Juan Antonio Álvarez Dubra (Montevidéu, 1 de março de 1926 GUIMARÃES, Charles (4 de novembro de 1948). Álvarez quer defender o arco da seleção brasileira. Sport Ilustrado n. 552, pp. 16 - Uruguai, 2008), também conhecido como Tony Álvarez,DA COSTA, Ferreira (2014). Veliz - memórias de um fenômeno. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 290-294 foi um jogador uruguaio que atuava como goleiro e também treinador de futebol. Notabilizou-se no futebol do Pará, onde foi como treinador cinco vezes campeão estadual com o Paysandu (1965, 1966), 1971, 1972 e 1976),DA COSTA, Ferreira (2009). Tributo a Juan Antonio Álvarez. Remo x Paysandu 700 Jogos - O Clássico mais disputado do futebol mundial. Belém: Valmik Câmara, p. 266 além de treinar também o rival Remo em parte do título estadual de 1977 dos azulinos.DA COSTA, Ferreira (2013). 1977 - Clube do Remo é campeão com somente uma derrota em 23 partidas. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 188-193 Álvarez é o segundo técnico mais vezes campeão estadual no Pará, abaixo de Nagib Coelho Matni.DA COSTA, Ferreira (2009). Treinadores mais vezes campeões. Remo x Paysandu 700 Jogos - O Clássico mais disputado do futebol mundial. Belém: Valmik Câmara, p. 263
Álvarez era um treinador de estilo conciliador para gerar um ambiente de união familiar no grupo, sabendo trabalhar o lado psicológico, sem deixar de prezar pelo esforço LYNCH, Júlio (28 maio 1976). O Paissandu vive de mal de amor. Placar n. 320. São Paulo: Editora Abril e também pela disciplina. Falecido em 2008, pediu para que suas cinzas fossem espalhadas pelo gramado do estádio do Paysandu.
Carreira como jogador
Álvarez começou em um dos dois principais clubes do Uruguai, o Nacional, onde atuou como goleiro. Ingressou no clube aos 14 anos, em 1940, e estreou no time adulto em 1945.GUIMARÃES, Charles (4 de novembro de 1948). Álvarez quer defender o arco da seleção brasileira. Sport Ilustrado n. 552, pp. 16 Curiosamente, lá conviveu com outra figura uruguaia do futebol paraense, o também goleiro Julio Véliz, futuro ídolo do Remo - na época, Álvarez ainda estava nos infantis tricolores enquanto Véliz estava em categorias superiores. Álvarez não viria a se sobressair no time adulto, com Aníbal Paz, campeão da Copa do Mundo FIFA de 1950, sendo o dono da posição em três décadas diferentes, entre 1939 e 1953, tornando-se o recordista de partidas pelo clube;BASSORELLI, Gerardo (2012). El Legendario Aníbal Paz. Héroes de Nacional. Montevidéu: Editorial Fin de Siglo, pp. 51-56 Véliz, por exemplo, ficara no clube precisamente até 1940. Ao todo, atuou apenas em sete partidas (vencendo cinco) entre julho de 1945 e maio de 1948, todas elas amistosas, embora fosse relacionado ao banco de reservas para o clássico com o Peñarol tanto no campeonato uruguaio de 1945 como no de 1946.
Álvarez chegou a jogar no Brasil, representando um combinado de Miramar em amistoso contra o Corinthians em 1947 em São Paulo, encerrado em 1-1. No ano seguinte, foi emprestado à equipe carioca do Bonsucesso, que naquela época era capaz de captar estrangeiros capazes de brilhar posteriormente em equipes maiores do país, casos dos argentinos Juan Raúl Echevarrieta, maior artilheiro estrangeiro do Palmeiras, Moisés Beresi (campeão por Grêmio e Internacional) e Armando Renganeschi, ídolo de Fluminense e São Paulo.
O uruguaio teve boas exibições pelo quadro rubroanil, a despeito da antepenúltima colocação e da segunda pior defesa não evitados pelo clube no campeonato carioca daquele ano. Chegou a declarar pretensão de defender a própria seleção brasileira. Em janeiro de 1949, foi devolvido ao Nacional,A transferência de Álvarez (5 de janeiro de 1949). Correio da Manhã n. 17.116, p. 11 regressando no decorrer do ano ao Bonsucesso. O interesse ém Álvarez por parte do Torino após a tragédia de Superga chegou a ser divulgado.Bastidores do futebol (25 de agosto de 1949). Sport Ilustrado n. 594, p. 3 Continuou no Bonsucesso até maio de 1951, passando em seguida ao Olaria,Situação irregular de Álvarez e Tanzi (18 de novembro de 1951). Diário Carioca n. 7174, p. 10 rival do "Bonsuça" na zona da Leopoldina, na zona norte carioca, e também treinado por um platino, o argentino Abel Picabéa.Joga-se em Teixeira de Castro uma peleja tradicional (30 de setembro de 1951). Jornal dos Sports n. 6779, p. 8
No Olaria, também teve desempenho visto como destacado,Operado o goleiro Álvarez (outubro de 1951). Diário da Noite n .5190, p. 8 No mesmo ano, porém, rescindiu em setembro contrato com o alvianil da Rua Bariri.O goleiro Álvarez, do Olaria, acaba de rescindir o seu contrato com o Grêmio "Bariri" (6 de setembro de 1951). Jornal Pequeno n. 200, p. 6 Antes de sua saída, o clube teve no estadual daquele ano bons desempenhos contra os grandes, empatando em 1-1 com o Botafogo, em 2-2 com o Flamengo e sendo derrotado por 1-0 pelo Vasco da Gama; posteriormente, a partir de outubro foi derrotado por 5-1 pelo Fluminense, por 4-1 pelo Botafogo e por 5-2 pelo Flamengo, terminando em sétimo de onze times.
Como treinador Início, no Nacional Em 1963, o Nacional contratou o brasileiro Zezé Moreira como treinador. Ele conseguiu êxito em encerrar um pentacampeonato seguido do rival Peñarol no campeonato uruguaio.MELOS PRIETO, Juan José (2012). 1963. El Padre de la Gloria. Montevidéu: Ediciones El Galeón, pp. 126-127 O time também chegou à final da Taça Libertadores da América de 1964,MELOS PRIETO, Juan José (2012). 1964/65 - La Hora del "Nene". El Padre de la Gloria. Montevidéu: Ediciones El Galeón, pp. 128-129 mas Zezé terminou demitido após derrota em outubro de 1964 no clássico com o Peñarol. Álvarez era assistente do treinador brasileiro, tarefa qua conciliava com o cargo de técnico dos juvenis. Chegou a substituir Zezé no comando entre abril e julho, em amistosos esparsos e torneios locais de pré-temporada, quando o plantel principal esteve em excursão à Europa; e, então o substituiu definitivamente Zezé partir de novembro, após sondagem a candidatos mais renomados.
O Nacional terminou o campeonato uruguaio de 1964 na terceira colocação, atrás do rival Peñarol e também do modesto Rampla Juniors, algo encarado como fracasso grande em um país onde os grandes são dois. Para 1965, o time contratou para treinador o argentino José Barreiro. Álvarez, por sua vez, terminou recomendado ao Paysandu por Zezé Moreira, com quem havia construído amizade durante a parceria de trabalho nos tricolores. Do lado da equipe paraense, a negociação foi encaminhada pelo dirigente Raúl Aguilera, que era argentino.
Primeira passagem pelo Paysandu: bicampeonato e vitória sobre o Peñarol
Álvarez não foi o primeiro estrangeiro a treinar o Paysandu: o paraguaio Rafael Bría havia sido inclusive campeão paraense de 1957 na função, mas tinha a credencial de ter defendido o clube como jogador na década de 1940.LIMA, Nildo (7 jan 2018). Bienvenidos al Paysandu!. Bola. Belém: Diário do Pará, pp. 4-5 "Tony" era por sua vez totalmente desconhecido pelos paraenses e teve sua contratação criticada. Porém, com trabalho e disciplina, soube arrumar o time de Belém do Pará, que no ano anterior não havia conseguido o tetracampeonato estadual: o campeonato de 1964 fora vencido pelo rival Remo mesmo em meio a uma crise interna que levara à renúncia coletiva de diretores após derrota de 2-1 para o modesto Liberato de Castro, com uma junta governativa assumindo interinamente.DA COSTA, Ferreira (2013). 1964 - Remo perde para o Liberato, se recupera, e conquista o título. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 139-141
Além de Álvarez, o Paysandu também contratou o veterano goleiro Castilho.DA COSTA, Ferreira (2013). 1965 - Paysandu traz Castilho e dá um passeio no certame: É Campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 142-145 O primeiro grande momento veio justamente contra o Peñarol, derrotado pelo "Papão" por 3-0 em julho de 1965, a despeito dos aurinegros serem uma equipe das mais poderosas mundialmente na época e que mantinha uma invencibilidade de treze partidas, com recentes vitórias contra brasileiros naquele ano sobre Santos (3-2, após derrota de 5-4, e 2-1, todos pela Taça Libertadores da América de 1965) e Fluminense (3-1 em amistoso no Maracanã).1965 - Copa Uruguaya, Vice Campeón Copa Libertadores (2011). Club Atlético Peñarol 120. Montevidéu: Ediciones El Galeón, pp. 122-123 A vitória sobre os uruguaios rendeu crônica de Nelson Rodrigues no jornal O Globo, na época.DA COSTA, Ferreira (2002). 1965 - Paysandu 3 x 0 Peñarol. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 70-71
Álvarez exaltou que "choro de dupla alegria: o Peñarol sempre foi o meu maior rival", recebendo os cumprimentos do próprio treinador adversário, Roque Máspoli, antigo conhecido dos enfrentamentos no clássico uruguaio quando jogavam - goleiro do Maracanaço, Máspoli reconheceria que "o Paysandu venceu porque jogou melhor. Não sou de acreditar em surpresas". Os outros aurinegros também teceram elogios públicos: sobre Oliveira, Juan Joya comentou que "o [camisa] dois é bom. Joga certo e não brinca em serviço. Trabalha muito bem com a bola e sabe marcar. Foi muito difícil para mim"; a respeito de Pau Preto, Omar Caetano declarou-o como "bom, maneja muito bem a bola e sempre fugiu da marcação. Foi uma vitória justa". Famoso como maior artilheiro da Libertadores, Alberto Spencer, por sua vez, asseverou que "aqui vi uma defesa quase perfeita, tanto assim que pouco ou quase nada demos trabalho ao Castilho".
Em paralelo, o Campeonato Paraense de Futebol de 1965 vinha sendo disputado desde o final de junho. O Paysandu foi campeão com dez vitórias em doze jogos, garantido o título em uma data festiva em 22 de novembro, na qual obteve-se títulos estaduais também nas categorias juvenil e aspirante, outros momentos destacados ocorreram. A maior parte das vitórias foi de goleada, com o 4-0 e o 4-1 no Júlio César, o 6-1 e o 6-0 no Liberato de Castro, o 5-0 no Combatentes e o 8-0 no Avante, além de vitórias no Re-Pa (1-0) e no clássico com a Tuna Luso (2-1). Em 1965, o Paysandu também ganhou o título invicto em torneio internacional que reuniu Fast, Fortaleza e Transvaal.DA COSTA, Ferreira (2002). 1965 - Campeão Invicto do Torneio Internacional. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 69
O treinador uruguaio foi mantido para 1966, ano em que o clube de Quarentinha contratou o maior artilheiro de sua história (Bené) e um parceiro ideal (Robilotta), ambos no futebol carioca. O bicampeonato no estadual daquele ano foi assegurado de modo invicto em dezoito jogos e títulos nos três turnos, em campanha encerrada com vitória por 3-1 no clássico Re-Pa.DA COSTA, Ferreira (2013). 1966 - Paysandu forma a dupla Bené-Robilota e conquista o título invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 146-148 O título teve o sabor especial de ocorrer no ano em que se celebravam os 350 anos da cidade de Belém,DA COSTA, Ferreira (2002). 1966 - Bicampeão dos 350 Anos de Belém. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 76-77 o que motivou também um torneio municipal, igualmente vencido por Quarentinha e o Paysandu, de forma invicta.DA COSTA, Ferreira (2002). 1966 - Campeão do Torneio Cidade de Belém. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 77 Álvarez deixou o cargo ao fim dessa temporada, entregando o Paysandu às mãos do recém-aposentado goleiro Castilho.
Segunda passagem pelo Paysandu