Ratonhnhaké:ton (), comumente conhecido pelo seu nome adotivo Connor, é um personagem fictício da série de jogos eletrônicos Assassin's Creed. Um Mestre Assassino meio-britânico e meio-mohawk que atua como personagem central nos jogos ambientados na época da Revolução Americana, ele faz sua primeira aparição como protagonista principal de Assassin's Creed III (2012), no qual é interpretado pelo ator nativo americano Noah Watts através de captura de movimento, e dublado por Jamie Mayers quando criança. Ele também faz uma pequena aparição no jogo interligado Assassin's Creed III: Liberation. O personagem apareceu posteriormente em várias mídias derivadas (spin-offs) da franquia.

Dentro da ambientação histórica alternativa da série, Ratonhnhaké:ton nasceu em 1756 como o filho ilegítimo de Haytham Kenway, um nobre britânico e líder do rito norte-americano da Ordem dos Templários, após um breve relacionamento com Kaniehtí:io, uma mulher Kanien'kehá:ka da vila de Kanatahséton. Depois de testemunhar a morte de sua mãe em um ataque à sua tribo durante a juventude, Ratonhnhaké:ton jura vingança contra os Templários, aos quais responsabiliza pelo ocorrido, e eventualmente se junta à organização rival deles, a Irmandade dos Assassinos (inspirada na Ordem dos Assassinos da vida real), que havia sido quase exterminada pelos Templários anos antes. O único membro sobrevivente da Irmandade Colonial, Achilles Davenport, treina Ratonhnhaké:ton com relutância e lhe dá o nome de "Connor" — nome do falecido filho de Achilles — para ajudá-lo a se misturar à sociedade colonial. Passando anos lutando contra os Templários e reconstruindo a Irmandade Colonial, Connor torna-se uma figura central na Revolução Americana ao ajudar a causa dos Patriotas com o objetivo de proteger as terras de seu povo contra incursões e impedir que os Templários assumam o controle dos recém-formados Estados Unidos.

O personagem recebeu uma recepção crítica mista, atraindo comparações desfavoráveis com seu pai, Haytham, e com os protagonistas anteriores da série. Enquanto muitos críticos consideraram Connor um protagonista sem graça e pouco carismático devido à sua natureza impulsiva e à percebida falta de crescimento ao longo da narrativa de Assassin's Creed III, comentários mais positivos focaram em sua caracterização cheia de nuances e em seu status distinto como um protagonista indígena na indústria de jogos eletrônicos.

Criação e desenvolvimento esquerda|miniatura|216x216px|Estátua em tamanho real de Connor no Musée de la civilisation na Cidade de Quebec, Canadá. Connor foi conceitualizado como um indivíduo com herança mista mohawk para preencher o papel de um forasteiro na ambientação da Revolução Americana em Assassin's Creed III. No desenvolvimento de Connor e de outros personagens mohawks do jogo, a equipe trabalhou em parceria com a comunidade de Kahnawà:ke, perto de Montreal, contatando alguns residentes para ajudar a traduzir os diálogos em mohawk e contratando um consultor cultural do Centro Cultural e de Idiomas Kanien'kehá:ka Onkwawén:na Raotitióhkwa, que garantiu a autenticidade dos personagens e evitou estereótipos. Apesar da extensa pesquisa sobre a cultura e o idioma mohawk, a equipe não queria que Connor fosse definido apenas por sua herança. Alex Hutchinson, o diretor criativo de Assassin's Creed III, declarou em uma entrevista de 2012: “Acho que foi isso que atraiu muitos dos grupos para trabalhar conosco. Tínhamos essa ideia de que teríamos apenas um personagem, ele é um personagem real, faz parte de uma história de 30 horas, e você acompanha toda a vida dele — e ele também é nativo americano [...] Não é um recorte de papelão.” A Ubisoft trabalhou com dois membros importantes dos Kanien'kehá:ka: Akwiratékha Martin, professor do idioma Kanien'kéha, e Teiowí:sonte Thomas Deer, coordenador cultural mohawk, durante o desenvolvimento do personagem.

Interpretação Connor é dublado em inglês por Noah Watts, que também interpretou fisicamente o personagem em um estúdio de captura de movimentos. Watts inicialmente recebeu uma ligação de seu agente sobre um filme sem título ambientado durante a Revolução Americana e, ansioso para estrelar um filme de época, foi à audição, sem saber que na verdade se tratava de Assassin's Creed III. Ele começou seu trabalho com a Ubisoft em janeiro de 2012. Apesar de sua herança nativa americana, Watts não é fluente na língua mohawk, sendo membro da Nação Blackfeet, e precisou de um consultor de idiomas para ajudá-lo a pronunciar corretamente as falas de Connor. Watts, um fã da série Assassin's Creed, gostou de seu tempo atuando e realizando a captura de performance para o jogo, e apreciou a oportunidade de interpretar um personagem nativo em uma plataforma de tamanho alcance global.

Watts explicou que baseou sua interpretação de Connor no trabalho do ator cherokee Wes Studi no filme O Último dos Moicanos (1992), particularmente em seu estilo de entrega pragmático. Ele também optou por enfatizar que o inglês é a segunda língua do personagem, evitando propositalmente o uso de contrações (como *can't* ou *don't*) no início da história, implementando-as apenas mais perto do final para mostrar como o vocabulário de Connor melhorou e se desenvolveu com o tempo.

Aparições Assassin's Creed III Connor é um ancestral (pelo lado paterno) de Desmond Miles, o protagonista da maioria das sequências modernas dos primeiros jogos, que vivencia a vida de Connor através do Animus, um dispositivo que desbloqueia memórias escondidas no DNA. Como mostrado em Assassin's Creed III, Connor nasceu como Ratonhnhaké:ton em 1756, filho de Kaniehtí:io, uma mulher Kanien'kehá:ka da vila de Kanatahséton, após seu breve relacionamento com Haytham Kenway, o Grão-Mestre do Rito Colonial da Ordem dos Templários. Em 1760, Ratonhnhaké:ton testemunha a morte de sua mãe num ataque à sua vila, que ele supõe ter sido perpetrado pelo Templário Charles Lee, que ele havia encontrado pouco tempo antes. Anos depois, Ratonhnhaké:ton, já adolescente, recebe uma Esfera de Cristal da anciã da vila, que permite que Juno, uma integrante da Primeira Civilização, comunique-se com ele. Juno afirma que Ratonhnhaké:ton deve se juntar aos Assassinos para salvar sua vila da destruição e o direciona à propriedade de Achilles Davenport, o Mentor aposentado da Irmandade Colonial. Achilles, desiludido com a causa dos Assassinos após o colapso de sua Irmandade, relutantemente treina Ratonhnhaké:ton e o renomeia de Connor (em homenagem ao seu falecido filho, Connor Davenport) para ajudá-lo a se misturar na sociedade colonial.

Ao descobrir que os Templários estão tentando influenciar o resultado da Revolução Americana, Connor parte para impedi-los. No processo, ele se envolve na Guerra Revolucionária, ajudando os Patriotas na esperança de que eles, em troca, protejam as terras de seu povo. Durante esse tempo, ele também reconstrói lentamente a Irmandade Colonial recrutando novos iniciados; transforma a propriedade de Achilles em uma pequena comunidade ao persuadir vários colonos afetados pela guerra a se mudarem para lá; e reforma um brigue dos Assassinos fora de serviço, o Aquila, tornando-se seu capitão.

Eventualmente, Connor cruza o caminho de seu pai, Haytham, enquanto ambos caçam um Templário desonesto, Benjamin Church, e os dois formam uma aliança incômoda. Conforme passa um tempo com seu pai, Connor passa a entender que os objetivos dos Assassinos e dos Templários não são tão diferentes e considera a possibilidade de unir as duas ordens. No entanto, a confiança de Connor em Haytham é destruída quando este último revela que George Washington foi o verdadeiro responsável pela morte de Kaniehtí:io, em uma tentativa mal disfarçada de colocá-lo contra Washington. Cortando furiosamente os laços com Haytham e Washington, Connor retorna à sua vila, apenas para descobrir que seu povo foi manipulado por Charles Lee para ficar do lado dos Lealistas.

Enquanto planeja assassinar Lee, Connor é confrontado por Haytham e acaba sendo forçado a matar o próprio pai no combate. Durante este tempo, Achilles falece de velhice, deixando Connor para sucedê-lo como líder dos Assassinos Coloniais. Em 1782, Connor finalmente encontra e mata Lee, recuperando um amuleto Pedaço do Éden, que ele mais tarde enterra conforme as instruções de Juno. Ao descobrir que a sua vila havia sido abandonada, Connor descobre que as terras foram vendidas pelo recém-formado governo dos Estados Unidos para cobrir suas dívidas de guerra, e percebe que falhou em proteger seu povo. Ele conclui sua jornada concordando com Haytham que o mundo pode ser egoísta e cruel; no entanto, ele se recusa a renunciar à sua luta por um futuro melhor, acreditando que as coisas podem melhorar, mesmo que não seja durante a sua vida.

No pacote de expansão Assassin's Creed III: A Tirania do Rei Washington (The Tyranny of King Washington), ambientado após os eventos do jogo base, George Washington visita Connor para discutir sobre uma Maçã do Éden que adquiriu, e que o tem assombrado com pesadelos de uma linha do tempo alternativa onde ele governa os Estados Unidos como um rei tirano. Connor é transportado para essa realidade após tocar na Maçã, descobrindo que, nesta linha do tempo, sua mãe não foi morta em sua juventude e, como resultado, ele nunca se tornou um Assassino. Connor subsequentemente se junta a uma rebelião contra o regime do Rei Washington e, apesar de perder a maioria de seus aliados ao longo do caminho, ele é capaz de derrotar Washington e tomar posse de sua Maçã, o que o transporta de volta à sua linha do tempo original. Lá, um Washington aterrorizado pede a Connor que descarte a Maçã, o que ele faz em seguida, jogando-a no fundo do oceano.

Outras aparições Connor faz uma pequena aparição no jogo derivado Assassin's Creed III: Liberation, que ocorre paralelamente aos eventos de Assassin's Creed III. Ao vincular os dois jogos originais, os jogadores poderiam desbloquear uma missão exclusiva em Liberation com a participação dele; a missão em si foi mais tarde incluída nas versões remasterizadas subsequentes de Liberation. Ele também tem um pequeno papel, apenas de voz, no pacote de expansão focado em Aveline para o título de 2013, Assassin's Creed IV: Black Flag. Nas seções modernas de Black Flag, uma análise de mercado para a Abstergo Entertainment, a subsidiária fictícia de jogos da Abstergo Industries, pode ser encontrada ao hackear os computadores do prédio. A análise de mercado revela que a Abstergo avaliou a possibilidade de usar Connor como protagonista de um projeto futuro, mas acabou decidindo contra isso por achá-lo muito "estoico" e pensar que o grande público não estaria interessado em aprender sobre a cultura mohawk. Apesar disso, em Assassin's Creed Unity, a Abstergo produziu de fato um jogo eletrônico fictício estrelado por Connor, intitulado Washington and the Wolf (Washington e o Lobo), que pode ser visto logo no menu inicial.

Como outros protagonistas da série, o traje de Connor foi disponibilizado como opção cosmética desbloqueável em vários lançamentos subsequentes. Em 2022, ele foi adicionado como personagem jogável no jogo para celular gratuito de RPG Assassin's Creed Rebellion. Ele também aparece como um dos três personagens jogáveis no jogo de realidade virtual de 2023, Assassin's Creed Nexus VR. Seu arco de história é ambientado em 1776, durante os eventos de Assassin's Creed III, e acompanha Connor após ser contatado por Achilles para resgatar um membro dos Filhos da Liberdade (Sons of Liberty) preso em Boston.