As reações internacionais à invasão russa à Ucrânia em 2022 ocorreram depois que a Rússia iniciou uma série de ataques militares na Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, no leste ucraniano. A invasão foi amplamente condenada pela comunidade internacional e a partir de então os países da União Europeia, mais Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Japão e vários outros passaram a impor uma série de importantes sanções contra a Rússia. Uma ampla gama de outras sanções e boicotes foram estabelecidos por organismos esportivos internacionais, empresas privadas e outros setores da sociedade. Protestos populares foram organizados em numerosas cidades do mundo e também na Rűssia.
Ajuda militar
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Sob a liderança de Viktor Yanukovych, os militares ucranianos se deterioraram e foram ainda mais enfraquecidos após a queda de Yanukovych e sua sucessão por líderes de aparência ocidental. Posteriormente, vários países ocidentais (como Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha, países bálticos, Polônia, Austrália, Canadá, Turquia) e organizações (OTAN e UE) começaram a fornecer ajuda militar para reconstruir suas forças militares. Isso ajudou os militares ucranianos a melhorar sua qualidade, com o exército ucraniano alcançando sucessos notáveis contra as forças russas em Donbas. Notavelmente, as Forças Armadas Ucranianas começaram a adquirir os veículos aéreos de combate não tripulados Bayraktar TB2 da Turquia desde 2019, que foi usado pela primeira vez em outubro de 2021 para atingir uma posição de artilharia separatista russa em Donbas.
À medida que a Rússia começou a construir seus equipamentos e tropas nas fronteiras da Ucrânia, os Estados-membros da OTAN aumentaram a taxa de entrega de armas. O presidente dos EUA, Joe Biden, usou as Autoridades de Retirada Presidencial em agosto e dezembro de 2021 para fornecer 260 milhões de dólares em ajuda. Estes incluíram entregas de lançadores FGM-148 Javelin e outras armas anti-blindagem, armas pequenas de vários calibres de munição e outros equipamentos.
Após a invasão, as nações começaram a assumir novos compromissos de entrega de armas. Bélgica, República Tcheca, Estônia, França, Grécia, Países Baixos, Portugal e o Reino Unido anunciaram que enviariam suprimentos para apoiar e defender os militares e o governo ucraniano. Em 24 de fevereiro, a Polônia entregou alguns suprimentos militares à Ucrânia, incluindo 100 morteiros, várias munições e mais de 40 mil capacetes. Enquanto alguns dos 30 membros da OTAN concordaram em enviar armas, a OTAN como organização não o fez.
Em janeiro de 2022, a Alemanha descartou o envio de armas para a Ucrânia e impediu a Estônia, por meio de controles de exportação de armas fabricadas na Alemanha, de enviar ex-obuseiros D-30 da Alemanha Oriental para a Ucrânia. O governo alemão anunciou que estava enviando 5 mil capacetes e um hospital de campanha para a Ucrânia, ao que o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, respondeu ironicamente: "O que eles enviarão a seguir? Travesseiros?" Em 26 de fevereiro, em uma reversão de sua posição anterior, a Alemanha aprovou o pedido dos Países Baixos para enviar 400 granadas propelidas por foguete para a Ucrânia, bem como 500 mísseis Stinger e mil armas antitanque de seus próprios suprimentos.
thumb|esquerda|Paraquedistas do 2.º Batalhão, 503.º Regimento de Infantaria dos Estados Unidos partem da Itália para a Letônia, 24 de fevereiro de 2022. Milhares de tropas estadunidenses foram enviadas para a Europa Oriental em meio ao aumento da presença militar da Rússia
Em 27 de fevereiro, a UE concordou em comprar armas coletivamente para a Ucrânia. O chefe de política externa da UE, Josep Borrell, afirmou que compraria 450 milhões de euros (502 milhões de dólares) em assistência letal e um adicional de 50 milhões de euros (56 milhões de dólares) em suprimentos não letais. Borrell disse que os ministros da Defesa da UE ainda precisam determinar os detalhes de como comprar o material e transferi-lo para a Ucrânia, mas que a Polônia concordou em atuar como um centro de distribuição. Borrell também afirmou que pretendia fornecer à Ucrânia caças que eles já são capazes de pilotar. Estes não seriam pagos através do pacote de assistência de 450 milhões de euros. Polônia, Bulgária e Eslováquia tinham exemplares de MiG-29 e a Eslováquia também tinha o Su-25, que eram caças que a Ucrânia já voava e podiam ser transferidos sem treinamento de pilotos. Em 1º de março, Polônia, Eslováquia e Bulgária confirmaram que não forneceriam caças para a Ucrânia.
Em 26 de fevereiro, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, anunciou que havia autorizado 350 milhões de dólares em assistência militar letal, incluindo "sistemas anti-blindagem e antiaérea, armas pequenas e munições de vários calibres, coletes à prova de balas e equipamentos relacionados" A Rússia afirmou que os drones dos Estados Unidos deram inteligência à Marinha da Ucrânia para ajudar a atingir seus navios de guerra no Mar Negro, o que os EUA negaram. Em 27 de fevereiro, Portugal anunciou que enviaria fuzis automáticos H&K G3 e outros equipamentos militares. A Suécia e a Dinamarca decidiram enviar 5 mil e 2,7 mil armas antitanque, respectivamente, para a Ucrânia. A Dinamarca também forneceu peças de 300 mísseis Stinger não operacionais, que os Estados Unidos primeiro ajudariam a tornar operacionais. A Turquia também forneceu drones TB2 2.
O governo norueguês, depois de inicialmente dizer que não enviaria armas para a Ucrânia, mas enviaria outros equipamentos militares como capacetes e equipamentos de proteção, anunciou em 28 de fevereiro que também doaria até 2 mil M72 LAW armas de antitanque para a Ucrânia. Em uma mudança de política igualmente importante para um país neutro, a Finlândia anunciou que enviaria 2,5 mil fuzis de assalto junto com 150 mil cartuchos, 1,5 mil armas antitanque de tiro único e 70 mil pacotes de ração de combate, para adicionar aos coletes à prova de bala, capacetes e suprimentos médicos já anunciados.
Organizações internacionais União Europeia A 27 de fevereiro, pelo menos 11 países da União Europeia (UE) haviam fechado o seu espaço aéreo à aviação russa: Alemanha, Bulgária, Polónia, República Checa, Estónia, Letónia, Lituânia, Eslovénia, Finlândia, Dinamarca, Bélgica, Itália e França. Em resposta, a Rússia encerrou o espaço aéreo a todos os voos operados por transportadoras de países bálticos que pertencem à União Europeia (UE). Portugal anunciou igualmente o encerramento do seu espaço aéreo à Rússia. Durante a tarde, o Alto Representante para a Política Externa e de Segurança da UE, Josep Borrell, anunciou o encerramento de todo o espaço aéreo europeu à aviação civil e militar russa, incluindo jatos privados.
Na tarde do mesmo dia, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE reuniram-se por videoconferência, por proposta de Borell, aprovando por unanimidade o uso de 450 milhões de euros do Mecanismo Europeu de Apoio à Paz para reembolsar os Estados-membros pela compra de material de guerra para entregar à Ucrânia. Esta é a primeira vez na história da UE em que a organização financia a compra de armas e outros equipamentos de guerra letais. O destino do armamento são as forças de combate ucranianas, com vista a ajudar à resistência à invasão da Rússia. Borrell justificou a decisão com a gravidade do mais recente desafio de Vladimir Putin, que colocou o dispositivo nuclear russo em alerta máximo. Ursula von der Leyen anunciou ainda o encerramento do espaço aéreo da UE a todas as aeronaves russas, incluindo jatos privados, e o banimento do espaço europeu dos canais por cabo estatais russos RT e Sputnik, em resposta à desinformação e propagação de notícias falsas durante a sua cobertura do conflito na Ucrânia.
A Alemanha anunciou uma reversão histórica da sua política de não enviar armas para zonas de conflito, confirmando o envio de mil armas antitanque e 500 sistemas antiaéreos Stinger para a Ucrânia. De acordo com João Gomes Cravinho, ministro da defesa português, Portugal enviará equipamento militar como coletes, capacetes, óculos de visão noturna, granadas e munições de diferentes calibres, rádios portáteis completos, repetidores analógicos e espingardas automáticas G3. O chanceler alemão Olaf Scholz anunciou 100 bilhões de euros (113 bilhões de dólares) em novos gastos militares, afirmando: "Estamos em uma nova era". Os gastos com defesa aumentarão para pelo menos a meta de 2% do PIB esperada para os membros da OTAN até 2024.
Na tarde do mesmo dia, Volodymyr Zelensky ligou ao presidente da República português, Marcelo Rebelo de Sousa tendo reiterado “a condenação veemente de Portugal e o apoio solidário à corajosa resistência ucraniana”, assim como “o papel da excecional comunidade ucraniana em Portugal”, sendo também referida a parceria no âmbito da política europeia de vizinhança da qual a Ucrânia é parte. A conversa foi igualmente twettada por Zelensky, que confirmou o envio de armas e equipamentos de proteção individual por Portugal à Ucrânia: “Falei com o presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Agradeci-lhe pelo encerramento do espaço aérea aos aviões russos, pelo apoio à retirada da Rússia do SWIFT e pelo apoio concreto a nível da Defesa. Portugal forneceu armas, equipamentos de proteção individual, entre outros, à Ucrânia. Juntos somos mais fortes”.
Ainda a 27 de fevereiro, Ursula von der Leyen afirmou que a Ucrânia é "um dos nossos", e que é desejada enquanto membro da UE. No dia seguinte, 28 de fevereiro, Zelensky formalizou o pedido de adesão imediata da Ucrânia à União Europeia.
Aos 28 de fevereiro, a Suíça rompeu sua neutralidade histórica ao impor sanções à Rússia, isto é, ao congelar os bens russos, de modo a adotar as mesmas sanções impostas pela União Europeia. No mesmo dia, tão logo o presidente ucraniano tenha formalizado o pedido oficial para ingresso da Ucrânia na União Europeia, Estados como Bulgária, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Itália, Letônia, Lituânia, Polônia e República Tcheca endossaram o pedido ucraniano.
OTAN thumb|esquerda|A vice-primeira-ministra ucraniana Olha Stefanishyna com o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, na conferência de 10 de janeiro de 2022 sobre uma potencial invasão russa
Polônia, Romênia, Lituânia, Letônia e Estônia desencadearam consultas de segurança da OTAN sob o Artigo 4 do Tratado do Atlântico Norte. O governo estoniano emitiu uma declaração do primeiro-ministro Kaja Kallas que diz: "A agressão generalizada da Rússia é uma ameaça para o mundo inteiro e para todos os países da OTAN e as consultas da OTAN sobre o fortalecimento da segurança dos seus Aliados devem ser iniciadas para implementar medidas adicionais para garantir a defesa. A resposta mais eficaz à agressão da Rússia é a unidade." Em 24 de fevereiro, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, anunciou novos planos que "nos permitirão enviar capacidades e forças, incluindo uma Força de Resposta da OTAN, para onde forem necessárias". Após a invasão, a OTAN anunciou planos para aumentar sua presença militar nos países bálticos, na Romênia e na Polônia.
Após a reunião do Conselho de Segurança da ONU de 25 de fevereiro, Stoltenberg anunciou que partes da Força de Resposta da OTAN seriam enviadas, pela primeira vez, para membros da OTAN ao longo da fronteira oriental do blobo. Ele afirmou que as forças incluiriam elementos da Força-Tarefa Conjunta de Alta Prontidão (VJTF), atualmente liderada pela França. Stoltenberg afirmou ainda que alguns membros da OTAN estão fornecendo armas para a Ucrânia, incluindo as de defesa aérea. Os Estados Unidos anunciaram em 24 de fevereiro que enviariam 7 mil soldados para se juntar aos 5 mil soldados estadunidenses que já estão na Europa. As forças da OTAN incluem o , que entrou no Mar Mediterrâneo na semana anterior como parte de um exercício planejado. O grupo de ataque do porta-aviões foi colocado sob o comando da OTAN, a primeira vez que isso ocorreu desde o fim da Guerra Fria.