Rainbow é o sétimo álbum de estúdio da artista musical estadunidense Mariah Carey. O seu lançamento ocorreu em 2 de novembro de 1999 pela Columbia Records. O álbum seguiu o mesmo padrão dos dois álbuns anteriores de Carey, Daydream (1995) e Butterlfy (1997), nos quais ela começou sua transição para o mercado urban. Rainbow contém uma mistura de músicas de R&B influenciadas pelo hip hop, bem como uma variedade de baladas lentas. No álbum, Carey trabalhou com produtores como David Foster e Diane Warren, que substituiu Walter Afanasieff, principal produtor de baladas que trabalhou com a cantora em seus projetos anteriores. Com a separação de seu então marido Tommy Mottola, Carey teve mais controle no estilo musical do álbum, colaborando com artistas como Jay-Z, Usher e Snoop Dogg.
Em seu álbum anterior Butterfly, Carey incorporou estilos musicais até então inéditos em seu repertório musical, como o hip-hop e o R&B. Para ir além em seus horizontes musicais, a intérprete colaborou com Jay-Z no primeiro single do disco, sendo esta a primeira faixa de Carey a ser lançada como o primeiro single de algum disco contando com outro artista. Carey compôs baladas em que seu gênero principal é o R&B e não o pop, e trabalhou com Snoop Dogg e Usher em músicas como "Crybaby" e "How Much", ambas contando com fortes batidas e ritmos de R&B. Diversas das baladas que Carey compôs durante o período de elaboração do disco, incluindo "Thank God I Found You" (junto com Terry Lewis) e "After Tonight" (junto com Diane Warren), refletem sentimentos que ela experimentou em sua vida pessoal.
Rainbow recebeu revisões mistas por parte da mídia especializada, a qual prezou a contínua mudança do gênero adulto de seu passado. Entretanto, sua produção foi criticada por parte dos avaliadores, que sentiram que o álbum não era tão forte ou tão distinto como Butterfly. O disco obteve um bom desempenho comercial, liderando as tabelas musicais da Europa e da França, ao passo que qualificou-se entre os cinco álbuns mais vendidos na Alemanha, na Austrália, na Áustria, na Bélgica (região da Valônia), na Finlândia e na Suíça. Nos Estados Unidos, o projeto converteu-se no primeiro de Carey a não liderar a Billboard 200, estreando na segunda posição com vendas de 322 mil cópias em sua semana de lançamento. Foi certificado como platina tripla pela Recording Industry Association of America (RIAA), denotando vendas de 3 milhões de cópias do disco em território estadunidense em 1999. Na Europa, foi certificado como platina duplo pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), vendendo mais de 2 milhão de cópias no continente. Atualmente o álbum Rainbow já possui vendas estimadas em mais de 8 milhões de exemplares vendidos em todo mundo.
Cinco singles foram lançados do álbum: dois foram lançados internacionalmente, dois foram lançados promocionalmente e um foi lançado no continente europeu. O primeiro, "Heartbreaker", conta com a participação do rapper Jay-Z e tornou-se o décimo quarto single de Carey a liderar a tabela musical Billboard Hot 100, enquanto liderou as tabelas musicais do Canadá, da Espanha e da Nova Zelândia. O segundo single lançado foi "Thank God I Found You". Conta com a participação de Joe e 98 Degrees e foi o décimo quinto single de Carey a atingir a primeira posição da tabela Billboard Hot 100. Os dois singles sucessores, "Can't Take That Away (Mariah's Theme)" e "Crybaby", foram laçados como um duplo lado A. Estas duas faixas foram centro de uma disputa pública entre Carey e a Sony, devido a uma alegação de que a Sony não teria promovido estas duas canções como "Heartbreaker" e "Thank God I Found You" (o que estava claro para todos é que a sony queria desacelerar o sucesso da cantora para faze-la voltar ao passado controlador). "Against All Odds (Take a Look at Me Now)" — regravação da original interpretada por Phil Collins —, foi lançada apenas na Europa, liderando as tabelas musicais da Irlanda e do Reino Unido, sendo que no último país citado "Against All Odds (Look at Me Now)" tornou-se o segundo single de Carey a liderar a tabela UK Singles Chart. A artista promoveu Rainbow em sua quarta turnê (sendo sua segunda mundial), intitulada Rainbow World Tour. A turnê passou por países como a Espanha, a França, a Itália e a Singapura.
Antecedentes Desde seu álbum de estréia homônimo, lançado em 1990, Carey foi fortemente representada e controla por seu então marido e chefe de sua antiga gravadora Sony Music Entertainment, Tommy Mottola. Durante anos, os discos de Carey constituíam principalmente em lentas e significativas baladas, desprovidas de qualquer influência do hip hop. Enquanto gravava seu quinto álbum de estúdio Daydream em janeiro de 1995, Carey teve mais controle sobre seu estilo musical, bem como novas influências. Ela contou com as habilidades e as rimas de Ol' Dirty Bastard, que é o artista participante no remix de seu single "Fantasy". Enquanto Mottola estava hesitante no início, o esforço da cantora valeu a pena: a canção liderou diversas tabelas musicais ao redor do mundo, com a crítica especializada citando a faixa como uma das primeiras de Carey a juntar o pop e o R&B.
Durante a gravação e a concepção de seu sexto álbum de estúdio Butterfly em 1997, Carey se separou de Mottola, deixando o período de controle do disco inacabado. Após a sua separação com Mottola, Carey colaborou com artistas mais jovens do R&B e do hip hop, além de seu trabalho já considerado "habitual" com os produtores de baladas Walter Afanasieff e Kenneth "Babyface" Edmonds. Ao passo que o álbum incorporou gêneros e componentes que não estavam presentes nos projetos anteriores de Carey, Butterfly também incluiu canções influenciadas por suas baladas clássicas, bem como composições que infundiram o R&B. Enquanto a Sony concordou que Carey trabalhasse com novos produtores e compositores como P. Diddy e Bone Thugs-n-Harmony, a gravadora estava focada em promover as baladas do disco. Depois de "Honey", lançada como o primeiro single de Butterfly em setembro de 1997, a Sony suspendeu a promoção de composições influenciadas pelo R&B e lançou a balada "My All" como o segundo single do disco. Rainbow foi inspirado por Butterfly e inclui influências do R&B e do hip hop.
Desenvolvimento e gravação
Durante a primavera estadunidense de 1999, Carey iniciou o desenvolvimento de seu último álbum com a Sony, gravadora de seu ex-marido. Luis Miguel, namorado da cantora na época, estava embarcando em uma turnê europeia. Para passar mais tempo com Miguel, ela decidiu gravar o disco em uma ilha isolada em Capri, Itália, descobrindo que o isolamento iria ajuda-la a completar o álbum mais rápido. Nesta época, a relação tensa entre a artista e a Sony afetou a sua parceria com Walter Afanasieff, que trabalhou extensivamente com Carey em sua fase de maior sucesso. Além de suas crescentes diferenças criativas, Mottola concedeu à Afanasieff mais oportunidades de trabalhar com outros artistas. Ela sentiu que Mottola estava tentando separá-la de Afanasieff apenas para manter a sua relação com a Sony permanentemente tensa. Devido à pressão e o relacionamento que Carey já tinha desenvolvido com a Sony, ela completou o álbum em um período de três meses no verão estadunidense de 1999, mais rápido do que qualquer um de seus outros álbuns.
Assim como em seus lançamentos anteriores, Carey co-compôs e co-produziu o material do disco, trabalhando com diversos artistas e produtores do hip hop e do R&B, como Jay-Z, Terry Lewis, Usher, Snoop Dogg, Missy Elliott, Jermaine Dupri e Bryan-Michael Cox. Para o primeiro single do álbum, a intérprete trabalhou com Jay-Z e DJ Clue. Na primeira estadunidense de 1999, Carey trabalhou com Clue em diversos ganchos e melodias para o single carro-chefe. Após algumas horas, eles decidiram uma estrela do hip hop da faixa, que eventualmente foi Jay-Z. Trey Lorenz, amigo e vocalista de apoio de longa data da cantora — que também participa na regravação de "I'll Be There", dos The Jackson 5 —, adicionou alguns "vocais [de apoio] masculinos e suaves". A artista trabalhou com Lewis e Jam na balada "Thank God I Found You". Ela já havia estado no estúdio com a dupla várias vezes antes de chama-los para encontrá-la no estúdio, dizendo que já havia concebido o título, o gancho e a melodia do tema. Geralmente, quando Carey estava escrevendo as músicas para Rainbow, James "Big Jim" Wright iria tocar o órgão ou o piano e ajudar Carey para encontrar a "melodia certa". No entanto, desde que Wright não estava presente, Lewis tocou o órgão, enquanto Carey dirigiu-o com seus registros baixos, proporcionando a progressão de acordes. Eles compuseram a canção e gravaram os vocais da cantora. Sabendo que ela queria introduzir um vocalista masculino na faixa, Lewis levou para o estúdio o cantor de R&B Joe e o grupo pop 98 Degrees. Pouco tempo depois, o grupo e Joe gravaram todos os seus vocais e a canção foi completada. Em uma entrevista com Fred Bronson, Lewis comentou sobre a noite em que Carey compôs "Thank God I Found You":
Enquanto o álbum ainda estava imerso no território R&B mainstream, Carey incluiu algumas de suas baladas clássicas e canções amorosas no álbum, trabalhando com compositores e produtores como David Foster e Diane Warren. A ideia de trabalhar com Warren foi sugerido por Foster, que achou que os dois seriam capazes de "criar uma boa balada" juntos. Eles compuseram e produziram a música "After Tonight". Carey sentiu que a canção era uma metáfora perfeita para o seu relacionamento com Miguel, descrevendo seu romance em Capri. Enquanto a canção foi considerada um sucesso em ambas as partes, eles descreveram a sua relação de trabalho com uma mistura de sentimentos. De acordo com Foster, que esteve envolvido na sessão de composição, Carey e Warren nem sempre concordam com as letras e a estrutura melódica do canção. Ele descreveu isso como um "relacionamento dado e levado". Warren ofereceu algumas letras, e Carey não gostou de algumas delas; ela queria algo mais complexo e detalhado. Carey produziu ganchos e letras que Warren achou que não eram um ajuste perfeito. No final, Foster sentiu que elas trabalharam de uma "maneira boa". Depois de gravar a faixa, Carey convidou Miguel para gravar a canção com ela como uma espécie de dueto. No entanto, após a gravação repentina dos versos, Foster e Carey perceberam que a canção não saiu da maneira como eles planejaram. Foster disse que a chave da canção era "muito alta"; as vozes não harmonizaram bem. Carey não teve tempo de voltar a gravar seus vocais em uma chave menor para acomodar os versos de Miguel. Posteriormente, Miguel, furioso com a falha da colaboração, enviou a Foster uma fita de demonstração. Carey, Warren e Foster também escreveu "Can't Take That Away (Mariah's Theme)", uma das baladas apresentadas em Rainbow.
Música e letras