a Estrela de Prata dos Estados Unidos pela sua valentia. Em Julho de 1943, Bladin foi colocado no Grupo N.º 38 da RAF, na Europa, onde foi elevado a Comandante da Ordem do Império Britânico.
Promovido a vice-marechal do ar em 1946, Bladin estava entre um estrito grupo de oficiais da RAAF que ajudaram a remodelar a força aérea no pós-guerra. As suas funções, no final dos anos 40 e inícios de 50 incluíam: Comandante das Forças de Ocupação da Comunidade Britânica no Japão, comandante do Comando da Área Oriental (mais tarde Comando Aéreo), e Membro Aéreo do pessoal da RAAF. Nomeado Companheiro da Ordem do Banho em 1950, viveu a sua reforma a partir de 1953 na sua propriedade rural. Durante muitos anos, foi uma personalidade activa em assuntos relacionados com os veteranos de guerra. Faleceu em 1978 com 79 anos.
Início de carreia Frank Bladin nasceu no dia 26 de Agosto de 1898 em Korumburra, Vitória, e foi o filho mais novo do engenheiro Frederick Bladin e da sua mulher Ellen.Ritchie, Australian Dictionary of Biography, pp. 192–193. Estudou na Escola Secundária de Melbourne, e mais tarde juntou-se à Força Imperial Australiana durante a Primeira Guerra Mundial. Estando os seus pais contra essa decisão de Bladin, ele decidiu entrar, em 1917, no Real Colégio Militar em Duntroon.Stephens; Isaacs, High Fliers, pp. 54–57Dennis et al, Oxford Companion to Australian Military History, p. 259 Graduando-se em 1920, Bladin serviu durante os dois anos seguinte no Exército Australiano, incluindo dezasseis meses na Real Artilharia de Campo na Inglaterra.Air Vice-Marshals (A–K) at Royal Australian Air Force. Em Janeiro de 1923, é transferido para a recém-estabelecida Real Força Aérea Australiana como oficial. Passou por um curso de pilotagem em Point Cook, sendo um dos cinco antigos tenentes do exército no curso de pilotagem inaugural da RAAF—os quais deixaram o exército devido à pobre perspectiva de carreia no exército do pós guerra. Um dos colegas de Bladin neste curso foi um graduado de 1919 do Real Colégio Naval Australiano, o sub-tenente Jow Hewitt.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 192 Entre 1925 e 1926 Bladin ficou encarregue de administrar os cursos de pilotos da Força Aérea dos Cidadãos na Escola de Treino de Voo N.º 1, em Point Cook.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 234 Depois de ser promovido a flight lieutenant, casou-se com Patricia Magennis em Yass, Nova Gales do Sul, no dia 20 de Dezembro de 1927; o casal teve um filho e duas filhas.Alexander, Who's Who in Australia 1955, p. 97
Bladin foi colocado na Inglaterra em 1929 para frequentar o Staff College da Real Força Aérea, em Andover, e escreveu um artigo sobre a defesa aérea do império na Royal Air Force Quarterly de 1931, um dos poucos trabalhos escritos produzidos por um oficial da RAAF nos anos antes da Segunda Grande Guerra.Coulthard-Clark, The Third Brother, p. 445 Promovido a Squadron Leader, tornou-se comandante do Esquadrão N.º 1, rendendo o Squadron Leader Frank Lukis em Abril 1934.RAAF Historical Section, Units of the Royal Australian Air Force, pp. 2–5 Bladin descobriu que a unidade, que pilotava aviões Westland Wapiti e Hawker Demon a partir da Estação de Laverton, não tinha, nos últimos oito anos, operado longe das condições ideais de operação que tinha na estação. Sendo assim, Bladin decidiu destacar o esquadrão a 300 milhas de distância, em Cootamundra, uma área rural de Nova Gales do Sul, onde ele "pediu emprestado uma porção de terra a um amigo para que os pilotos pudessem realizar treinos e simulações de bombardeamento" durante um período de duas semanas, que começou no final de Novembro de 1935.Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 190–191 Depois de completar o seu termo como comandante do esquadrão em Dezembro, Bladin foi nomeado comandante do Esquadrão de Cadetes na Escola de Treino de Voo N.º 1. Ele modificou o curso de treino, prevendo que a RAAF passaria a operar a sua própria unidade de instrução de cadetes, o Colégio da RAAF,Coulthard-Clark, The Third Brother, pp. 95, 200–201 o que qual seria criado em 1947.Stephens, The Royal Australian Air Force, pp. 186–188 No dia 12 de Março de 1937, foi promovido a wing commander.
Segunda Guerra Mundial alt=|esquerda|miniaturadaimagem|240x240px|Comodoro do Ar Bladin (segundo a partir da esquerda) com o tenente-general Savige (à esquerda) e os majores-generais Clowes, Cannan e Rowell em Melbourne, em Dezembro de 1941 O primeiro posto de Bladin depois do despoletar da guerra foi o de Director de Operações e Inteligência no quartel-general da RAAF, em Melbourne, em Março de 1940. Promovido a Group Capitain em Junho, tornou-se comandante do Comando da Área do Sul em Agosto de 1941 e, no mês seguinte, subiu de patente para Comodoro do Ar. No dia 1 de Janeiro de 1942, Bladin servia como chefe adjunto da equipa de operações aéreas, com a tarefa de procurar fazer com que as bases aéreas estivessem sempre em prontidão e em realizar os planos estabelecidos pelo Esquema de Treino Aéreo do Império.Gillison, Royal Australian Air Force, p. 298. Arquivado em 5 de outubro de 2012.Stephens, The RAAF in the Southwest Pacific Area, pp. 29–31 No dia 25 de Março de 1942, foi nomeado comandante do Comando da Área Noroeste.Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 554–559. Arquivado em 22 de outubro de 2012. Colocado em Darwin, o seu papel era o de conduzir a defesa aérea do Estreito de Torres, do Território do Norte e da parte norte da Austrália Ocidental. Ele também teve que restaurar a moral dos seus militares após o bombardeamento de Darwin no dia 19 de Fevereiro, e lidar com a ameaça de uma invasão eminente, tarefas estas dificultadas pelas pobres linhas de comunicação, transporte e sistemas de alerta locais. Dando ordens para se iniciar um treino de combate para todos os militares de terra, Bladin também deu directivas para se construir aeródromos secundários para que pudesse dispersar as suas forças. Ele tornou-se, nas palavras do historiador da força aérea Alan Stephens, "o espectacular comandante de área da RAAF durante a guerra", e distingui-se como o primeiro australiano condecorado pelos Estados Unidos com a Estrela de Prata, pela sua valentia no teatro de operações da guerra do pacífico. Em Junho Bladin liderou pessoalmente um ataque de bombardeiros B-17 Flying Fortress da USAAF nas Índias Orientais Holandesas. Além de destruir maquinaria inimiga no solo e danificar infraestruturas, os bombardeiros aliados conseguiram escapar de um ataque de nove caças japoneses durante o seu regresso à base. A condecoração de Bladin foi recomendada em Setembro, e foi promulgada no Australian Gazette no dia 23 de Novembro de 1944.Recommendation: US Silver Star at Australian War Memorial. Consultado em 15 de julho de 2017. Arquivado em 23 de outubro de 2012.Awarded: US Silver Star at Australian War Memorial. Consultado em 15 de julho de 2017. Arquivado em 7 de outubro de 2012. alt=|miniaturadaimagem|274x274px|Bladin (à direita) como Comandante do Comando da Área Noroeste, com um oficial naval holandês, em 1943 Em Dezembro de 1942, a força ao dispor de Bladin consistia em sete esquadrões da RAAF que operavam, quase na totalidade, aviões Bristol Beaufighter, P-40 Kittyhawk, Lockheed Hudson e A-31 Vengeance. Esta força foi reforçada por um esquadrão de aviões B-25 Mitchell da Índias Orientais Holandesas e por outro de bombardeiros pesados B-24 Liberator das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos.Gillison, Royal Australian Air Force, pp. 649–651. Arquivado em 21 de outubro de 2012. À medida que os japoneses continuavam com os ataques aéreos em 1943, Bladin colocou os seus bombardeiros para dentro no continente e os caças mais perto da costa, onde poderiam mais rapidamente interceptar os aviões japoneses.Odgers, Air War Against Japan, p. 43. Arquivado em 21 outubro de 2012. Feito Comandante da Ordem do Império Britânico no dia 1 de Janeiro de 1943, ele organizou ataques aéreos contra bases japonesas em ilhas e contra navios inimigos, ao mesmo tempo que os aliados também combatiam os japoneses. Ele, por vezes, decidia por ele mesmo quais os alvos a atacar, ignorando as directivas do quartel-general ao qual estava subordinado. A 27 de Fevereiro, depois de conseguir ter acesso a uma transmissão rádio por parte do inimigo, lançou um ataque preventivo contra a base japonesa em Penfui, perto de Koepang, no qual destruiu ou danificou vinte e dois bombardeiros que estava destinados a realizar um grande ataque contra a cidade de Darwin. Para ajudar a proteger o norte da Austrália dos ataques aéreos, três esquadrões de caças Spitfire foram transferidos do Reino Unido para a Austrália em 1942, ficando operacionais em Março de 1943 como a Asa de Caça N.º 1. Um grande ataque aéreo contra a cidade de Darwin, no dia 2 de Maio, resultou na destruição de oito aviões Spitfire e outros que foram forçados a aterrar, enquanto, por outro lado, apenas um bombardeiro e cinco caças japoneses foram abatidos. Um comunicado sobre o resultado desta batalha, emitido pelo quartel-general do general Douglas MacArthur, foi apanhado pelos jornais australianos, que de imediato reportaram as "pesadas baixas" dos Spitfire, o que causou ressentimento nas forças de Bladin. Ele queixou-se ao seu superior, o vice-Marechal do ar Bill Bostock, que a "tendência alarmista da imprensa e da rádio estavam a resultar em péssimos efeitos nos pilotos de caças". Ele também ordenou que um ataque com aviões Beaufighter fosse lançado imediatamente; este ataque, liderado pelo comandante de asa Charles Read, contra a base japonesa em Penfui, resultou em quatro aviões japoneses destruídos no solo. O ataque foi feito apenas sob a premissa de que se desconfiava que o ataque que atingiu Darwin havia sido lançado a partir daquela base.Odgers, Air War Against Japan, pp. 46–50. Arquivado a 21 de outubro de 2012.