História
Fundação do Commercial Football Club thumb|right|211x211px|Grupo de jogadores do time infantil do Commercial FC na década de 20 thumb|right|211x211px|Entrada principal do Estádio Palma Travassos No dia 10 de outubro de 1911, uma terça-feira, um grupo de comerciantes se reuniu na casa de Adaucto de Almeida, na Rua General Osório, número 47, com a finalidade de formar um novo time de futebol em Ribeirão Preto.
Segundo registros históricos, o grupo de comerciantes iniciou a reunião logo após o expediente comercial da cidade, que se encerrava as 20 horas. Após uma madrugada de debates, os presentes assinaram a Ata da reunião de fundação do novo clube ribeirão-pretano de futebol no amanhecer do dia 11 de outubro, mas, pelo início da reunião, os presentes concordaram em manter a fundação do clube e a data da ata em 10 de outubro de 1911.
Durante a reunião, foram eleitos os comandantes da nova equipe, e os mesmos tomaram posse de seus cargos imediatamente. Foram eleitos: Antidio de Almeida como Presidente, Alvino de Souza Grota como Vice, Adaucto de Almeida como Tesoureiro, Djalma Machado como Secretário, Sebastião Viana como Procurador, Sebastião Ruvald como primeiro Capitão e Florentino de Almeida com segundo Capitão.
thumb|211x211px|Estádio Dr. Roberão - Jóia de Rivotril Armado(La Roberera) thumb|right|210x210px|Panorama - Estádio do Comercial 210x210px|miniaturadaimagem|direita|Torcidas Organizadas do Comercial 210x210px|miniaturadaimagem|direita|Festa das Torcidas Organizadas do Comercial
Após a posse, foi posto em votação a nomeação do clube, e por dez votos venceu a sugestão dada por Argemiro de Oliveira, sendo o clube batizado de Commercial Football Club.
As quatro primeiras propostas votadas pela recém-criada diretoria comercialina foram:
I – A mensalidade e as joias seriam de mil réis cada
II – Os considerados sócios fundadores terão isenção das joias e mensalidades
III – A aceitação ou expulsão de sócios seriam de responsabilidade da diretoria
IV – Isenção ou abono de mensalidade de sócios desempregados ou enfermos (impossibilitados de trabalhar) durante tal período
Todas essas propostas foram aprovadas.
O primeiro Estatuto do Commercial foi redigido ainda na reunião que deu origem ao clube. Foram responsáveis pela sua criação: Alvino de Souza Grota, Argemiro de Oliveira e Djalma Machado.
Primeira partida Após a fundação, a diretoria comercialina teve sua primeira dificuldade, encontrar um local para treinos e jogos. Os primeiros treinos foram onde hoje se localiza a Praça Luiz de Camões.
Mas logo a equipe ganhou um novo local para treino. Primeiro o clube recebeu uma doação de um terreno da fundação Antônio e Helena Zerrenner, e depois, em 1917, teria seu espaço aumentado, quando adquiriu, por 9 contos de Reis, uma das propriedades de Emilio Moço.
A primeira partida disputada pelo Commercial, foi um amistoso que aconteceu em 15 de novembro de 1911, quando o cube foi derrotado pelo Associação Athletico Gymnasial, tradicional equipe de Ribeirão Preto do começo daquele século.
A partida foi disputada no antigo campo do Athletico Ribeirão Preto, outra tradicional equipe da cidade na época, e onde hoje localiza-se a Praça Sete de Setembro, e teve cobertura do Jornal A Cidade, o mais antigo jornal de Ribeirão Preto ainda em atividade.
Curiosamente, na manchete do Jornal, o Commercial foi anunciado como Sport Cub Commercial. A correção só aconteceria com o passar dos anos.
Loyolla foi o autor do primeiro gol da história do Commercial.
Ficha técnica – primeiro jogo do Commercial
A. A. Gymnasial 3–1 Commercial FC Local:: Campo do Athletico Ribeirão Preto Data:: 15 de novembro de 1911 Árbitro:: Jefferson Nogueira Gols:: Arlindo, Luiz e J. Franco (A Athletico Gymnasial); Loyolla (Commercial FC) A. A. Gymnasial: Hugo, Jonas, Luiz, Guttemberg, J. Franco, Cervantes, Gama, Luiz, Arlindo, Ortiz e José. Commercial FC: A. Oliveira, Moreira, Fritsch, F. Almeida, Jose Grota, A. Almeida, S. Reinaldo, Djalma Machado, J. Lima, V. Mello e Loyolla.
1913-1919 – Da reorganização aos primeiros triunfos Em 1913, o clube passou pela sua primeira reorganização, o que possibilitou a expansão e o crescimento do Commercial.
Nos anos que seguiram, grandes vitórias animavam a crescente torcida do Commercial. Em 1915, o Commercial enfrentou uma equipe da capital pela primeira vez em Ribeirão Preto, o SC Germânia. Apesar de toda tradição do time paulistano, o Commercial não se intimidou e venceu por 4–1.
Depois, seguiram jogos emblemáticos, que sempre mobilizavam a torcida, até que em 1916 alguns jogos começaram a ganhar maior destaque, até nas manchetes dos jornais: Commercial FC 1–1 Amparo FC (28 de maio – amistoso que parou a cidade); Commercial FC 3–0 EC Bandeirante de Jaú (8 de setembro – Taça Bandeirante); Commercial FC 5–0 Black Team de Campinas (23 de setembro – amistoso); e Commercial FC 4–0 Palestra Itália EC de Ribeirão Preto (sem data – amistoso).
A primeira grande contratação de um atleta, que não residia em Ribeirão Preto, feita pela diretoria do Commercial, concretizou-se no dia 14 de julho de 1917, quando o clube recebeu o ponta-direita e atacante Belmácio Pousa Godinho, que vinha do (clube no qual a família de Belmácio participou da fundação em 1913).
Belmácio trouxe ao alvinegro não apenas proveitosas atuações dentro dos gramados, pois, após sua aposentadoria, participou por vários anos da diretoria do clube.
Primeiras conquistas Taça Castellões Em 1917, o Commercial conquistou seu primeiro grande título, a Taça Castellões.
Organizada por uma Liga de futebol independente, criada no interior paulista, a Liga de Foot-Ball do Oeste do Estado, a Taça Castellões reuniu vários clubes do interior paulista. O troféu, a Taça Castellões, foi oferecida pela Companhia de Grande Manufactura de Fumos e Cigarros Castellões (daí a origem do nome do Torneio), era de prata maciça com detalhes em ouro.
Disputaram o torneio: Commercial FC e Palestra Itália EC (Ribeirão Preto); CA Pirassununguense (Pirassununga); AA São João (São João da Boa Vista), União Atlética Casabranquense (Casa Branca), EC Taubaté (Taubaté), e representantes das cidades de Batatais, Taquaritinga, São Simão, São Carlos, Tambaú, Piracicaba e Franca.
O Commercial foi campeão, com a seguinte campanha: Commercial 20–0 Taquaritinga (8 de março – maior goleada da história do clube), Commercial FC 3–1 São Carlos (22 de abril), Commercial FC 6–0 São Simão (13 de maio), Commercial FC 2–0 Palestra Itália EC (20 de maio), Commercial FC 7–0 Franca (8 de julho) e Commercial FC 4–1 Palestra Itália EC (12 de outubro).
Taça Besquizza Em 25 de março de 1917, o Commercial conquistou a Taça Besquizza ao vencer o CA Paulistano, campeão paulista de 1916, por 4–1, em Ribeirão Preto.
Outras Conquistas Entre 1917 e 1918, eram comuns a disputa de jogos amistosos valendo algum premio ou troféu.
Destaques ficaram para conquista dos troféus: Taça Café Pinho (vencendo o de Rio Claro por 4–1), Taça Hotel Modelo (vencendo o White de Campinas) e a Taça Clark (ao vencer o Corinthians), todas em 1918.
Ainda em 1918, o Commercial inscreveu uma equipe extra (uma espécie de expressinho) na Liga Municipal de Clubes de Ribeirão Preto, e conquistou a Taça Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto.
Divisão do Interior Em 1919, o Commercial foi o primeiro time de futebol de Ribeirão Preto a disputar um campeonato importante. O torneio disputado pelo alvinegro foi o Campeonato Paulista - Divisão do Interior da APEA (Associação Paulista de Esportes Athléticos). No torneio, o Commercial demonstrou muita força, mas na final acabou sendo derrotado pelo EC Taubaté, ficando com o vice-campeonato.
Excursão para o Nordeste Em 22 de março de 1920, o Commercial recebeu um telegrama do Sport Cub do Recife, sendo convidado para uma série de amistosos no Pernambuco. Outras equipes paulistas foram convidadas, mas apenas o Commercial aceitou o convite.
A delegação comercialina embarcou na estação da Mogiana em Ribeirão Preto na manhã de 29 de abril, passando por Campinas, São Paulo até chegar ao Rio de Janeiro, onde embarcou no Navio Itapuy, que seguiu viagem até a Bahia, e depois ao Pernambuco, onde chegou as 6 horas da manhã do dia 7 de maio de 1920.
Foi uma recepção calorosa ao Commercial, com direito de repercussão na imprensa, por meio do jornal A Opinião, de Recife.
DataConfrontoLocalCidade9 de maio de 1920Combinado / 0–1 Commercial FC Estádio HelvéticoRecife 13 de maio de 1920 2–3 Commercial FC Estádio HelvéticoRecife 16 de maio de 1920Liga Pernambucana de Desportos Terrestres 2–2 Commercial FC Estádio HelvéticoRecife 20 de maio de 1920Santa Cruz 0–1 Commercial FC Estádio HelvéticoRecife 23 de maio de 1920América-PE 1–2 Commercial FC Estádio HelvéticoRecife 26 de maio de 1920 0–2 Commercial FC Estádio HelvéticoRecife 28 de maio de 1920Liga Pernambucana de Desportos Terrestres 1–5 Commercial FC Estádio HelvéticoRecife 1 de junho de 1920Liga Baiana 1–2 Commercial FC Não identificadoSalvador
Dessa excursão nasceu o apelido Leão do Norte, que acompanha o Commercial até hoje.
A volta a Ribeirão Preto foi marcada por festa da torcida. Uma das comemorações mais significativas ocorreu no dia 6 de junho de 1920, no antigo coreto do Jardim Público (atual Praça XV de Novembro), quando a Banda Independente, sob batuta do maestro José Delfino Machado, estreava o Hino do Comercial, uma composição original de Belmácio Pousa Godinho, uma obra pioneira entre os hinos de futebol do Brasil.
Década de 1920 thumb|209x209px|Setor dos visitantes (Laranja) - Rua Henrique Dumont (Portão 03) Após a épica excursão pelo norte e nordeste, o Leão começou a ficar conhecido nacionalmente passando a disputar torneios amistosos, onde enfrentava grandes clubes do futebol brasileiro.
Em 10 de outubro de 1920, o Rei Alberto da Bélgica, esteve no Estádio da Rua Tibiriçá para assistir um jogo do Palestra Itália da capital paulista (atual ) contra o Palestra Itália de Ribeirão Preto. O time da capital venceu por 4–1.
Em 1921, durante um torneio amistoso chamado "Taça Círculo Italiano", o Commercial, que entrou como convidado, derrotou a já poderosa equipe do Palestra Itália de São Paulo, por 5–2.
Primeiro jogo internacional O primeiro jogo internacional do Commercial terminou empatado em 1–1, e foi contra a Seleção Argentina. O jogo aconteceu em 1922, num amistoso realizado no então estádio do Commercial, o Estádio da Rua Tibiriçá em Ribeirão Preto. A Argentina estava no país para disputa do Campeonato Sul-Americano e Copa Rocca, ambos vencidos pelo Brasil.
Expansão do clube Em 1923, o Commercial inaugurou sua Escola de Educação Física, em 25 de fevereiro, e em 2 de março, inauguraram a sede da Rua São Sebastião, número 37.
Ainda em 1923, o Commercial jogou pela primeira vez contra cariocas. Enfrentou em 24 de junho o , e perdeu por 5–1.
No mesmo ano, em 26 de dezembro, empatou em 0–0 com a Seleção da Bahia, que estava em São Paulo disputando o extinto Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais.
Em 1927, o Commercial faria sua estreia na Primeira Divisão do futebol paulista, tornando-se o primeiro time da região de Ribeirão Preto a jogar a elite do futebol paulista. O clube jogaria o Campeonato Paulista - Divisão Principal.
Antes, porém, de começar o Campeonato Paulista - Divisão Principal, a APEA, coordenadora do torneio, sempre realizava entre os clubes que iriam disputar o certame um curto campeonato, conhecido como Torneio Início. Como disputava a Divisão Principal, o Commercial pode jogar também o Torneio Início de 1927, mas acabou perdendo na estreia, de 5–2, para o Palestra Itália, e acabou eliminado. O jogo aconteceu no dia 1 de maio.
O primeiro jogo do Commercial na elite do futebol paulista aconteceu no dia 3 de maio de 1927, e seu adversário era o poderoso Palestra Itália, atual Palmeiras, que terminaria campeão daquele ano.