O acidente do Learjet 25D prefixo PT-LSD em 1996, ocorrido no dia 2 de março daquele ano, foi um acidente aéreo que teve início no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, localizado em Brasília, Distrito Federal. O voo tinha como destino o Aeroporto Internacional de São Paulo, localizado em Guarulhos, no estado de São Paulo. A aeronave colidiu contra a Serra da Cantareira, causando nove mortes, sendo dois tripulantes e sete passageiros. Entre as vítimas estavam todos os membros da banda de rock cômico Mamonas Assassinas, resultando em uma tragédia de grande repercussão em território nacional. Não houve sobreviventes.

A aeronave envolvida no incidente era um Learjet 25D de propriedade da empresa Madri Táxi Aéreo, um serviço de táxi aéreo sediado em Ribeirão Preto. A aeronave estava em conformidade com todas as inspeções e documentações obrigatórias, possuindo, assim, a autorização necessária para realizar seus serviços de acordo com sua finalidade.

O acidente foi categorizado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (CENIPA) como uma colisão com o solo em voo controlado. Os fatores examinados pelo órgão que contribuíram para a dinâmica do acidente incluem a exaustão dos tripulantes após uma longa jornada de trabalho sem descanso, o temperamento autoritário do piloto em relação à passividade do copiloto, o desencontro de informações entre a aeronave e o solo resultante de uma fraseologia inadequada, o desconhecimento da tripulação em relação à carta aeronáutica do aeroporto de destino e a presença de fatores ambientais e externos que prejudicaram a orientação do piloto, como a baixa densidade demográfica da serra, dificultando a visibilidade, especialmente durante a noite.

O difícil acesso ao local do acidente resultou em atrasos no socorro, que só pôde ser efetivamente realizado na manhã do dia seguinte. Ao chegar no local, constatou-se o óbito de todos os ocupantes da aeronave. Este trágico acontecimento gerou uma intensa comoção popular, levando aproximadamente 100 mil pessoas a participarem do cortejo fúnebre em homenagem aos membros da banda.

Antecedentes

Operador O operador envolvido era a empresa de táxi aéreo denominada Madri Táxi Aéreo Ltda. Na ocasião do incidente, a empresa possuía seu registro aéreo ativo e operacional. Com sede em Ribeirão Preto, a companhia contava com um ano de atuação no mercado na data do ocorrido. O proprietário da empresa, Antônio Nunes Leme Galvão, não foi indiciado, pois a investigação concluiu que o piloto Jorge Martins possuía as devidas habilitações para comandar o Learjet 25D, isentando, assim, o proprietário de responsabilidades.

Aeronave A aeronave em questão era um Learjet 25D registrado sob o prefixo PT-LSD, fabricado pela Learjet em 1978. No momento do voo em análise, o avião acumulava horas de voo, uma quantidade considerada regular para esse tipo de aeronave. Todas as inspeções obrigatórias estavam em dia, sendo a inspeção anual realizada pelas oficinas da empresa Líder Táxi Aéreo, e a última inspeção feita nos últimos seis meses pela empresa Transamérica Táxi Aéreo, ambas empresas regularmente registradas e autorizadas para esse tipo de serviço. A capacidade da aeronave era de oito passageiros, com uma capacidade mínima para operação de dois tripulantes, totalizando uma capacidade máxima de carga humana de dez pessoas.

Supostas premonições

Após o acidente, passaram a circular relatos sobre possíveis "premonições" feitas pelos músicos antes da tragédia que são frequentemente lembrados pela mídia. Um dos casos mais citados envolve o tecladista Júlio Rasec, que, segundo reportagens posteriores, teria relatado um sonho com a queda de um avião horas antes do embarque, o que foi posteriormente interpretado como um pressentimento do acidente. Esse relato foi gravado em vídeo e ganhou notoriedade por ter sido falado em tom de seriedade:

Além disso, declarações humorísticas feitas pelos integrantes em entrevistas e programas de televisão — muitas vezes relacionadas à morte ou ao sucesso repentino — foram reinterpretadas após o acidente como possíveis indícios premonitórios. Durante a gravação do documentário MTV na Estrada: Mamonas Assassinas, cerca de um mês antes do ocorrido, Dinho ironizou os diversos problemas técnicos que a aeronave estava apresentando. Anteriormente, quando participaram do programa Top 20 Brasil em 1995, Dinho e Júlio brincaram sobre a morte do cantor Ritchie Valens, morto em um acidente aéreo, ao citarem que também viajariam de avião após o programa, além de se referirem ao seu álbum de estreia como sendo o "primeiro e último".

Outro elemento frequentemente associado às supostas previsões envolve a vidente Mãe Dináh, que afirmou ter tido pressentimentos sobre a morte dos músicos antes do acidente, o que ganhou repercussão na mídia brasileira à época. Durante participação no Domingo Legal na semana posterior ao acidente, ela levou uma cópia do Jornal da Tarde que confirmava sua suposta previsão.

Voo

O voo foi realizado pela Madri Táxi Aéreo em diversas etapas, passando por diferentes regiões do país. Os passageiros e a tripulação se mantiveram os mesmos desde o primeiro voo, que decolou em 1 de março de 1996. O acidente ocorreu no dia seguinte, 2 de março; durante esse período de 24 horas, foram realizadas três viagens: +Mapa dos voos realizados Mapa InterativoVooDescrição{ "type": "FeatureCollection", "features": [

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] }O primeiro voo foi realizado no dia 1 de março de 1996 entre o Aeroporto Hugo Cantergiani em Caxias do Sul (RS), e o Aeroporto Pedro Morganti em Piracicaba (SP). O voo transcorreu sem problemas e a tripulação descansou por uma noite.O segundo voo foi realizado no dia 2 de março de 1996 às 07h10 entre o Aeroporto Pedro Morganti em Piracicaba (SP) e o Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos em Guarulhos (SP). O voo transcorreu sem problemas e a tripulação, desde sua chegada, já planejava o seu 3.° voo.O terceiro voo foi realizado no dia 2 de março de 1996 às 15h00 entre o Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos em Guarulhos (SP) e o Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek em Brasília (DF). O voo transcorreu sem problemas além de um breve atraso não detalhado em sua decolagem.O quarto voo foi realizado no dia 2 de março de 1996 às 21h58 entre o Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek em Brasília (DF) e o Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos (SP). O voo em questão nunca chegou ao seu destino, pois acabou chocando-se com a Serra da Cantareira antes de pousar em Guarulhos.

Tripulação e passageiros O voo não alterou sua tripulação e passageiros em nenhum momento da viagem, transportando, durante os quatro voos, as seguintes pessoas:

Jorge Luiz Germano Martins, 30 anos de idade, piloto experiente, possuía horas de voo, sendo 220 horas em aeronaves Learjet; Alberto Yoshiumi Takeda, 24 anos de idade, copiloto, possuía 330 horas de voo e era certificado para pilotar neste tipo de aeronave, porém sem vasta experiência; Alecsander "Dinho" Alves Leite, 24 anos de idade, vocalista e compositor da banda Mamonas Assassinas; Samuel "Samuel Reoli" Reis de Oliveira, 22 anos de idade, baixista da banda; Sérgio "Sérgio Reoli" Reis de Oliveira, 26 anos de idade, baterista da banda; Alberto "Bento" Hinoto, 25 anos de idade, guitarrista da banda; Júlio "Julio Rasec" César Barbosa, 28 anos de idade, tecladista da banda; Isaac "Shurelambers" Souto, 28 anos de idade, secretário e assistente da banda; Sérgio "Reco" Saturnino Porto, 29 anos de idade, (vídeo mostrando a lápide de Reco com a data de nascimento) segurança da banda. Na chegada à Brasília, perto das 18 horas, os integrantes da banda aguardaram por um período antes de se deslocar para o estádio, em uma sala vip no hangar do aeroporto. Enquanto esperavam, a banda acompanhou a reprise do último capítulo da telenovela História de Amor, de Manoel Carlos, que terminou no dia anterior, 01 de março.

Acidente miniaturadaimagem|O jato executivo Learjet 25D, similar ao modelo de prefixo PT-LSD, que transportava a banda

Decolagem e cruzeiro O voo teve sua decolagem do Aeroporto Internacional Presidente Juscelino Kubitschek (BSB) em Brasília no dia 2 de março de 1996, às 21h58 (BRT). A bordo estavam os dois tripulantes e os outros sete passageiros, além do abastecimento completo da aeronave e de algumas bagagens pertencentes à banda, que, contudo, não representavam um peso significativo para a alteração da aerodinâmica da aeronave.

A maior parte do trajeto transcorreu de forma tranquila, com condições meteorológicas razoavelmente favoráveis até a aproximação com Guarulhos. Nesse ponto, o teto de voo estava estabelecido em 1.800 pés (548,64 metros), com uma visibilidade de dez quilômetros, o que complicou a aproximação da aeronave com a pista. A região da Serra da Cantareira apresenta baixa densidade demográfica, com poucas residências e, consequentemente, pouca iluminação, dificultando ainda mais uma aproximação noturna.

Aproximação e arremetida miniaturadaimagem|Plano geral do aeroporto de Guarulhos Com a aproximação complexa em Guarulhos, o voo passou a ser completamente orientado pela equipe de solo na torre de comando do Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos (GRU). Nesse contexto, foi determinado o procedimento conhecido como "Charlie 2", que consiste no pouso da aeronave por instrumentos quando a aproximação visual é considerada insegura. A aproximação por instrumentos é uma prática comum, especialmente em situações onde o pouso por aproximação visual apresenta riscos. É importante destacar que tanto o operador da torre de Guarulhos quanto o piloto Jorge Luiz eram certificados pelo Departamento de Aviação Civil para realizar esse tipo de operação.