A Unidade de Conversão Operacional N.º 2 (No. 2 OCU, mas também referida por OCU) () é uma unidade de treino de aviões de combate da Real Força Aérea Australiana (RAAF). Localizada na base aérea de Williamtown, em Nova Gales do Sul, a unidade treina militares para a pilotagem de aviões McDonnel Douglas F/A-18 Hornet, conduz cursos de refrescamento para pilotos que voltam a pilotar a aeronave, e treina ainda futuros instrutores de pilotagem em Hornet. Os pilotos que nunca pilotaram esta aeronave entram na OCU depois de se qualificarem na pilotagem de aviões a jacto no Esquadrão N.º 79 e depois de por uma instrução de aviões de combate aéreo no Esquadrão N.º 76. Uma vez qualificados no F/A-18, são colocados numa das unidades operacionais da Asa N.º 81: o Esquadrão N.º 3, o Esquadrão N.º 75 ou o Esquadrão N.º 77.
Esta unidade foi criada como Unidade de Treino Operacional N.º 2 (No. 2 OTU) em Abril de 1942, em Port Pirie, no Sul da Austrália e, no mês seguinte, foi transferida para a base aérea de Mildura, em Vitória. Durante a Segunda Guerra Mundial, providenciou treino de pilotagem numa grande variedade de aeronaves como no P-40 Kittyhawk, Vultee Vengeance, Avro Anson, CAC Boomerang, Supermarine Spitfire e Airspeed Oxford. Extinta em Março de 1947, a No. 2 OTU voltou a iniciar operações em Williamtown em Março de 1952 em resposta à necessidade de uma melhor instrução de pilotagem, devido à participação australiana na Guerra da Coreia. Foi rebaptizada como Unidade de Conversão Operacional N.º 2 em Setembro de 1958 e, ao longo da sua existência, conduziu treinos em aeronaves CAC Sabre, Dassault Mirage III e Macchi MB-326, conduzindo actualmente treino numa única aeronave, o Hornet.
Missão e equipamento thumb|esquerda|upright=1.28|Caças F/A-18 da RAAF em formação, em 2011|alt= A missão da Unidade de Conversão Operacional N.º 2 consiste em "prestar apoio na preparação e realização de eficazes operações de controlo do espaço aéreo, contra-ataque aéreo e de apoio aéreo, através do fornecimento de pessoal devidamente formado". Localizada na Base aérea de Williamtown, em Nova Gales do Sul, está subordinada à Asa N.º 81, que por sua vez faz parte do Grupo de Combate Aéreo.
A OCU é responsável pela realização de cursos de conversão operacional nos caças multiuso McDonnel Douglas F/A-18 Hornet da RAAF, que entraram em serviço no ramo aéreo australiano em 1985. A unidade recebe estudantes que tenham recebido formação de aviões a jacto no Esquadrão N.º 79, localizado na Base aérea de Pearce, na Austrália Ocidental, e também formação básica de caças a jacto no Esquadrão N.º 76, com base em Williamtown.ANAO, Tactical Fighter Operations, p. 43 A maioria destes estudantes nunca realizaram voos operacionais, contudo alguns são já pilotos experientes em outros tipos de aeronaves, que vêm a esta unidade adquirir conhecimentos e treino no F/A-18 Hornet. Como os instrutores da OCU são alguns dos pilotos mais experientes da RAAF em aviões Hornet, eles frequentemente são responsáveis pelo desenvolvimento de novas tácticas, em cooperação com instrutores de aviões de combate de outras unidades da Asa N.º 81.
Esta unidade opera tanto aviões monolugar (F/A-18A) como bilugar (F/A-18B). O F/A-18B é idêntico ao modelo A, com a excepção de ter um cockpit com dois lugares, o que reduz a capacidade interna de combustível da aeronave em cerca de 6%.McLaughlin, Hornets Down Under, p. 31 O brasão da unidade mostra um canguru com asas a carregar um marsupial bebé, simbolizando "a Mãe Austrália a voar com a sua cria". A divisa da unidade é Juventus Non Sine Pinnis ("Os Jovens Terão Asas").
Os cursos de conversão para este caça tem a duração de seis meses, depois do qual os militares são colocados numa das unidades da linha da frente da RAAF, o Esquadrão N.º 3 ou o Esquadrão N.º 77 em Williamtown, ou o Esquadrão N.º 75 na Base aérea de Tindal, no Território do Norte. Os estudantes têm primeiro que conseguir uma classificação decente no manuseamento dos instrumentos do Hornet, e depois recebem formação em manobras básicas de combate aéreo, técnicas de combate aéreo, armamento ar-ar e tácticas ar-solo. O curso culmina com o exercício High Sierra, um evento bianual que ocorreu pela primeira vez em Townsville, Queensland, em 1986. O exercício tem a duração de duas semanas e envolve voos diurnos e nocturnos, incluindo ataques de precisão com bombas falsas e reais.
Além da conversão operacional, a OCU conduz cursos de refrescamento e cursos de instrutores. Os pilotos que não pilotam um Hornet há mais de nove meses têm que passar por este curso de refrescamento, que tem a duração de duas semanas.ANAO, Developing Air Force's Combat Aircrew, p. 28 O curso de instrutor de aviões de combate têm a duração de cinco meses e são dados a cada dois anos. Os estudantes são escolhidos entre os melhores e mais experientes pilotos, e são instruídos em como dar instrução a outros pilotos e como resolver situações operacionais complexas. Vários destes testes são realizados num simulador de combate com outros tipos de aviões norte-americanos ou da RAAF, incluindo o F-15 Eagle, o F-16 Fighting Falcon e o F/A-18 Super Hornet. Os militares que ficam qualificados como instrutores de F/A-18 ficam inicialmente na No. 2 OCU durante o próximo ciclo de dois anos. Depois deste período, são colocados num dos esquadrões de linha da frente ou no quartel-general da Asa N.º 81 como especialistas em tácticas e armamento do Hornet. Em "circunstâncias particulares", a No. 2 OCU e os seus militares podem ser chamados para prestar serviço operacional.Horner, Making the Australian Defence Force, p. 210
História Treino Operacional: 1942–47 thumb|upright=1.28|Comandante Jeffrey (à frente) a liderar uma formação de aviões de caça P-40 Kittyhawk na No. 2 OTU, em Junho de 1942|alt= Durante a Segunda Guerra Mundial, a RAAF criou várias unidades de treino operacional (OTU) para fazer a transição dos pilotos de aviões de treino para aviões de combate, assim como treinar os mesmos pilotos em novas técnicas de combate.Stephens, Going Solo, pp. 167–168, 364 A Unidade de Treino Operacional N.º 2 (No. 2 OTU) foi formada no dia 2 de Abril de 1942 e, Port Pirie, no Sul da Austrália. O seu primeiro comandante foi Peter Jeffrey, um ás da aviação que havia comandado o Esquadrão N.º 3 no Norte de África.RAAF Historical Section, Training Units, pp. 62–64Garrisson, Australian Fighter Aces, pp. 142–143 A sua equipa de instrutores na No. 2 OTU incluía outros ases da aviação da campanha norte-africana, Clive Caldwell e Wilf Arthur.Alexander, Clive Caldwell, p. 99 Originalmente equipada com aviões CAC Wirraway e Fairey Battle, a unidade foi complementada com a chegada de aviões novos, como o P-40 Kittyhawk, o Vultee Vengeance, o Avro Anson, o CAC Boomerang, o Supermarine Spitfire e o Airspeed Oxford, depois de a unidade ter sido transferida para Mildura em Maio. Por volta de Setembro de 1942, a sua frota de aeronaves incluía nove dos 106 aviões Kittyhawk and a RAAF tinha à época.Wilson, The Spitfire, Mustang and Kittyhawk in Australian Service, p. 140 Durante o mês de Novembro, a unidade conduziu vários testes comparativos entre o Spitfire Mk V e o P-40E; o relatório final destes testes concluía que, embora o Spitfire tivesse uma performance superior em vários campos, o P-40E era também um bom avião.Wilson, The Spitfire, Mustang and Kittyhawk in Australian Service, pp. 142–143
Em Março de 1943, os aviões Spitfire da No. 2 OTU foram transferidos para a Williamtown, em Nova Gales do Sul, sob o comando do ás da aviação John Waddy.Newton, Australian Air Aces, pp. 114–115 Jeffrey entregou o comando da unidade em Agosto de 1943; no mesmo mês, a unidade realizou cerca de 5000 horas de voo, o mês com mais horas de voo em todo o período bélico. Durante o resto do conflito, a unidade teria uma média de 100 aeronaves em serviço nas suas fileiras. Os ases da campanha norte-africana e antigos comandantes do Esquadrão N.º 3, Bobby Gibbes e Nicky Barr, serviços sucessivamente como chefe dos instrutores de Março de 1944 até ao final da Guerra do Pacífico.Chisholm, Who's Who in Australia, p. 361Dornan, Nicky Barr, pp. 94–95, 263–266 Arthur comandou a unidade de Julho até Novembro de 1944, quando Jeffrey voltou a assumir funções de comando e chefia. Durante 1945, os aviões Spitfire e Kittyhawk foram substituídos por trinta e dois caças North American P-51 Mustang.Wilson, The Spitfire, Mustang and Kittyhawk in Australian Service, p. 102 A unidade deixou de fazer cursos em Outubro, depois do cessar das hostilidades, e a No. 2 OTU ficou reduzida a uma unidade de manutenção. Durante a guerra, a unidade foi responsável pela formação de 1247 pilotos, perdendo 45 estudantes em acidentes de voo. Jeffrey cumpriu o seu serviço até Junho de 1946, e a unidade foi extinta no dia 25 de Março de 1947.
Treino Operacional: 1952–58 thumb|esquerda|upright=1.28|Um Vampire da No. 2 OCU nos anos 50|alt= Com o pós-guerra, a RAAF desmobilizou as suas unidades OTU. A formação e conversão operacional de novos pilotos tornou-se numa responsabilidade dos esquadrões da linha da frente, prática que levou a uma desregularização das actividades normais destes esquadrões; juntamente com o despoletar da Guerra da Coreia e da introdução de aeronaves a jacto, a RAAF voltou a precisar de um sistema de treino operacional mais formal. De acordo com Dick Cresswell, comandante do Esquadrão N.º 77 na Coreia, entre Setembro de 1950 e Agosto de 1951:Odgers, Mr Double Seven, pp. xiii, 150
A RAAF, em 1952, começou a mover esforços para rectificar a situação em que se encontrava, voltando a formar a No. 2 OTU no dia 1 de Março, para que se começasse a instruir os pilotos da RAAF em aeronaves a jacto antes de estes serem lançados em operações. Com quartel-general na Base aérea de Williamtown, a unidade foi equipada com aviões a pistão Wirraway e Mustang e aviões a jacto de Havilland Vampire.Stephens, Going Solo, p. 489 Cresswell tomou o comando da OTU no dia 21 de Maio de 1953. A unidade deixou de pilotar aviões Mustang em Outubro, ficando apenas com os Wirraway e os Vampire. Em Abril de 1954, começaram a ser realizados cursos de instrutores de combate aéreo, assim como cursos de refrescamento em aviões a jacto. Cresswell entrou à unidade o primeiro caça a jacto australiano, o CAC Sabre, em Novembro, e no mesmo mês começou o voos de teste nos novos aviões.Odgers, Mr Double Seven, p. 156 Estes testes serviram para testar a performance e as técnicas de combate aéreo que os novos aviões eram capazes de suster, juntamente com a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Aeronaves (ARDU).Stephens, Going Solo, pp. 348–349 No dia 3 de Dezembro de 1954, Cresswell liderou uma formação de doze aviões Vampire da OTU que voaram nos céus de Sydney formando dois '7', em homenagem ao Esquadrão N.º 77 que havia chegado da Coreia, a bordo do porta-aviões HMAS Vengeance.Odgers, Mr Double Seven, p. 153 No dia 1 de Janeiro de 1955, começaram os cursos no CAC Sabre. Assim que o Sabre entrou em serviço operacional, em Março de 1956, os testes de voo neste avião foram terminados e as responsabilidades passaram para o Esquadrão N.º 3. Os pilotos passaram a sua introdução em jactos e combate aéreo na OTU, porém terminaram a sua conversão nos aviões Sabre já num esquadrão de linha da frente.
Conversão operacional: 1958–presente thumb|upright=1.28|alt=|Um Mirage IIID e um IIIO da No. 2 OCU, em 1980