A Abadia Nossa Senhora Mãe do Divino Pastor (lat. Abbatia B.M.V. Divini Pastoris Matris) é um mosteiro da Sagrada Ordem Cisterciense (O. Cist.) e que faz parte da Congregação Brasileira dos Cistercienses, localizado na zona rural da cidade de Mundo Novo, Estado da Bahia. É um dos cinco mosteiros Cistercienses masculinos do país. Faz parte da linhagem da Abadia de Morimond, uma das quatro primeiras fundações filhas da Abadia principal de Cister.
Etimologia miniaturadaimagem|Jequitibá mãe. Antiga árvore que deu nome à Região e que foi atingida por um raio A história de Jequitibá se origina em relação a uma grande árvore de mesmo nome, que estava situada na mata, próxima à antiga fonte nascente que, infelizmente, em 1983 foi fulminada por um raio.
Jequitibá é uma árvore com troncos grandes, tanto em comprimento como em diâmetro, da família das lecitidáceas. Suas folhas apresentam tom avermelhado na primavera e suas flores são claras ou vermelhas. Figura na relação das maiores árvores da Mata Atlântica.
A palavra "jequitibá" é originária do termo Tupi Guarani yekïti'báFERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.987. e que pode significar “gigante da floresta” ou, segundo Clóvis Chiaradia, "jequi-ti" = o covo pontuado; "ibá" = fruto.
Introdução miniaturadaimagem|Construção da primeira ala do Mosteiro de Jequitibá
A Abadia de Jequitibá foi fundada no dia 18 de agosto de 1939 por monges austríacos, provenientes da Abadia de Schlierbach, que desejavam iniciar uma fundação missionária nas terras de missão do Novo Mundo, outro fator que colaborou foi a perseguição pelo regime nazista.
O abade D. Aloísio Wiesinger, de Schlierbach, ameaçado pelos nacional-socialistas, trabalhou como missionário em Jequitibá de 1939 a 1946. O mosteiro, erigido inicialmente como Priorado, foi elevado à Abadia Independente em 1950. O primeiro abade foi D. Antonio Moser, que chefiou o mosteiro por 46 anos (1950 – 1996). Para ele, a sua missão era proporcionar algum trabalho profissional às pessoas da região (escola de artesanato, oficinas de treinamento, dentre outros), além de educação e catequese.
A área onde está implantado o Mosteiro foi doada por um casal muito piedoso, o Coronel Plínio Tude de Souza e Dona Isabel Fernandes Tude de Souza que, não tendo filhos, instituíram por testamento a Fundação Divina Pastora, com o objetivo de beneficiar a população sertaneja.
História miniaturadaimagem|Bênção e lançamento da Pedra Fundamental da construção do Mosteiro
Desde 1936 o então abade de Schlierbach, Dom Aloísio Wiesinger, pensava numa fundação missionária, como resposta ao Capítulo Geral da Ordem em 1925.O Capítulo Geral da Ordem ocorre a cada cinco anos. Nele são discutidos e deliberados os caminhos, as decisões, programas e alterações para Ordem. Os documentos que resultam do capítulo Geral orientam e determinam os princípios que os Cistercienses devem seguir. Schlierbach, então, aceitou o novo programa missionário proposto pelo papa Pio XI de expandirem suas missões para fora da Europa.O Capítulo de 1925 apoiou sem reservas o programa de missões exteriores em grande escala propiciado pelo Papa Pio XI, e buscou também como uma comunidade monástica poderia realizar atividade missionária sem sacrificar suas características básicas. (...) Esta difícil tarefa encontrou um promotor diligente o abade Aloísio Wiesinger de Schlierbach, cujo mosteiro se converteu de imediato ao centro do movimento. O abade informou no Capítulo Geral extraordinário de 1927 sobre o resultado de suas pesquisas, relacionadas com a América do Norte e do Sul, e o trabalho começou de imediato.PINHEIRO. Gilmara F. O. (2012). OS “MONGES DE BRANCO” E OS SERTÕES DAS JACOBINAS: CATOLICISMO E RESTAURAÇÃO NAS AÇÕES MISSIONÁRIAS DE PE. ALFREDO HAASLER. (1938/1965). Dissertação (Pós-Graduação em História). Disponível em "http://www.historia.uefs.br/arquivos/File/osmongesdebrancoeossertoesdasjacobinas.pdf". Acesso em 04 de dezembro de 2021."El Capítulo de 1925 apoyó sin reservas el programa de misiones exteriores en gran escala propiciado por el Papa Pío XI, y bosquejó también cómo una comunidad monástica podría realizar actividad misionera sin sacrificar sus características básicas. (...) Esta difícil tarea encontró a un promotor diligente en el abad Aloysius Wiesinger de Schlierbach, cuyo monasterio se convirtió bien pronto en el centro del movimiento. El abad informó al Capítulo General extraordinario de 1927 sobre el resultado de sus investigaciones, relacionadas con América del Norte y del Sur, y el trabajo comenzó de inmediato."
LEKAI, L.J. Los Cistercienses ideales e realidad. Op. Cit. 1987. Pág. 169.Certo dia, estando em Salvador/BA, para resolver algumas questões, os Padres Alfredo, Adolfo e Berchmans – vindos de Schlierbach a pedido de Dom Hugo Bressane de Araújo (primeiro Bispo de Senhor do Bonfim/BA) para tomar posse da Paróquia de Jacobina –, foram reconhecidos pela Sr.ª Dona Isabel Fernandes Tude de SouzaJESUS, Edvânia S. 2015. UM FILHO DE CISTER NO PIEMONTE DO PARAGUAÇU: RESQUÍCIOS MEDIEVAIS (1938/1970). Monografia (Licenciatura em História). Disponível em https://www.academia.edu/29054350/UM_FILHO_DE_CISTER_NO_PIEMONTE_DO_PARAGUA%C3%87U_RESQU%C3%8DCIOS_MEDIEVAIS_1938_1970_. Consultado em 04 de dezembro de 2021. "[...] mulher determinada, de fibra e fé [...] falava francês, comunicava-se com Dom Abade nesse idioma [...] continuou beneficiando o Mosteiro em sua construção da segunda ala, tanto quanto os trabalhos feitos pela Fundação por meio de contribuições significativas, o que fez com que a Ordem Cisterciense a recomendasse com a Comenda de Dama da Ordem do Santo Sepulcro." por causa do hábito branco e preto dos Cistercienses. Ela, por sua vez, falou-lhes do testamento de seu falecido esposo, o Sr. Coronel Plínio Tude de Souza,JESUS, Edvânia S. 2015. UM FILHO DE CISTER NO PIEMONTE DO PARAGUAÇU: RESQUÍCIOS MEDIEVAIS (1938/1970). Monografia (Licenciatura em História). Disponível em https://www.academia.edu/29054350/UM_FILHO_DE_CISTER_NO_PIEMONTE_DO_PARAGUA%C3%87U_RESQU%C3%8DCIOS_MEDIEVAIS_1938_1970_. Consultado em 04 de dezembro de 2021. "O senhor Plínio Tude de Souza era natural da cidade de Feira de Santana, nascido aos 27 de março de 1877. A vida religiosa foi um aspecto marcante na vida do coronel Plínio Tude, e de sua família. Demonstrando, assim, o quanto era católica apostólica romana a família Tude, além dos atos de caridade que estão inseridos na sua crença. Ter esse compromisso e devoção religiosa, fez com que Plínio Tude doasse suas terras e bens na região sertaneja baiana para a construção da Fundação Divina Pastora, para benefício da população carente daquela localidade. Plínio Tude era casado pelo regime de comunhão de bens com Dona Izabel Fernandes Tude de Souza, além de ser Católico, apostólico e romano e não tendo descendentes do seu casal, instituiu sua esposa como sendo sua herdeira universal de seus bens. E em seu testamento dentre outros desejos, há a expressa vontade de se criar a Fundação Divina Pastora. Assim, a dois de maio de 1936, Plínio Tude de Souza vem a falecer." o qual desejava criar uma Fundação que contemplasse o bem material e espiritual dos lavradores da Fazenda Jequitibá.[...] Declaro que tendo eu e minha mulher Dona Isabel Fernandes Tude de Souza nascidos na zona sertaneja, onde possuímos grande parte de nossos bens e onde por anos vivemos contentes e com felicidade, é nosso desejo beneficiar a referida zona, o que ora fazemos neste nosso testamento, criando a “Fundação Divina Pastora”. Assim lego à mesma Fundação Divina Pastora, aqui instituída, a fazenda de engorda denominada “Jequitibá”, no município de Mundo Novo, com todas as benfeitorias, gado, etc. e tudo mais que nela existir ao tempo de abrir-se a sucessão, para na mesma fazenda ser criada a escola de ensino primário rural [...]. Nesses estabelecimentos exigimos que seja dado o ensino do catecismo e seja ensinada e divulgada a nossa Santa Religião Católica Apostólica Romana, como base primordial da referida Fundação Divina Pastora. [...].Arquivo do Mosteiro. Trecho extraído do Testamento de Plínio Tude de Souza, Salvador 15 de fevereiro de 1936. miniaturadaimagem|255x255px|Dom Aloísio Wiesinger, abade de Schlierbach e um dos fundadores do Mosteiro de Jequitibá
Entrementes, Dona Isabel havia encarregado primeiramente os monges Beneditinos de Salvador para iniciar a fundação no ano de 1937, cumprindo assim a vontade do falecido esposo. Todavia, devido a falta de pessoal (haviam poucos monges presentes no mosteiro de Salvador)Informação contida em Atas de reuniões Capitulares dos anos 1936 e 1938 do Mosteiro de São Bento em Salvador, Bahia.Cópias das Atas disponíveis em: https://download-files.wixmp.com/raw/d4f67d_31f4d5bc146f492a99146e552ec914ca.pdf?token=eyJhbGciOiJIUzI1NiIsInR5cCI6IkpXVCJ9.eyJpc3MiOiJ1cm46YXBwOmU2NjYzMGU3MTRmMDQ5MGFhZWExZjE0OWIzYjY5ZTMyIiwic3ViIjoidXJuOmFwcDplNjY2MzBlNzE0ZjA0OTBhYWVhMWYxNDliM2I2OWUzMiIsImF1ZCI6WyJ1cm46c2VydmljZTpmaWxlLmRvd25sb2FkIl0sImlhdCI6MTY3MDEyMDk0MiwiZXhwIjoxNjcwMTIxODUyLCJqdGkiOiI5OTY3MzVlMjUyMGQiLCJvYmoiOltbeyJwYXRoIjoiL3Jhdy9kNGY2N2RfMzFmNGQ1YmMxNDZmNDkyYTk5MTQ2ZTU1MmVjOTE0Y2EucGRmIn1dXSwiaW5saW5lIjp7ImZpbGVuYW1lIjoiMy4gRG9tIEVtYW51ZWwgZEFibGUucGRmIn19.s8aHBGfykLJzb2vyeE7umnS2DAPAuhTNCt7xtSvpVfg. e a alguns conflitos entre a tutora e os Beneditinos,JESUS, Edvânia S. 2015. UM FILHO DE CISTER NO PIEMONTE DO PARAGUAÇU: RESQUÍCIOS MEDIEVAIS (1938/1970). Monografia (Licenciatura em História). Disponível em https://www.academia.edu/29054350/UM_FILHO_DE_CISTER_NO_PIEMONTE_DO_PARAGUA%C3%87U_RESQU%C3%8DCIOS_MEDIEVAIS_1938_1970_. Consultado em 04 de dezembro de 2021. ela decidiu optar pelos Monges Cistercienses que em hora e tempo oportuno lá estavam. Convidou então o Padre Alfredo para visitar a Fazenda Jequitibá. A princípio foram três os visitantes: Padre Alfredo Haasler, Padre Adolfo Lukasser e Padre João Berchmans Elsen, que já se encontravam na paróquia de Jacobina a convite do bispo de Bonfim. Esta visita se deu em outubro de 1938, o qual acharam excelente e propício o lugar para a criação do referido mosteiro: o isolamento e a formação de seu terreno, além dos bens que a constituíam.VANIN, Iole Macedo. Educando “machos”, formando “homens”: O Ginásio/Seminário São Bernardo. 2002. Dissertação (Mestrado em História Social) - Universidade Federal da Bahia, Salvador.