Corpo Santo é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Manchete e exibida entre 30 de março e 2 de outubro de 1987, em 162 capítulos, substituindo Mania de Querer e sendo substituída por Carmem. Escrita por José Louzeiro, com supervisão de Wilson Aguiar Filho, colaboração de Cláudio MacDowell, Eliane Garcia, Leila Míccolis e Maria Cláudia Oliveira, sob direção de Ary Coslov e Walter Campos e direção geral de José Wilker.

Conta com Christiane Torloni, Reginaldo Faria, Sílvia Buarque, Nathalia Timberg, Lídia Brondi, Otávio Augusto, Jonas Bloch e Sérgio Viotti nos papéis principais.

Produção Início de gravação A produção da telenovela Corpo Santo foi anunciada em dezembro de 1986 com o título definitivo da próxima novela da Rede Manchete, substituindo Mania de Querer. A trama foi concebida como uma "novela-reportagem", que misturaria casos policiais reais do Rio de Janeiro com linguagem televisiva moderna, inspirando-se nos casos Aída Curi e Caso Mônica. Durante a pré-produção, a Manchete passou por uma mudança interna significativa. Em 5 de dezembro de 1986, o diretor Herval Rossano deixou a emissora após desentendimentos com o diretor-geral, Zevi Ghivelder. Segundo relatos, havia divergências criativas e conflitos quanto ao elenco e à condução da dramaturgia. Uma publicação sugeriu que Ghivelder atribuía a ele a queda de audiência das novelas anteriores e por um atrito anterior envolvendo a atriz Sônia Clara, esposa de Ghivelder.

Em janeiro de 1987, a Manchete oficializou o início da produção de Corpo Santo, agora com José Wilker como diretor do setor e responsável geral pela direção da telenovela. Escrita por José Louzeiro, a trama contou com a direção de Wilker, Walter Campos, Ary Coslov e Cláudio MacDowell, com colaboração de Eliana Garcia. Walter Campos e MacDowell também atuaram como roteiristas. A novela foi planejada com cerca de 120 capítulos, e as gravações começaram em 26 de janeiro do mesmo ano. A produção marcou a primeira novela de José Louzeiro e prometia renovar o fôlego da emissora no gênero. José Wilker afirmou que teve que ser muito cuidadoso com Corpo Santo, por ser a sua primeira novela como diretor na Manchete. Segundo Wilker, a produção era "mais democrática e coletiva". As gravações se deram no Rio de Janeiro, em locações urbanas e estúdios, além de cenas gravadas em São Paulo e no exterior.

Na véspera da estreia, José Wilker avaliou a qualidade dos 10 primeiros capítulos, descrevendo a novela como "o resultado de um trabalho realizado com paixão" e um "investimento no desempenho dos atores e atrizes". Ele elogiou a "química" e a atuação "extraordinária" do elenco, que, em sua opinião, estava "muito acima da média alcançada na maioria das produções brasileiras". Wilker descreveu a novela como uma história de "amor e de humor" com ingredientes de um thriller policial, como "sexo, violência, ação", mas negou qualquer intenção de sensacionalismo. Para ele, o humor na novela era de natureza "épica, brechtiniana", e o objetivo fundamental era "divertir o público" enquanto oferecia uma crítica social bem-humorada. Ele deu como exemplo o síndico do prédio onde a família de Simone Reski mora, que utiliza o dinheiro do condomínio para benefício próprio.

Escolha dos elencos 220px|direita|thumb|Elenco e equipe da telenovela Corpo Santo, com Lídia Brondi, Ary Coslov (diretor), Jonas Bloch, Christiane Torloni, Reginaldo Faria e Tessy Callado. 220px|direita|thumb|O escritor José Louzeiro fez a história de Corpo Santo. Passsando pelas rua da Lapa com Reginaldo Faria (seu papel de Téo), explicou o porquê do realismo mágico da novela: “O real é mágico”. 220px|direita|thumb|Luiz Carlos Arutin e Alexandre Marques, em uma cena de Corpo Santo. 220px|direita|thumb|Téo (Reginaldo Faria) e Simone (Christiane Torloni) na cena do restaurante, onde eles se conheceram. O elenco de Corpo Santo continuou a ser formado ao longo da pré-produção e início das gravações. Além dos já confirmados Reginaldo Faria, Mariana de Moraes e Nathalia Timberg, a produção anunciou a participação de Jonas Bloch, Nildo Parente, Márcia Rodrigues, Divana Brandão, Ivan Setta, Paschoal Villaboim, Leina Krespi, Ana Lúcia Torre, Roberto Frota e Cristina Pereira. O elenco principal era formado por Christiane Torloni, Reginaldo Faria, Lídia Brondi, Jonas Bloch, Nathalia Timberg, Otávio Augusto, Luiz Carlos Arutin, Roberto Frota, Nildo Parente, Jonas Mello e Luís de Lima. Jonas Bloch, no papel de vilão Giovanni Kepler, conhecido como Russo. O ator se dedicou integralmente ao papel, chegando a recusar quatro propostas de cinema e teatro para participar da novela. Mais tarde, foi confirmada a contratação do ator Luís de Lima para integrar o elenco da novela de José Louzeiro. Antônio Pitanga e Lídia Brondi também foram anunciados como parte do elenco principal, com Lídia interpretando a repórter Bárbara Diniz. Rodrigo Santiago também se juntou ao elenco no papel de Lucas, um amigo próximo de Bárbara Diniz. Beth Berardo foi escalada para o papel de Mônica, uma psicóloga. Nathalia Timberg interpretou Maria Rita Reski, a irmã de Simone. Outra adição ao elenco foi Eliane Narduchi, no papel de Marina, uma prostituta. Para o elenco também foram incluídos os personagens Ramos, um marginal interpretado por Sandro Solviat e o detetive Sila, interpretado por Tião D'Ávila.

Paralelamente, a Manchete, sob a direção de José Wilker, demonstrava interesse em contratar a atriz Lúcia Veríssimo para um dos papéis de destaque na novela. Veríssimo estava em um impasse contratual com a TV Globo onde atuava em Roda de Fogo, e a Manchete aguardava um sinal verde para tentar sua contratação.

A busca pela protagonista Simone teve alguns contratempos. Sônia Braga foi a primeira convidada para o papel, mas recusou para priorizar sua carreira internacional. A solução veio quando a atriz Christiane Torloni foi escalada para viver a personagem. A contratação ocorreu após Torloni romper seu contrato com a TV Globo, motivada por sua insatisfação com a personagem que interpretava em Selva de Pedra. As negociações com a atriz já estavam "bem encaminhadas" no início de janeiro de 1987.

Sônia Braga recusou o papel de Adriana, que seria uma participação especial gravada em Los Angeles, Estados Unidos. O papel foi assumido por Maitê Proença, que interpretou a estilista de moda Adriana, uma personagem que se envolvia em uma trama de contrabando de vídeos com o personagem de José Wilker. Maitê aceitou o convite para poder encerrar um compromisso com o filme A Dama do Cine Xangai. As primeiras cenas de Corpo Santo foram gravadas em Nova Iorque, com direção de Ary Coslov e Walter Campos. Os personagens Alexis (José Wilker) e Adriana (Maitê Proença) aparecem nessas cenas, envolvidos no contrabando de filmes pornôs. Sua participação, no entanto, ficou limitada aos primeiros capítulos, e a atriz não retornaria mais à novela. Denise Dumont foi outra atriz contratada para uma participação especial, atuando em cenas gravadas em Los Angeles ao lado de José Wilker. A ideia era atrair o público com participações sofisticadas no exterior foi um dos pilares da estratégia da emissora.

Investimento em elenco e equipe técnica Em 18 de janeiro de 1987, foi destacado o ambicioso projeto da Manchete. O diretor geral Rubens Furtado afirmou que a emissora estava se expandindo em todas as frentes, contratando não apenas novos atores, mas também autores, iluminadores, produtores e cenógrafos. Ele destacou que o investimento em novos talentos incluía salários competitivos, chegando a pagar quase o dobro do que a Globo oferecia em alguns casos. Para a equipe técnica, a Manchete contratou 30 novos profissionais, incluindo a cineasta e produtora de arte Ana Maria Magalhães, os editores Eduardo Ribeiro e Sérgio Louzada, além dos diretores e produtores Eduardo Figueira, Caique Botkay, Luiz Fernando Carvalho, Paulo Indio, Beto Leão, Ari Coslov, Lúcia Fernanda e os cenógrafos Raul Neves e Irênio Maia. A emissora também modernizou seus estúdios em Água Grande, instalando ar-condicionado para aprimorar as condições de trabalho. A novela vendeu oito cotas de patrocínio, com um orçamento de 3,1 milhões de cruzados.

Detalhes adicionais sobre o elenco e a equipe A personagem Simone Reski, interpretada por Christiane Torloni, foi descrita como uma mulher de coragem, amor e uma mãe. A personagem é uma "viúva de um pintor" e dona de uma livraria, com a trama envolvendo a necessidade de vender seu negócio. A trama também contaria com Silvia Buarque no papel de Lúcia (Lucinha) e Lu Modesto no papel de Valéria. Lúcia, a filha de 16 anos de Simone, teria habilidades paranormais. Lúcia seria a primeira a detectar um assassinato. Silvia Buarque gravou cenas importantes no Instituto de Psicologia Aplicada e sua personagem ganharia maior destaque nos próximos capítulos.

A personagem Bárbara Diniz, interpretada por Lídia Brondi, é uma "homenagem do autor José Louzeiro a uma jornalista real". Louzeiro descreveu a personagem como uma "mulher moderna" e "totalmente empenhada". Lídia Brondi, que já havia trabalhado na série Márcia e seus problemas (1974) na TVE Brasil, preferiu seguir sua "intuição" para a construção da personagem, em vez de tentar imitar a repórter real.

O personagem Téo, interpretado por Reginaldo Faria, foi descrito como um "malandro" com um "falso ar de bondade". Para compor a personagem, Téo usava óculos Ray Ban, o que o tornou inesquecível. O roteiro, descrito como tendo um tom de "realismo mágico latino-americano," foi um grande atrativo para o elenco. O ator Reginaldo Faria revelou que um dos motivos para aceitar o convite foi a presença de José Louzeiro como autor, a quem considerava um "grande autor". As últimas cenas da novela seriam gravadas totalmente no Peru.

Em 20 de março de 1987, durante um coquetel de lançamento, a Manchete apresentou à imprensa e convidados um clipe da nova novela. O evento, realizado no Palladium, em São Paulo, contou com a presença de parte do elenco, incluindo Reginaldo Faria, Christiane Torloni, Lidia Brondi, Carlos Arutim, Otávio Augusto, Silvia Buarque, Rogério Fróes e Jonas Bloch. A ausência de José Wilker, que atuava como Diretor de Teledramaturgia, foi um dos grandes destaques da noite.

Jonas Bloch descreveu seu personagem, o criminoso Russo, como uma figura que "denuncia abertamente a violência e a corrupção" da sociedade brasileira. Bloch ressaltou que Russo foi construído para quebrar o preconceito de que criminosos no Brasil são sempre "desdentados, ignorantes e negros", afirmando que a "grande marginalidade brasileira é da classe média para cima". Ele também criticou a censura brasileira, que, segundo ele, fazia cortes na novela com o pretexto de proteger o público, mas na verdade era "colonizada". Bloch defendeu a inovação da linguagem da novela, que ele considerava uma alternativa para o público "cansado de ver e ouvir estorinhas de menino bonitinho que quer se casar com a mocinha".

Estreia A estreia oficial da novela Corpo Santo foi anunciada para o dia 30 de março de 1987, com exibição prevista para as 21h30, uma data que foi alterada em relação ao planejamento inicial de 23 de março, deu no lugar de Mania de Querer.

Desenvolvimento e eventos da trama O autor José Louzeiro afirmou ter preparado “os mais picantes temperos” para a “contagem regressiva” da novela, com a trama “subindo do crime e do sexo”. A narrativa tomou novo fôlego com a morte da protagonista Simone Reski (Christiane Torloni), fato marcante que reconfigurou o rumo da história. A decisão de eliminar a figura feminina central foi vista como ousada e crítica. A direção da Manchete negou rumores de desentendimento entre a Torloni e Adolpho Bloch (fundador da Rede Manchete), sustentando que a saída da atriz havia sido planejada como uma virada dramática na narrativa. A própria atriz elogiou a coragem da emissora em adotar esse rumo.