thumb| O brasão de armas do Timor português entre 1935 e 1974 thumb|As armas da antiga província ultramarina do Timor português, em uso de 1935 até 1974. O brasão consistia num campo gironado de prata e negro, uma cruz florida em contraste, carregada com um dos escudetes da dextra. Cruz igual àquela que simboliza a ordem dos Dominicanos, responsáveis em grande parte pela colonização de Timor. thumb|Estandarte dos governadores no período do Estado Novo.Foto von 1965–1967 thumb|A "esfera de influência portuguesa" nas ilhas de Sondas Menores (ou Orientais) durante os séculos XVI e XIX. A lista de governadores do Timor português contida na tabela que se segue apresenta uma listagem cronológica das personalidades que exerceram as funções de máxima autoridade no território de Timor português e suas dependências ao longo do período de presença colonial portuguesa naquela região, até ao reconhecimento internacional da independência de Timor-Leste.
Os governantes indicados na lista exerciam a sua autoridade não apenas sobre os estabelecimentos, feitorias e colónias situadas em Timor, mas também, até à sua perda para os Países Baixos, sobre estabelecimentos e territórios localizados em outras ilhas do grupo das Pequenas Ilhas de Sunda (Nusa Tenggara), como Flores, Solor, Adonara, Lomblem, Pantar e Alor.
Na fase inicial da presença portuguesa nas ilhas de Sonda a partir da década de 1570, os capitães de cada uma das expedições eram a mais alta autoridade na região. A partir de 1665, com a nomeação de Simão Luís foi criado o cargo de capitão-mor de Solor e Timor, visando estabilizar a presença portuguesa nas Pequenas Ilhas de Sonda. Depois de sua morte, no mesmo ano, o cargo foi ocupado por António da Hornay, um capitão dos topasses, demonstrando a liderança que naquela região a população mestiça católica tinha assumido. Naquele período de presença portuguesa ainda incipiente, os clãs familiares topasse dos Hornay e dos Costas eram os verdadeiros governantes da colónia.
Dado que os títulos usados, e o enquadramento institucional, se foram alterando ao longo dos tempos, a tabela indica, para além das datas, a designação das funções exercidas. São também incluídos os governantes durante os períodos das ocupações australiana e holandesa e da anexação japonesa, na Segunda Guerra Mundial ou da Guerra do Pacífico, os vinte a quatro anos da incorporação na Indonésia e, finalmente, um administrador brasileiro que conduziu o processo de independência sob supervisão da Organização das Nações Unidas, em 20 de maio de 2002.
As designações utilizadas para os cargos foram:Figueiredo, Fernando Augusto. Timor : a presença portuguesa (1769-1945). FLUP, Porto, 2004. Capitão-mor em Timor (1602-1695), sendo Timor uma dependência do governo da Índia Portuguesa, subordinada ao respectivo vice-rei ou governador; Governador de Timor e Solor (1695-1844), sendo as ilhas de Timor, Ataúro, Solor e suas dependências de Larantuca e de Sica na ilha das Flores subordinadas ao governo da Índia Portuguesa; Governador de Timor e Solor (1844-1850), sendo as ilhas de Timor, Solor e suas dependências subordinadas aos Governo de Macau como parte da Província de Macau, Solor e Timor, criada pelo Decreto de 20 de setembro de 1844. A partir de então, estes territórios ficaram independentes do Estado da Índia. A sede do governo da província situava-se em Macau, tendo as possessões da Oceania um governador subalterno do que residia naquela cidade. Governador e Comissário Régio (1850-1852), na dependência directa da Metrópole.Em Outubro de 1850 foi nomeado governador de Timor, com prerrogativas de comissário régio para a demarcação dos limites, o conselheiro José Joaquim Lopes de Lima (1851-1852). Em consequência, durante o tempo do seu exercício, a governação da colónia da Oceania ficava independente da de Macau.Instrucções para o Conselheiro Lopes de Lima, encarregado do Governo das Ilhas de Timor e Solôr, por Decreto de 30 de Outubro de 1850, Paço, 6 de Novembro de 1850. Em 1852 a ilha de Solor e todas as dependências, com excepção de Ataúro, e cerca de metade da ilha de Timor foram cedidas aos Países Baixos; Governador de Timor (1852-1856), subordinado ao governo de Macau;Pelo decreto de 15 de Setembro de 1851. Cf. Collecção Official da Legislação Portugueza, ano de 1851, Decreto annexando novamente ao Governo de Macáo o das Ilhas de Timor e Solôr, Lisboa, Imprensa Nacional, 1852, p. 338. Governador de Timor (1856-1863), subordinado ao governo do Estado da Índia;Por decreto de 25 de Setembro de 1856. Cf. Collecção Official da Legislação Portugueza, ano de 1856, Decreto separando do Governo de Macau o das Ilhas de Timor e Solor ..., Lisboa, Imprensa Nacional, 1856, pp. 389-390. Governador de Timor (1863-1866), como Província Ultramarina de Timor, na dependência do governo da Metrópole. Dili foi elevada a cidade, capital de província e sede de governo independente de segunda ordem.A «Reforma Administrativa de 1863» apostou na descentralização da administração ultramarina, pelo que Timor foi desanexado do Estado da índia, passando a constituir uma Província Ultramarina.Pelo decreto de 17 de Setembro de 1863. Cf. Collecção Official da Legislação Portugueza, ano de 1863, Decreto elevando à categoria de província o território portuguez de Timor, e a cidade a povoação de Dilly como capital da província,..., Lisboa, Imprensa Nacional, 1864, p. 472. Governador de Timor (1866-1896), novamente na dependência do governo de Macau, como distrito da Província de Macau e Timor;Pelo decreto de 26 de Novembro de 1866. Cf. Collecção Official da Legislação Portugueza, ano de 1866, Decreto supprimindo o governo geral de Timor, formando d'este território e do de Macau uma província sob o nome de Macau e Timor, e organisando aqui o serviço administrativo, judicial e fiscal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1867, p. 490. Governador de Timor (1896-1909), como distrito autónomo na dependência directa do governo da Metrópole;Por Decreto de 15 de Outubro de 1896, foi constituído o distrito de Timor, passando este a ser autónomo e a ficar directamente ligado ao governo da Metrópole. As razões para esta determinação e os efeitos de que se fazia acompanhar constavam no próprio diploma legal que a determinou: dificuldade e demora nas comunicações entre as duas colónias, com prejuízo para o desenvolvimento do distrito; ausência de razões de ordem económica, política ou administrativa que justificassem a dependência.Cf. Collecção Official de Legislação Portugueza, ano de 1896, Decreto declarando o districto de Timor independente da província de Macau para todos os efeitos políticos e administrativos, Lisboa, Imprensa Nacional, 1896, pp. 968-969. Governador de Timor (1909-1927), como Província Ultramarina na dependência directa do governo da Metrópole;Em 1909 o Distrito Autónomo de Timor foi elevado à categoria de Província Ultramarina com argumentos de carácter político e económico-financeiro.Pelo Decreto de 9 de Dezembro de 1909. Cf. Boletim Official do Governo da Província de Macau, n.° 6, de 5 de Fevereiro de 1910, p. 35. Governador de Timor (1927-1955), como distrito autónomo, dependente do governo da Metrópole;Pelo decreto n.° 11744, de 16 de Junho de 1926. Cf. Boletim Oficial do Governo da Província de Timor, n.° 33, 14 de Agosto de 1826, pp. 261-262. Governador de Timor (1955-1972), como Província Ultramarina de Timor;Decreto n.º 40228, de 5 de Julho de 1955, que promulga o Estatuto da Província de Timor. Governador de Timor (1972-1975), como Região Autónoma da República Portuguesa, nos termos do artigo 2.º do Estatuto Político-Administrativo da Província de Timor, aprovado pelo Decreto n.º 547/72, de 22 de dezembro.Decreto n.º 547/72, de 22 de Dezembro, que aprova o Estatuto Político-Administrativo da Província de Timor.
O cargo de governador de Timor foi formalmente extinto pela Lei n.º 7/75, de 17 de julho, que inseriu disposições relativas à descolonização de Timor.Lei n.º 7/75, de 22 de julho, que insere disposições relativas à descolonização de Timor. Aquele diploma, que não teve aplicação prática dada a invasão e ocupação de Timor pela Indonésia, determinava a eleição directa, secreta e universal de uma Assembleia Popular representativa do povo de Timor. Este órgão seria eleito no dia 17 de outubro de 1976, "tendo por incumbência "definir, por maioria simples e voto directo e secreto, o estatuto político e administrativo do território".Mário Lemos Pires (1981), Relatório do Governo de Timor: Período de 13 de novembro de 1974 a 7 de dezembro de 1975, Lisboa, Presidência do Conselho de Ministros, p. 211
Os trabalhos legislativos deveriam realizar-se de forma a permitir que no dia 15 de outubro de 1978 cessassem "todas e quaisquer prerrogativas de soberania e administração da República Portuguesa sobre aquele território, sem prejuízo da continuação de laços de estreita cooperação em todos os domínios, no âmbito de acordos livres e mutuamente aceites".Ibid., p. 212
Para preparar a elite timorense para a independência foram instituídos "órgãos transitórios de representação e de Governo do território de Timor" que entrariam em funções em 24 de outubro de 1975 e se manteriam até 14 de outubro de 1978.Ibid. Por outras palavras, durante três anos a elite timorense iria ter a oportunidade de exercer funções executivas para os preparar para a independência.
Os três "órgãos de transitórios de representação e de Governo do território de Timor" seriam: um Alto-Comissário; um governo constituído pelo Alto-Comissário e cinco secretários-adjuntos; um Conselho de Governo "de natureza consultiva constituído por dois membros eleitos por cada Conselho Regional e quatro membros designados por cada uma das associações políticas de Timor, como tais reconhecidas, e que queira exercer esse direito".Ibid.. Em simultâneo foi publicado o "Estatuto Orgânico de Timor", a miniconstituição do território, que estabelecia as regras do jogo político na colónia até à sua independência, dia 15 de outubro de 1978.
Governantes coloniais de Timor-Leste
Período Incumbente Notas 1541 - 1642: Capitão das feitorias das ilhas de Sonda Menores ou Orientais, subordinado ao vice-rei da Índia Portuguesa |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1571 - ? || Aires de SaldanhaMarques, A.H. de Oliveira: História de Portugal, Band II, Lissabon, Palas Editores, 1984, S. 474. || |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1575 (ou 1576) || Duarte da CostaGeoffrey C. Gunn: Historical Dictionary of East Timor, S. 181|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1587–1590 || António Viegas|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1591–? || Gaspar da Silva|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1595–1600 || António Andria|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1601–1603 || Jerónimo Correia da Silva|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1605-? || Salvador Correira da Costa|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1613 || Manuel Álvares|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1618–? || António de Sá|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | ? || Gonçalo de Proença|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1632 || Francisco Pereira da Cunha|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1632–1634 || Estácio Pereira|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1634–1642 ||Francisco Fernandes|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1642–? || António Carneiro de Sequeira|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1646–? || João Calaça Tenreiro|| |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1647–1649 ||António de São JacintoGunn: History of Timor, S. 20||Capitão em Cupão. |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1651–1652 ||Francisco Carneiro de Sequeira||Capitão em Cupão. |- valign=top bgcolor="#ffffec" | 1652–1665 ||Simão Luís||Capitão em Lifau. |- valign=top bgcolor="#ffff8c"