A presidência de Javier Milei ou Governo Javier Milei começou em 10 de dezembro de 2023, quando Javier Milei foi empossado para um mandato de quatro anos como presidente da Argentina. Milei assumiu o cargo ao lado da vice-presidente Victoria Villarruel após a vitória da coalização A Liberdade Avança na eleição presidencial argentina de 2023, com 55,65% dos votos no segundo turno contra 44,35% do ex-ministro da Economia, Sergio Massa.

Milei foi eleito com o maior total de votos de todos os tempos na Argentina, o maior percentual desde 1973 e o maior desde que a Argentina retornou à democracia em 1983, e em meio à crise monetária argentina de 2018, que ainda está em curso.

Contexto

Campanha presidencial e eleição de 2023 Em 11 de abril de 2022, Milei anunciou sua candidatura em entrevista ao jornal argentino Clarín. Milei escolheu Victoria Villarruel, deputada nacional pelo Partido Democrata, como sua companheira de chapa. Villaruel é uma defensora de veteranos do Exército Argentino e foi acusada de praticar revisionismo histórico em relação à Guerra Suja, ao negar o terrorismo praticado pelo Estado argentino na época.

Durante a eleição, Milei subiu constantemente nas pesquisas por defender posições libertárias e populistas de direita, à medida que a inflação aumentava e ultrapassava os 100%. Nas eleições primárias na Argentina em agosto de 2023, Milei emergiu como o principal candidato com 29,86% dos votos. Devido a estes resultados, a coligação de Milei venceu as suas primeiras eleições e levou pela primeira vez um partido político não afiliado ou relacionado com o radicalismo ou ao peronismo a vencer uma eleição presidencial desde a sanção da Lei Sáenz Peña.

A notícia causou estupor mundial, devido à retumbante virada da Argentina em direção ao liberalismo e à direita. Milei também foi o primeiro candidato a vencer as PASOs sem triunfar na província de Buenos Aires, enquanto obteve a vitória em outras 16 províncias, muitas delas bastiões históricos do peronismo. Milei obteve seu melhor resultado na província de Salta, onde obteve 49% dos votos. Com estes resultados, sua coligação foi autorizada a participar das eleições presidenciais de 2023.

No dia das eleições gerais, Milei foi o segundo candidato mais votado, obtendo 29,98% dos votos em todo o país, atrás apenas de Sergio Massa, o Ministro da Economia, que representava a atual coalizão União pela Pátria, que obteve 36,68% dos votos. Como nenhum candidato alcançou 45% dos votos ou 40% e mais de 10 pontos de diferença com o segundo lugar, ele se classificou junto com Massa para um segundo turno em 19 de novembro de 2023.

No segundo turno, Milei foi apoiado pelo ex-presidente Mauricio Macri e pela candidata que ficou em terceiro lugar, Patricia Bullrich, ambos membros da coalizão Juntos por el Cambio. Milei respondeu em suas redes sociais publicando a foto de um pato enrolado na bandeira argentina abraçando um leão; uma clara alegoria de Patrícia e dele mesmo; também declarou também que posições neutras favorecem Massa e pediu para os eleitores não votarem em branco.

Milei permaneceu tecnicamente empatado nas pesquisas com Massa, mas sua chapa presidencial venceu no segundo turno, obtendo 55,65% dos votos contra 44,35% da chapa Massa-Rossi, vencendo na capital Buenos Aires e em 20 das demais províncias argentinas. A vitória de Milei demonstrou a forte rejeição do eleitorado ao establishment peronista e foi comparada à vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e à de Jair Bolsonaro no Brasil, e vista como uma vitória da extrema-direita global.

É a primeira vez, desde o estabelecimento do voto popular, secreto e obrigatório em 1912 com a Lei Sáenz Peña, que a coligação política no poder não é composta pelo Partido Justicialista ou pela União Cívica Radical, os dois partidos mais tradicionais da Argentina. Milei também é o primeiro presidente com ideais libertários na história do país, bem como o primeiro economista a alcançar essa posição.

Transição Após o segundo turno, Javier Milei começou a anunciar os membros de seu gabinete. No dia 21 de novembro, encontrou-se com Alberto Fernández na residência presidencial Quinta de Olivos, para dar início à transição. No dia 25 de novembro, ligou para o Papa Francisco, que enviou um rosário abençoado a ele e a Victoria Villaruel, e no mesmo dia, se comunicou por videochamada com a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Gueorguieva.

Em 29 de novembro, Javier Milei e Victoria Villarruel foram proclamados presidente e vice-presidente pelo Congresso da Nação Argentina, enquanto os resultados eleitorais de 19 de novembro foram referendados em ato protocolar. No dia 8 de dezembro foram confirmados os membros de seu gabinete de ministros: Nicolás Posse (Chefe de Gabinete da Nação Argentina), Diana Mondino (Relações Exteriores), Sandra Pettovello (Capital Humano), Luis Petri (Defesa), Luis Caputo (Economia), Guillermo Ferraro (Infraestrutura), Guillermo Francos (Interior), Mariano Cúneo Libarona (Justiça), Mario Russo (Saúde) e Patricia Bullrich (Segurança).

Posse presidencial miniaturadaimagem|Javier Milei em sua posse presidencial recebendo o cajado e a faixa presidencial do ex-presidente Alberto Fernández.

Milei foi empossado no cargo de presidente em 10 de dezembro de 2023, às 11h58, no horário argentino, na Câmara dos Deputados da Nação. Posteriormente, recebeu o cajado e a faixa presidencial do presidente Alberto Fernández. Após a posse, o presidente fez um discurso de meia hora nas escadas do Congresso, onde analisou a herança econômica e social que recebeu do governo cessante, ressaltando que "nenhum governo recebeu uma herança pior do que a que estamos recebendo". Ele fez um discurso à nação argentina, alertando sobre a necessidade de um choque econômico, o que foi descrito como uma terapia de choque em termos econômicos. Segundo Milei, este choque econômico seria um meio para resolver os problemas econômicos da Argentina, com a inflação caminhando para os 200%.miniaturadaimagem|Javier Milei em sua posse presidencial ao lado da nova vice-presidente Victoria Villarruel. Gabinete O gabinete de Milei tomou posse em 10 de dezembro de 2023. Após a renúncia dos demais dirigentes da presidência de Alberto Fernández, Milei indicou os novos os responsáveis pelas pastas existentes. Seu gabinete inclui ministros afiliados à coligação A Liberdade Avança e à coligação extinta Juntos pela Mudança. Gabinete presidencial de Javier MileiMinistérioIncumbentePartido/coligaçãoPosse no diaSaída no diaChefe de Gabinete da Nação Argentinasemmoldura|152x152pxNicolás Posse(Sem partido)A Liberdade Avança10 de dezembro de 202327 de maio de 2024semmoldura|122x122pxGuillermo Francos(Sem partido)A Liberdade Avança27 de maio de 2024Capital Humanosemmoldura|154x154pxSandra Pettovello(União do Centro Democrático)A Liberdade Avança10 de dezembro de 2023Defesasemmoldura|149x149pxLuis Petri(União Cívica Radical)A Liberdade Avança10 de dezembro de 2023Economiasemmoldura|114x114pxLuis Caputo(Proposta Republicana)A Liberdade Avança10 de dezembro de 2023Infraestrutura (extinto)semmoldura|133x133pxGuillermo Ferraro(Sem partido)A Liberdade Avança10 de dezembro de 20235 de março de 2024Interior(extinto)semmoldura|122x122pxGuillermo Francos(Sem partido)A Liberdade Avança10 de dezembro de 202327 de maio de 2024Justiçasemmoldura|134x134pxMariano Cúneo Libarona(Sem partido)A Liberdade Avança10 de dezembro de 2023Relações Exterioressemmoldura|126x126pxDiana Mondino(Sem partido)A Liberdade Avança10 de dezembro de 202330 de outubro de 2024 Gerardo Werthein(Sem partido)30 de outubro de 2024Saúdesemmoldura|124x124pxMario Russo(Sem partido)A Liberdade Avança10 de dezembro de 2023Segurançasemmoldura|129x129pxPatricia BullrichProposta Republicana10 de dezembro de 2023Secretarias com status de ministérioSecretaria Geral da Presidênciasemmoldura|114x114pxKarina Milei(Partido Libertário)A Liberdade Avança10 de dezembro de 2023Secretaria Legal e TécnicaJavier Herrera Bravo 10 de dezembro de 2023Secretaria de Comunicação e ImprensaEduardo Serenellini29 de dezembro de 2023

Medidas tomadas pelo Executivo Ao assumir a presidência, Milei assinou 13 decretos, a maioria relacionado a nomeação de membros do seu gabinete, um dos quais serviu para nomear o Chefe de Gabinete da Nação Argentina e os ministros do Interior, das Relações Exteriores, da Defesa, da Economia, da Segurança e da Saúde. Com o decreto nº 1 ao nº 7, nomeou Guillermo Francos, Diana Mondino, Luis Petri, Luis Caputo, Patricia Bullrich, e Mario Russo para seu gabinete presidencial.

Em 10 de dezembro, com seu 8º decreto (o primeiro como presidente da Argentina), modificou a lei e reduziu os dezoito ministérios governamentais existentes para nove. Com os decretos nº 9 a 11, nomeou Mariano Cúneo Libarona para o ministério da Justiça, Guillermo Ferraro ao da Infraestrutura e Sandra Pettovello para o Capital Humano. Seu 12º decreto removeu o impedimento assinado pelo ex-presidente Mauricio Macri que ditava sobre a indicação de parentes no estado Argentino. Seu 13º decreto nomeou sua irmã, Karina Milei, para o cargo de Secretária Geral da Presidência.

Após uma série de informações sobre reuniões interministeriais que eram realizadas na Casa Rosada terem sido vazadas, Milei decide demitir Guillermo Ferraro do Ministério da Infraestrutura da Argentina em 25 de janeiro de 2024, sendo este o primeiro ministro a cair de seu governo. Outra razão que motivou a demissão de Ferraro foram as desavenças que o mesmo tinha com Nicolás Posse, ministro-chefe da Casa Civil e figura de confiança do próprio presidente. Na mesma semana, Milei anunciou que a pasta iria ser incorporada ao Ministério da Economia.

Em 27 de maio de 2024, Milei aceitou a renúncia de Nicolás Posse do cargo de chefe de gabinete da Nação Argentina. Quem assume em seu lugar é o ex-ministro do Interior Guillermo Francos.

Política interna

Economia Em seu primeiro discurso como Presidente da Nação, Javier Milei afirmou que "nenhum governo recebeu uma herança pior do que a que estamos recebendo". Referindo-se aos "déficits gêmeos de 17 pontos do PIB" (relativos ao déficit primário e financeiro), ele mencionou uma inflação de 157,5% ao ano, uma dívida bruta do setor público de US$419,2 bilhões, reservas brutas no Banco Central de US$21,1 bilhões e uma dívida em Leliq de $23 trilhões de pesos, o que gera "uma emissão de mais de $2 trilhões por mês em juros". Milei sempre defendeu, durante a campanha eleitoral, medidas de choque e um forte ajuste no setor público. O ministro da economia designado é Luis Caputo, e o presidente do Banco Central da República Argentina designado é Santiago Bausili.

Em um ano de governo de Milei o PIB per capita caiu de $13.820 para $12.810, um decréscimo de -7,30%.

Reforma do Estado Para reduzir o déficit fiscal, Milei propôs uma política de austeridade focada na redução do orçamento das organizações públicas nacionais, com o objetivo de reduzir 5 pontos do PIB em gastos públicos, o que representa o atual déficit orçamental do Estado argentino. A primeira medida, ao chegar ao gabinete presidencial após sua posse, foi a assinatura do Decreto 8/2023, que reduziu o número de ministérios de 18 para 9, o número de secretarias, de 106 para 54 e o número de subsecretarias, de 182 a 140. Milei também ordenou o fim do Home office (e a exigência de trabalho 100% presencial) para funcionários públicos e a revisão de despesas e contratações de todos os ministérios restantes que foram realizadas no último ano, com o objetivo de “constatar contratações irregulares”. Também foi anunciada a não renovação de contratos de trabalho do Estado com menos de um ano de vigência.