A Classe Ersatz Monarch, chamada informalmente de Classe Tegetthoff Melhorada, foi uma classe de couraçados projetados para a Marinha Austro-Húngara que teria sido construída entre 1914 e 1919. Os trabalhos para uma nova classe de couraçados que sucederia a Classe Tegetthoff e substituir a antiga Classe Monarch de navios de defesa costeira começaram em meados de 1911. O vice-almirante Anton Haus, o Comandante da Marinha da Austro-Húngara, conseguiu aprovar em 1914 um programa de expansão naval com o apoio do Conselho Imperial austríaco e da Dieta húngara, garantindo o orçamento necessário para a construção de quatro novos couraçados dreadnought.

Os couraçados da Classe Ersatz Monarch, segundo o projeto aprovado, seriam armados com dez canhões de 350 milímetros montados em duas torres triplas e duas torres duplas. Teriam um comprimento de 172 a 175 metros, boca de 28 metros, calado de pouco mais de oito metros e um deslocamento de pelo menos 24,5 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão seriam quase idênticos aos da Classe Tegetthoff, sendo compostos por quinze caldeiras que alimentariam quatro turbinas a vapor, que por sua vez girariam quatro hélices até uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora). Os navios teriam um cinturão de blindagem que ficaria entre 140 e 310 milímetros de espessura.

A construção do primeiro navio estava programada para começar em meados de julho de 1914, com a previsão de que os últimos fossem lançados em meados de 1919. Entretanto, o assassinato do arquiduque Francisco Fernando em junho fez as obras serem suspensas. Com o início da Primeira Guerra Mundial, os trabalhos foram adiados primeiro até setembro, quando esperava-se que o conflito já estivesse resolvido. O governo húngaro tentou cancelar os couraçados logo em outubro, porém foi concordado em fevereiro de 1915 que eles seriam adiados indefinidamente até o final da guerra. A classe acabou sendo cancelada definitivamente em 1917, depois da guerra ter entrado em seu terceiro ano.

Antecedentes thumb|esquerda|290px|Couraçados austro-húngaros c. 1912–13 O almirante conde Rudolf Montecuccoli aposentou-se como Comandante da Marinha Austro-Húngara e Chefe da Seção Naval do Ministério da Guerra em 22 de fevereiro de 1913. Seu sucessor foi o almirante Anton Haus, que herdou uma marinha que era a sexta maior da Europa e a oitava do mundo. Na época, a marinha estava se aproximando de seu objetivo de ter dezesseis couraçados em sua frota, número delineado por Montecuccoli em um memorando enviado ao imperador Francisco José I em janeiro de 1909. Entretanto, esse número incluía três embarcações obsoletas da Classe Monarch, navios de defesa costeira com vinte anos de idade. A Classe Tegetthoff, os couraçados mais modernos da Áustria-Hungria, estavam quase finalizados em 1913 e cada um dos navios eram quatro vezes maiores que os membros da Classe Monarch.

A necessidade de substituir a antiga Classe Monarch tinha surgido antes mesmo da promoção de Haus. Montecuccoli havia pedido em outubro de 1912 por dois couraçados que sucederiam a Classe Monarch, porém sem sucesso. Carl von Bardolff, o chefe do estado-maior do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono austro-húngaro e almirante da marinha, sugeriu que Haus explorasse a opção de construir uma "segunda divisão de dreadnoughts". Bardolff estava agindo de acordo com as ordens de Francisco Fernando, que há muito tinha grande interesse em expandir a Marinha Austro-Húngara. O plano do arquiduque era que uma nova classe de dreadnoughts substituísse a Classe Monarch e que esses novos navios tivessem suas construções iniciadas o mais rápido possível, dessa forma mantendo os estaleiros ocupados com novos contratos. Assim como tinha ocorrido com a Classe Tegetthoff, várias empresas, como a Witkowitzer Bergbau, Škoda-Werken, Stabilimento Tecnico Triestino e Creditanstalt, ofereceram-se para começarem as obras usando seu próprio dinheiro, antes mesmos dos parlamentos austríaco e húngaro aprovassem os orçamentos necessários para a construção dos couraçados. Francisco Fernando e Bardolff também tinha conseguido empréstimos bancários em nome da marinha para financiar o projeto até que um orçamento oficial fosse aprovado.

Propostas A Škoda fez a primeira de muitas propostas a fim de conseguir aprovação para uma nova geração de couraçados para substituir a Classe Monarch enquanto os navios da Classe Tegetthoff ainda estavam em construção. A proposta original foi entregue ao governo austro-húngaro em 18 de abril de 1911, consistindo em uma classe de embarcações que seriam armadas com canhões de 340 milímetros, estes montados em quatro torres de artilharia triplas sobrepostas, duas na proa e duas na popa.

O Comitê Técnico da Marinha apresentou, em dezembro de 1911, três propostas criadas pelo arquiteto naval Franz Pitzinger, o Construtor-Geral da marinha, das características gerais para uma nova classe. A primeira dessas propostas era de um couraçado com deslocamento de 22 mil toneladas e canhões de trezentos milímetros. Outra proposta tinha deslocamento de 23 mil toneladas e canhões de 350 milímetros. A última proposta possuía um deslocamento que chegava em 24,5 mil toneladas. A decisão final sobre o tamanho e número das armas da bateria principal foi de canhões de 350 milímetros, que era uma versão modificada e ligeiramente maior da proposta da Škoda. A decisão final sobre o calibre dos canhões foi influenciada pela Marinha Imperial Alemã, que tinha adotado esse calibre para seus novos cruzadores de batalha da Classe Mackensen.

Em janeiro de 1913 foi entregue, pelo Comitê Técnico da Marinha, a primeira proposta oficial para uma nova classe de couraçados austro-húngaros. O comitê decidiu escolher a maior das três propostas iniciais de Pitzinger, com cada embarcação tendo um deslocamento de aproximadamente 24,1 mil toneladas. Os navios seriam armados com um total de dez canhões de 350 milímetros, enquanto a bateria secundária seria de dezoito canhões de 149 milímetros e 22 canhões de noventa milímetros.

Financiamento thumb|190px|Anton Haus, o Comandante da Marinha e proponente da Classe Ersatz Monarch Haus não queria começar seu período como Comandante da Marinha contornando o governo austro-húngaro por financiamento, assim recusou a ideia de começar a construção de qualquer nova classe de couraçados antes que um orçamento fosse aprovado pelo Conselho Imperial austríaco e pela Dieta húngara. Sua proposta de expansão naval enfrentou oposição imediata na Hungria. A sugestão de que as obras começassem antes do governo austro-húngaro ter a oportunidade de aprovar qualquer espécie de orçamento fez com que o primeiro-ministro húngaro László Lukács ameaçasse renunciar. A falta de um governo húngaro para aprovar um orçamento tinha atrasado a construção da Classe Tegetthoff em 1909. Haus não queria repetir o mesmo tipo de crise orçamentária que tinha deixado os couraçados anteriores sem uma aprovação governamental formal por quase um ano, assim decidiu por não incluir planos de uma nova classe de navios para sua proposta de orçamento naval para 1914, que seria apresentada aos parlamentos austríaco e húngaro. Entretanto, ele conseguiu o apoio do Conselho Ministerial austro-húngaro em outubro de 1913 para que uma nova classe de couraçados substituísse a antiga Classe Monarch e também o , o pré-dreadnought mais antigo da frota. Foi estimado que todo o programa de construção naval de Haus custaria mais de 420 milhões de coroas, incluindo a construção de seis contratorpedeiros, três cruzadores e quatro couraçados dreadnought.

A aprovação do orçamento necessário para a construção dos couraçados foi facilitada pela queda do governo de Lukács em junho de 1913. Seu sucessor foi o conde István Tisza, um político experiente e proeminente que antes já tinha trabalhado para garantir a aprovação dos orçamentos navais de 1910 e 1911 que autorizaram a construção da Classe Tegetthoff. Tisza tinha feito isso depois de receber a promessa da marinha que o contrato de construção para um dos navios seria entregue para o estaleiro da Ganz-Danubius em Fiume, que ficava localizado na parte húngara do império. O primeiro-ministro, desde as negociações para o financiamento da Classe Tegetthoff, tinha ficado ainda mais comprometido com a causa da expansão da Marinha Austro-Húngara. Representantes austríacos e húngaros no Conselho Ministerial se encontraram em Viena no final de 1913 com o objetivo de aprovarem um orçamento para o primeiro semestre de 1914, com os defensores do projeto aproveitando a oportunidade para conseguirem apoio para os couraçados. Albert von Mühlwerth, membro germânico do Conselho Imperial pela Boêmia, justificou a ideia ao afirmar que a expansão e modernização da Marinha Austro-Húngara era necessária para substituir a obsoleta Classe Monarch; ele disse: "se meu casaco é velho e surrado, eu compro um novo pra mim... é a mesma coisa com navios de guerra". Esses esforços ocorreram mesmo com Haus não planejando apresentar qualquer tipo de proposta para os navios até o ano seguinte.

Aprovação thumb|esquerda|240px|O SMS Wien, o segundo de um total de três navios da Classe Monarch O parlamento húngaro voltou a se reunir no início de 1914 e Haus apresentou formalmente sua proposta de orçamento naval para o período de 1915 a 1919. Seu projeto custaria aproximadamente 427 milhões de coroas e seria espaçado no decorrer de cinco anos. Os húngaros, liderados por Tisza, apoiaram a proposta depois de Haus prometer que seis contratorpedeiros, dois monitores fluviais e dois dos quatro couraçados do programa de expansão seriam construídos pelos estaleiros da Ganz-Danubius em Fiume, assim como havia acontecido com o da Classe Tegetthoff. O Partido Socialdemocrata Operário austríaco foi contra, da mesma forma como em outras ocasiões em que foi necessário aprovar orçamentos maiores para a marinha. Karl Leuthner, um socialdemocrata da Baixa Áustria e editor do jornal Arbeiter-Zeitung, criticou o orçamento por ser fiscalmente irresponsável, também afirmando que os navios seriam lançados "em um oceano da dívida nacional da austríaca". O partido foi a oposição ao projeto junto com o Partido Nacional Liberal tcheco, que anteriormente tinha apoiado a construção das embarcações da Classe Tegetthoff. Karel Kramář, seu líder, disse que, apesar de ter "uma certa parcialidade pela marinha", seu partido se opunha a muitos dos argumentos pró-germânicos apresentados para justificar os couraçados. Muitos nacionalistas germânicos na Áustria tinham apoiado a construção dos couraçados por acreditarem que suas existências valorizariam a aliança da Áustria-Hungria com a Alemanha. O barão Heinrich von Lützow, membro da Câmara dos Lordes austríaca e um ex-embaixador austro-húngaro na Itália, chegou a afirmar que "todo apoiador da Tríplice Aliança... deve votar pelo fortalecimento de nossa marinha".