O Cerco de Jerusalém (589–587 a.C.) culminou na destruição de Jerusalém em 586 a.C., um evento significativo na história judaica.COOGAN, Michael D. (ed.). The Oxford History of the Biblical World. Oxford: Oxford University Press, 1998. A cidade de Jerusalém, que era a capital do Reino de Judá, foi completamente arrasada pelos babilônios liderados pelo rei Nabucodonosor II, resultando na queda do reino e no exílio do povo judeu.FREEDMAN, David Noel (ed.). The Anchor Bible Dictionary. New York: Doubleday, 1992.

Antecedentes históricos miniaturadaimagem|Tabuleta de argila. A inscrição cuneiforme acádia lista certas rações e menciona o nome de Jeconias (Jeoaquim), rei de Judá, e o cativeiro babilônico. Proveniente da Babilônia, Iraque. C. 580 a.C. Museu do Oriente Médio, Berlim A história de Jerusalém remonta ao tempo de Davi, que conquistou a cidade dos jebuseus e a tornou a capital do seu reino unificado. A cidade era um importante centro religioso para os judeus, com o Templo de Salomão, construído no século X a.C., sendo o local sagrado mais importante do judaísmo.

No século VII a.C., o Reino de Judá foi subjugado pelos assírios, mas sobreviveu como um estado tributário.BOARDMAN, John et al. (ed.). The Cambridge Ancient History, vol. III, parte 2: The Assyrian and Babylonian Empires and Other States of the Near East, from the Eighth to the Sixth Centuries BC. Cambridge: Cambridge University Press, 1992. No final do século VI a.C., o Império Babilônico emergiu como uma potência regional e iniciou uma campanha para expandir seu território.

Em 597 a.C., Nabucodonosor II cercou Jerusalém pela primeira vez e forçou o rei Jeconias a render-se.PARKER, R. A.; DUBBERSTEIN, W. H. Babylonian Chronology, 626 B.C.–A.D. 75. Providence: Brown University Press, 1956. O rei foi levado cativo para a Babilônia junto com a elite do reino, incluindo sacerdotes e artesãos.

Contudo, Judá continuou a resistir e a desafiar a autoridade babilônica. Em 589 a.C., Nabucodonosor II iniciou um segundo cerco a Jerusalém que duraria até 587/586 a.C.GRABBE, Lester L. "Jerusalem Destroyed, 586 B.C.E." In: European Seminar in Historical Methodology, 2003. Desta vez, a cidade foi completamente destruída e o Templo de Salomão foi incendiado. O Livro das Lamentações descreve com profundo luto a destruição de Jerusalém e do Templo.

O cerco

Duração e estratégia

O exército babilônico liderado por Nabucodonosor II sitiou Jerusalém e impôs um bloqueio que durou cerca de dezoito meses antes de conquistar e destruir a cidade. Os babilônios eram reconhecidos na Antiguidade como um povo extremamente habilidoso em guerras de cerco, tendo conquistado e destruído outras cidades importantes na região.

Armamento e técnicas de guerra

Os babilônios utilizaram diversas táticas militares para enfraquecer a cidade e os seus defensores:

Aríetes miniatura|direita|Relevo assírio representando um aríete em operação durante um cerco, século IX a.C. (Museu Britânico). Uma das principais táticas era o uso de aríetes para romper as muralhas da cidade. Os aríetes eram grandes estruturas de madeira com pontas de ferro utilizadas para golpear as muralhas repetidamente até derrubá-las. Os babilônios empregavam aríetes de vários tamanhos, desde versões portáteis até grandes estruturas montadas em torres móveis.

Torres de cerco miniatura|esquerda|Ilustração de uma torre de cerco assíria com aríete acoplado, conforme descrito em fontes antigas. Para superar as muralhas, os babilônios também construíram torres de cerco montadas sobre rodas. Essas torres elevavam os soldados ao nível das muralhas, permitindo o combate direto com os defensores.

Fundíbulas miniatura|direita|Diagrama de uma fundíbula (tipo onagro), máquina de arremesso utilizada em cercos da Antiguidade. Os babilônios utilizavam ainda fundíbulas — dispositivos de arremesso semelhantes a catapultas — para lançar pedras e outros projéteis contra os defensores posicionados nas muralhas.

Bloqueio e cerco Além das táticas ofensivas, os babilônios impuseram um rigoroso bloqueio militar para impedir a entrada de suprimentos na cidade. Foram construídas fortificações ao redor de Jerusalém e organizadas patrulhas para interceptar caravanas. Como resultado, a cidade enfrentou grave escassez de alimentos e água durante o cerco.

Espionagem Os babilônios também recorreram à espionagem para obter informações sobre as defesas da cidade e as condições dos seus habitantes, auxiliando o planejamento das operações militares.

Consequências

A queda de Jerusalém marcou o fim do Reino de Judá e o início do exílio babilônico. Grande parte da população foi deportada para a Babilônia, onde viveu por décadas. As evidências históricas da destruição de Jerusalém são amplas, incluindo registros babilônicos e inscrições que descrevem a conquista da cidade.

Apesar da tragédia, o período do exílio deu início a uma profunda renovação espiritual entre os judeus, com a criação das sinagogas e o surgimento do judaísmo rabínico. Descobertas arqueológicas realizadas em Jerusalém, incluindo ruínas associadas ao período do Primeiro Templo, testemunham a grandeza da cidade antes da sua destruição.

Notas

Bibliografia

BOARDMAN, John et al. (ed.). The Cambridge Ancient History, vol. III, parte 2. Cambridge: Cambridge University Press, 1992. COOGAN, Michael D. (ed.). The Oxford History of the Biblical World. Oxford: Oxford University Press, 1998. FREEDMAN, David Noel (ed.). The Anchor Bible Dictionary. New York: Doubleday, 1992. GRABBE, Lester L. "Jerusalem Destroyed, 586 B.C.E." In: European Seminar in Historical Methodology, 2003. PARKER, R. A.; DUBBERSTEIN, W. H. Babylonian Chronology, 626 B.C.–A.D. 75. Providence: Brown University Press, 1956. A Bíblia Sagrada. Várias edições em português, incluindo a Bíblia de Jerusalém, a Nova Versão Internacional e a Edição Pastoral.

Ver também

Destruição de Jerusalém Exílio babilônico Nabucodonosor II Templo de Salomão Reino de Judá

Categoria:Cercos de Jerusalém Categoria:Batalhas do século VI a.C. Categoria:Batalhas envolvendo a Babilônia Categoria:Nabucodonosor II Categoria:Templo de Salomão Categoria:Reino de Judá Categoria:História de Israel e Judá antigos Categoria:Batalhas do Antigo Testamento