Márcio Gonçalves Bentes de Souza (Manaus, 4 de março de 1946 – Manaus, 12 de agosto de 2024) foi um escritor, jornalista, dramaturgo, editor, roteirista e romancista brasileiro.

Biografia Fez o curso primário no Grupo Escolar Princesa Isabel, cursou o ginasial e científico no Colégio Dom Bosco, em Manaus. Na sua cidade natal, ainda jovem, começou a trabalhar como crítico de cinema no jornal O Trabalhista, do qual seu pai era sócio. Em 1965 assumiu a coordenação das edições do governo do estado do Amazonas, mas, logo em seguida, deixou a cidade para estudar Ciências Sociais, de início, em Brasília, depois em São Paulo, onde ingressou Universidade de São Paulo (USP). Perseguido pela ditadura militar brasileira, interrompeu os estudos em 1969 e começou a vida profissional no cinema, como crítico, roteirista e diretor. Na dramaturgia, escreveu peças como As folias do látex e Tem piranha no pirarucu. Como roteirista, foi autor, entre outros, de Rapsódia Incoerente, Prelúdio Azul, e Manaus Fantástica.

Esteve preso em 1966 pela exibição da peça francesa A idade do ouro; em 1969 e 1972, em virtude de sua militância política. Além disso, teve censurada a sua peça Zona Franca, meu amor. Regressou a Manaus em 1972, onde passou a integrar o Teatro Experimental do Serviço Social do Comércio - Tesc/Sesc, grupo que discutia temas ligados à cultura local.

Em 1976, assumiu o cargo de diretor de planejamento da Fundação Cultural do Amazonas.

No ano de 1990, exerceu o cargo de diretor do Departamento Nacional do Livro e foi também presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte) entre 1995 e 2003, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Ocupou ainda a presidência do Conselho Municipal de Política Cultural da cidade de Manaus.

Em 1997, LealdadeMESQUITA, Maria Cláudia de.; CARLOS, Ana Maria. "A intertextualidade em Lealdade de Marcio Souza". XI Congresso da Abralic. - pdf recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos no gênero ficção.

Foi professor assistente na Universidade de Berkeley e escritor residente nas universidades de Stanford, Austin e Dartmouth. Como palestrante foi convidado pela Sorbonne, Heldelberg, Coimbra, Universidade Livre de Berlin, Universidade Harvard e Santiago de Compostela. Foi acadêmico titular da Academia Amazonense de Letras, na cadeira nº 25, eleito em 11 de setembro de 2004 e recebido em 25 de outubro do mesmo ano.

Carreira artística O seu primeiro livro, uma obra de crítica cinematográfica, data de 1967, O mostrador de sombras. Em 1970, dirigiu o filme A Selva, baseado no romance do escrito português Ferreira de Castro. Trata-se de um drama, produzido pela L.M. Produções Cinematográficas Ltda, com locações em Manaus.

Com a obra Galvez - Imperador do Acre,todasasmusas.org - pdf iniciou sua carreira literária, em 1976. A obra não foi teria sido bem aceita pelas autoridades da região que a consideraram um desrespeito à História oficial, não observando, porém, que, na nota introdutória, o seu autor alertava para a ficcionalidade da narrativa: " (...) o livro despertou forte reação adversa nos meios oficiais amazonenses, que viram nessa narrativa uma forma injusta de revelar a narrativa".DIMAS, Antonio. Literatura comentada. Márcio Souza. São Paulo: Abril Educação, 1982.

Escreveu diversas obras inseridas no ambiente sociocultural da Amazônia, tais como Mad Maria, Plácido de Castro contra o Bolivian Syndicate, Zona Franca, meu amor e Silvino Santos: o cineasta do ciclo da borracha, entre outras. Entre 1981 e 1982, publicou em folhetins, no jornal Folha de S.Paulo, o romance A Resistível Ascensão do Boto Tucuxi. Mad Maria foi adaptada como minissérie e exibida em rede nacional de televisão, fato que popularizou a obra do autor.

O autor, em entrevista, reconheceu a influência de Machado de Assis em sua ficção, especialmente a ironia que pontua as suas obras, assim como aponta a fragmentação trazida pelo Modernismo como um ponto marcante, ainda que admita certa linearidade narrativa em suas histórias. "O humor (...) incrustado mimeticamente na linguagem, me veio primeiro a partir do sarcasmo machadiano".CADERNOS DE LITERATURA BRASILEIRA. Marcio Souza. Instituto Moreira Salles, 2005.

Destacou-se também como cineasta e ensaísta (A selva; A expressão amazonense do neolítico à sociedade de consumo). Mais recentemente, tem se dedicado a uma teatrologia sobre os anos em que a antiga Província do Grão-Pará, que fora durante todo o período colonial um estado separado, atravessou a séria crise de sua anexação ao Brasil e de revoltas contra o poder do Rio de Janeiro e/ou contra a desigualdade social, de que padeciam sobretudo os negros e os indígenas.OLIVEIRA, Jeciane de Paula. "Tecendo a palavra: A constituição de si e a perspectivação do espaço-tempo em Crônicas do Grão-Pará e Rio Negro, de Márcio Souza". 2018, 201p. Tese (Doutorado em Estudos Literários). Universidade Estadual do Mato Grosso, 2018.

A sua experiência com o cinema e a censura política parece ter rendido o romance Operação silêncio, em que o protagonista Paulo Conti tenciona realizar um filme sobre a violência - política - entre os colonizadores, como forma de denúncia, mas se valendo do financiamento do governo nacional para os custos de sua produção. "O romance discute ainda a relação entre a arte, sobretudo o cinema, e a revolução, o papel social do escritor e do cineasta no auge do regime militar e a necessidade de diminuir a distância entre o artista e sua época".VIEIRA, André Soares. "Operações estéticas e políticas em Marcio Souza". Scripta Uniandrade.

Morte Márcio sofria de diabetes e morreu de infarto na manhã de 12 de agosto de 2024, aos 78 anos.

Obras Literatura Mostrador de Sombras, UBE/Amazonas e Editora Sérgio Cardoso. 1969 Galvez – Imperador do Acre, Edições Governo do Estado do Amazonas. 1976 A Expressão Amazonense, Editora Alfa-ômega, São Paulo. 1977 Operação Silêncio, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro. 1978 Teatro Indígena do Amazonas, Editora Codecri, Rio de Janeiro. 1979 Feira Brasileira de Opinião, Editora Global, São Paulo. 1979 Malditos Escritores, Movimento, São Paulo. 1979 Mad Maria, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro. 1980 Tem Piranha no Pacu, Editora Codecri, Rio de Janeiro. 1980 A Resistível Ascensão do Boto Tucuxi, Editora Marco Zero, Rio de Janeiro. 1982 A Ordem do Dia, Editora Marco Zero, Rio de Janeiro. 1983 O Palco Verde, Editora Marco Zero, São Paulo. 1983 A Condolência, Editora Marco Zero, São Paulo. 1984 O Brasileiro Voador, Editora Marco Zero, São Paulo. 1985 O Empate Contra Chico Mendes, Editora Marco Zero, São Paulo. 1986 O Fim do Terceiro Mundo, Editora Marco Zero, São Paulo;1989 Breve História da Amazônia, Editora Marco Zero, São Paulo. 1992 A Caligrafia de Deus, Editora Marco Zero, São Paulo. 1993 Anavilhanas, o Jardim do Rio Negro Editora Agir, Rio de Janeiro. 1996 Lealdade, Editora Marco Zero, São Paulo. 1997 Teatro Completo – Volumes I, II e III, Editora Marco Zero, São Paulo. 1997 Um Olhar sobre a Cultura Brasileira, com Francisco Weffort. Edição do Ministério da Cultura, Brasília. 1998 Silvino Santos, o cineasta do ciclo da borracha, Edições Funarte, Rio de Janeiro. 1996 Parque do Jaú, Editora Agir, Rio de Janeiro. 2000 Fascínio e Repulsa, Edições do Fundo Nacional de Cultura, Rio de Janeiro. 2000 Entre Moisés e Macunaíma, com Moacyr Scliar, Editora Garamond, Rio de Janeiro. 2000 Desordem, Editora Record Rio de Janeiro. 2001 Pico da Neblina, Editora Agir, Rio de Janeiro. 2001 Breve História da Amazônia, Editora Agir, Rio de Janeiro. 2001 Políticas Culturais Brasileiras, Editora Manole, São Paulo. 2002 A Expressão Amazonense, edição revista, Editora Valer, Manaus. 2002 Galvez, Imperador do Acre, versão em quadrinhos. Secult-Pará, Belém. 2004 A paixão de Ajuricaba, Editora Valer, 2005 Ajuricaba, o Caudilho das Selvas, Editora Callis, 2006 O Nascimento do Rio Amazonas, Editora Lazuli, 2006 História da Amazônia, Editora Valer, 2009 A Substância das Sombras, Cinema Arte do Nosso Tempo, Editora Valer, 2010 Amazônia Indígena, Editora Record, 2015

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