direita|thumb|esquerda|200px|Rigueveda Rigueveda ou Rigue Veda (em sânscrito: ऋग्वेद, transl. ṛgveda, de ṛc, 'louvor', 'brilho', e veda, 'conhecimento'), também chamado Livro dos Hinos,Langlois, Alexandre. Rig-Véda, ou Livre des hymnes, Maisonneuve et Cie., 1870, 646 p., reeditado pela Librairie d'Amérique et d'Orient Jean Maisonneuve, Paris, 1984 é uma antiga coleção indiana de hinos em sânscrito védico o Primeiro Veda e é o mais importante veda, pois todos os outros derivaram dele. Rigueveda é o Veda mais antigo e, ao mesmo tempo, o documento mais antigo da literatura hindu, composto de hinos, rituais e oferendas às divindades. Possui 1.028 hinos, sendo que a maioria se refere a oferendas de sacrifícios, algumas sem relação com o culto. Independentemente do valor interno, o Primeiro Veda é valiosíssimo pela antiguidade.
Passagens geográficas e etnológicas no Rigueveda são uma evidência de que a obra foi escrita em Punjabe (Sapta Sindhu), por volta de –, durante o período védico, o que o torna um dos mais antigos textos escritos em qualquer das línguas indo-europeias e um dos textos religiosos mais antigos do mundo.
Texto
O RiguevedaO termo Veda é tradicionalmente aplicado aos textos associados com o samita - como Brâmanas ou Upanixades. No inglês, o termo Rigueveda é geralmente aplicado apenas ao Rigueveda samita, e textos como o Aitareia-Brâmana não são considerados "parte do Rigueveda" mas "associados com o Rigueveda", na tradição de um certo shakha. consiste de 1.028 hinos (ou 1.017, sem contar os hinos apócrifos valakhīlya 8.49–8.59) compostos em sânscrito védico, muitos dos quais são destinados a vários rituais de sacrifício. Essa longa coleção de hinos curtos é dedicada principalmente a louvar aos deuses. É organizada em 10 livros, conhecidos como Mandalas. Cada mandala é constituído de hinos, chamados de sūkta, que são compostos por versos individuais chamados ṛc (plural: ṛcas). Os Mandalas não têm tamanho e idade iguais: os "livros familiares", mandalas 2-7, são considerados a parte mais antiga e são os livros mais curtos, arrumados por tamanho, contando 38% do texto. RV 8 e RV 9, igualmente formados de hinos de diferentes idades, contam 15% e 9%, respectivamente. Finalmente, RV 1 e RV 10 são os mais recentes e longos livros, contando 37% do texto.
As mais antigas passagens do Rigueveda referem-se aos três deuses védicos (Indra, Mitra e Varuna) e recordam a luta épica dos arianos védicos com os habitantes originais, chamados de "Dasya" ou "Dasyu". Hinos védicos impõem tabus nas tribos védicas de venturar para o sul à terra dos dasyas e tem diferenças contraditórias aos "Krishna-yoni-dasyas". Literatura gangética tardia que consiste nos Puranas também descreve uma guerra entre o deus védico Indra e o deus local Krishna.
Preservação O Rigueveda é preservado por dois principais shakhas ("troncos", escolas), Śākala e Bāṣkala. Considerando sua longa idade, o texto está espetacularmente bem preservado e não-corrompido, com as duas revisões praticamente idênticas, então edições escolares podem ser feitas sem aparato crítico. Associado ao Śākala está o Aitareia-Brâmana. O Bāṣkala inclui o Khilani e tem o Causitaqui-Brâmana associado a ele.
Esta compilação incluía a arrumação em livros e também mudanças ortoépicas, como a regularização do sândi (chamado por Oldenberg de orthoepische Diaskeuase). Teve lugar séculos após a composição dos hinos mais antigos, quase co-eval à redação dos outros Vedas.
Do tempo de sua redação, o texto tem sido dividido em duas versões: O Samitapata tem todas as regras sânscritas de sândi aplicadas e é o texto usado para recitação. O Padapatha tem cada palavra isolada na sua forma sozinha e é usado para memorização.
Organização O esquema de numeração mais comum é por livro, hino e verso (e pada (pé) a, b, c ..., se requerido). Ex. O primeiro pada é *1.1.1a agním īḷe puróhitaṃ "A Agni eu louvo, o sumo-sacerdote" e o pada final é 10.191.4d yáthā vaḥ súsahā́sati "para que tenhais boa companhia"
Hermann Grassmann numerou os hinos de 1 até 1028, colocando o valakhilya no final. Os 1028 hinos inteiros do Rigueveda, na edição de 1877 do Aufrecht, contêm um total de 10.552 verses, ou 39.831 padas. O Xatapata Brâmana dá o número de sílabas como 432.000,igual a 40 vezes 10,800, o número de tijolos usado para o uttaravedi: o número é motivado numerologicamente e não baseado na verdadeira contagem de sílabas. enquanto o texto métrico de van Nooten e Holland (1994) tem um total de 395,563 sílabas (ou uma média de 9,93 sílabas por pada); contar o número de sílabas não é tão fácil, por causa do sândi. A maioria dos versos são jagati (padas de 12 sílabas), trishtubh (padas de 11 sílabas), viraj (padas de 10 sílabas) ou gayatri ou anushtubh (padas de 8 sílabas).
Conteúdo Veja também: Deidades rigvédicas Os deuses chefes do Rigueveda são Agni, o fogo sacrificial, Indra, um deus heroico que é louvado por ter matado seu inimigo Vrtra, e Soma, a poção sagrada, ou a planta da qual é feita. Outros deuses proeminentes são Mitra (amigo ou aliado), Varuna (vento) e Ushas (o amanhecer) e os Asvins. Também invocados são Savitar, Vixenu, Rudra, Puxa, Brihaspati, Bramanaspati, Diaus Pita (o céu), Prithivi (a terra), Surya (o sol), Vayu (o vento), Apas (as águas), Parjanya (a chuva), Vac (o mundo), os Maruts, os Aditias, os Rbhus, os Vishvadevas (os todos-deuses), muitos rios (notavelmente Sapta Sindhu, e o Rio Sarasvati), como também vários outros deuses menores, pessoas, conceitos, fenômenos e itens. Também contém referências fragmentárias a possíveis eventos históricos, notavelmente a luta entre o antigo povo védico (conhecido como arianos védicos, um subgrupo dos Indo-Arianos) e seus inimigos, os Dasa.
thumb|300px|Manuscrito do Rigueveda em Devanagari, Mandala 1 engloba 191 hinos. O hino 1.1 é dirigido ao Agni, e seu nome é a primeira palavra do Rigueveda. Os hinos restantes dirigem-se principalmente ao Agni e ao Indra. Os hinos 1.154 a 1.156 se dirigem ao Víxenu. Mandala 2 engloba 43 hinos, principalmente ao Agni e ao Indra. É principalmente atribuído ao Rishi gṛtsamda śaunohotra. Mandala 3 engloba 62 hinos, principalmente ao Agni e ao Indra. o verso 3.62.10 tem grande importância no Hinduísmo como o Gayatri Mantra. A maioria dos hinos neste livro é atribuída ao viśvāmitra gāthinaḥ. Mandala 4 consiste em 58 hinos, principalmente para o Agni e o Indra. A maioria dos hinos deste livro é atribuída a vāmadeva gautama. Mandala 5 engloba 87 hinos, principalmente ao Agni e ao Indra, os Visvadevas (deuses do mundo), os Maruts, a deidade-gêmea Mitra-Varuna e os Asvins. Dois hinos cada são dedicados aos Ushas (o amanhecer) e ao Savitar. A maioria dos hinos neste livro é atribuída à família atri. Mandala 6 engloba 75 hinos, principalmente ao Agni e ao Indra. A maioria dos hinos neste livro é atribuída à família bārhaspatya de Angirasas. Mandala 7 engloba 104 hinos, ao Agni, Indra, os Visvadevas, os Maruts, Mitra-Varuna, os Asvins, Ushas, Indra-Varuna, Varuna, Vayu (o vento), dois cada a Sarasvati (antigo rio/deusa do aprender) e Víxenu, e a outros. A maioria dos hinos neste livro é atribuída a vasiṣṭha maitravaurṇi. Mandala 8 engloba 103 hinos a deuses diferentes. Os hinos 8.49 a 8.59 são os valakhīlya apócrifos. A maioria dos hinos neste livro é atribuída à família kāṇva. Mandala 9 engloba 114 hinos, inteiramente dedicados ao Soma Pavamana, a planta da poção sagrada da religião védica. Mandala 10 engloba 191 hinos, ao Agni e outros deuses. Contém o Nadistuti sukta que louva rios e é importante para a reconstrução da geografia da civilização védica e o Purusha sukta que tem significado na tradição hindu. Também contém o Nasadiya sukta (10.129), provavelmente os mais celebrados hinos no oeste, que lidam com a criação.
Rishis Cada hino do Rigueveda é tradicionalmente atribuído a um rishi específico, e os "livros familiares" (2-7) são ditos de terem sido escritos por uma família de rishis cada. As famílias principais, listadas por número de versos atribuídos a eles são: Angirasas: 3619 (especialmente Mandala 6) Kanvas: 1315 (especialmente Mandala 8) Vasishthas: 1267 (Mandala 7) Vaishvamitras: 983 (Mandala 3) Atris: 885 (Mandala 5) Bhrgus: 473 Kashyapas: 415 (parte do Mandala 9) Grtsamadas: 401 (Mandala 2) Agastyas: 316 Bharatas: 170
Traduções O Rigueveda foi traduzido ao inglês por Horace Hayman Wilson, em 1850-88Wilson, H. H. Ṛig-Veda-Sanhitā: A Collection of Ancient Hindu Hymns, 6 vols. Londres, 1850–88; reimpressão: Cosmo Publications, 1977 e por Ralph T.H. Griffith em 1896. Traduções parciais ao inglês por Maurice Bloomfield e William Dwight Whitney existem. A tradução de Griffith é boa, considerando a sua idade, mas não substitui a tradução de Geldner de 1951 (em alemão), a única tradução escolar independente até agora. As traduções posteriores por Elizarenkova dependem muito de Geldner, mas a tradução de Elizarenkova (em russo) tem valor levando em conta literatura escolar até 1990. Há uma versão completa em português (veja abaixo em Ligações Externas). Traduzir o Rigueveda é uma tarefa extremamente difícil, pela existência de diversos níveis diferentes de interpretação dessa obra.MARTINS, Roberto de Andrade. As dificuldades de estudo do pensamento dos Vedas. Pp. 113-183, in: FERREIRA, Mário; GNERRE, Maria Lucia Abaurre; POSSEBON, Fabricio (orgs.). Antologia Védica. Edição bilíngue: sânscrito e português. João Pessoa: Editora Universitária UFPB, 2011.
Tradição hindu De acordo com a tradição indiana, os hinos rigvédicos foram colecionados por Paila na orientação de Vyasa, que formou o Rigueveda Samita como conhecemos. De acordo com o Xatapata Brâmana, o número de sílabas do Rigueveda é 432.000, que é igual ao número de muhurtas (1 dia = 30 muhurtas) em quarenta anos. Essa afirmação acentua a filosofia subjacente dos livros védicos de que existe uma ligação (bandu) entre o astronômico, o fisiológico, e o espiritual.
Os autores da literatura Brâmana descreveram e interpretaram o ritual rigvédico. Yaska foi um comentarista do Rigueveda. No , Sāyana escreveu um comentário exaustivo sobre isso. Outros Bhāṣyas (comentários) que têm sido preservados até os tempos presentes são aqueles por Mādhava, Skaṃdasvāmin e Veṃkatamādhava.
Datação e reconstrução histórica thumb|320px|Geografia do Rigueveda, com nomes de rios; a extensão das culturas Swat e Cemetery H também é indicada.
O Rigueveda é de longe mais arcaico que qualquer outro texto indo-ariano. Por essa razão, foi o centro de atenção da sabedoria ocidental dos tempos de Max Müller. O Rigueveda registra um estágio prematuro da religião védica, ainda bem ligado à religião pré-zoroastriana persa. Acha-se que o Zoroastrianismo e o Hinduísmo védico evoluíram de uma cultura religiosa comum indo-iraniana mais antiga.