Maria Celeste Freire de Andrade Rates (São Sebastião da Pedreira, Lisboa, 22 de junho de 1922 — 2007), mais conhecida como Celeste de Andrade, foi uma atriz, ficcionista e tradutora portuguesa, autora do romance Grades Vivas (1954).

Biografia Nasce a 17 de junho de 1922 com o nome Maria Celeste de Andrade Rates, na freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa, sendo registada cinco dias depois. Filha de José Carlos Rates, escritor e dirigente sindical, e um dos fundadores do Partido Comunista Português, e Maria Freire de Andrade, doméstica, natural de Lisboa (freguesia do Beato). A presença de escritores na família - o escritor, crítico e tradutor João Pedro de Andrade era seu tio e o primo Garibaldino de Andrade era escritor, professor, editor e diretor literário - fomenta o seu amor pela literatura.O escrever, na família, vem de longa data. Dos vivos, dois são conhecidos do público: meu tio João Pedro de Andrade e meu primo Garibaldino de Andrade. Depois, as pessoas que me rodeavam interessavam-se pela leitura. Discutiam as suas impressões na minha presença. De tal modo que os livros foram sempre para mim o meu "clima". É com eles que me sinto verdadeiramente eu, na medida em que me ajudam a descobrir-me, a compreender-me.

A 26 de junho de 1943, casou primeira vez civilmente, em Lisboa, com o operário Carlos Emídio de Jesus Duarte (Graça, Lisboa, 1918), filho do funcionário da Alfândega Manuel Duarte, natural de Castelo Branco (freguesia de Alcains), e de Albertina de Jesus Duarte, doméstica, natural de Celorico da Beira. Foram padrinhos de casamento o artista gráfico Thomaz de Mello e o tio de Celeste, João Pedro de Andrade. Por sentença de 22 de julho de 1946, os dois divorciaram-se litigiosamente.

Conhece o escritor, tradutor e diplomata Nataniel Costa no Teatro do Salitre, grupo em que colaborava como atriz, e com ele casou civilmente em Lisboa, a 3 de novembro de 1947. Foram padrinhos de casamento a atriz Glicínia Quartin, filha do anarquista António Pinto Quartin; o marido desta, António Jacinto das Neves Pedro; o tio de Celeste, João Pedro de Andrade; e o encenador, jornalista e coreógrafo Tomás Ribas. O marido, além de diplomata, era director literário da editora Estúdios Cor, e que irá publicar traduções de Celeste de Andrade, entre as quais A Minha Infância de Máximo Gorki e Fim de Semana em Zudycoote de Robert Merle, e aí trabalha ao lado de José Saramago, então em início de carreira. É na mesma editora que publica o seu romance Grades Vivas, em 1954, que é o primeiro original português da Colecção Latitude, onde se publicaria também Louise de Vilmorin e Colette, cuja obra terá inspirado Celeste de Andrade. A influência de Colette nota-se na sua primeira obra, intitulada A Gata, que publica em capítulos no periódico semanal Mundo Literário, sob o pseudónimo Maria Celeste. Em 1955, foi autorizada, por decisão judicial, a mudar o nome para Maria Celeste Freire de Andrade Rates.

De 1959 a 1962, Celeste de Andrade vive em França, onde o marido é cônsul português, e depois na Suíça, onde ele cumpre a função de embaixador. Relega para segundo plano a sua carreira literária para acompanhar o marido, e tenta retomá-la por volta da década de 80, quando faz esforços para publicar vários manuscritos, mas sem sucesso.

Apesar da sua reduzida obra, inclui-se no grupo de escritoras de ficção mais notáveis das décadas de 50-60 do século XX, ao lado de Maria da Graça Freire, Natália Nunes, Patrícia Joyce e Ester de Lemos.

Grades Vivas Grades Vivas (1954), o seu único romance publicado, foi apresentado como obra de ficção, mas pensa-se que a protagonista é uma auto-inserção da autora, devido às similaridades entre a vida de uma e de outra. A obra é notável por abordar a violência exercida sobre mulheres. A protagonista descreve um aborto clandestino, fruto de uma decisão autónoma derivada da situação abusiva em que vive.

O livro foi bem recebido pela crítica contemporânea, mas Celeste de Andrade não voltaria a publicar, provavelmente por motivos relacionados com obrigações familiares.

Categoria:Nascidos em 1922 Categoria:Mortos em 2007 Categoria:Escritoras de Portugal Categoria:Tradutores de Portugal Categoria:Naturais de Lisboa Categoria:Mulheres na literatura