thumb|330px|<center>O Prinz Eugen da segunda Classe Kaiser Max, um dos últimos ironclads austro-húngaros de bateria central A Marinha Austríaca e Marinha Austro-Húngara construíram uma série de ironclads de diferentes tipos entre as décadas de 1860 e 1880. A primeira geração foram sete navios de bateria lateral da Classe Drache, Classe Kaiser Max e Classe Erzherzog Ferdinand Max, que formaram o núcleo da frota austríaca envolvida em uma corrida armamentista com a Itália e que derrotou a Marinha Real Italiana em 1866 na Batalha de Lissa. O contra-almirante Wilhelm von Tegetthoff usou táticas de abalroamento para vencer a batalha, o que influenciou o projeto da segunda geração de ironclads. Estes eram o , , e o reconstruído navio de linha , construídos entre o final da década de 1860 e início da de 1870. Eles eram navios de bateria central capazes de dispararem canhões à vante e ré, uma necessidade durante abalroamentos já que bateria laterais não podiam serem usadas nessas situações.
Tegetthoff morreu em 1871 e foi sucedido no comando da Marinha Austro-Húngara pelo vice-almirante barão Friedrich von Pöck. Este carecia do prestígio de seu predecessor e teve enormes dificuldades de conseguir dinheiro do Conselho Imperial austríaco e Dieta húngara para novos ironclads. Pöck foi forçado a recorrer a um subterfúgio a fim de construir os três navios da Classe Kaiser Max em meados da década de 1870, afirmando que eram reconstruções da classe anterior de mesmo nome mas na verdade sendo ironclads totalmente novos com apenas alguns materiais reutilizados de seus predecessores. Ele também conseguiu aprovação para a construção de duas embarcações novas, o navio de bateria central em 1876 e o navio de barbeta em 1881. Seu sucessor, o vice-almirante barão Maximilian Daublebsky von Sterneck, recorreu ao mesmo subterfúgio para construir o .
Nenhum dos ironclads da segunda geração teve algum serviço ativo significativo, resultado de orçamentos navais pequenos, algo que muito restringiu as atividades navais no final do século XIX. Os ironclads mais antigos foram desmontados nas décadas de 1880 e 1890, com os sobreviventes sendo reduzidos para funções secundárias no início da década de 1900, como defesa portuária e atividades de treinamento, com apenas o Kronprinz Erzherzog Rudolf ainda operacional na capacidade de navio de guarda. Foi o único ironclad austro-húngaro a ter um serviço ativo na Primeira Guerra Mundial, porém nunca chegou a entrar em combate. A maioria das embarcações foram entregues à Itália como prêmios de guerra ao final do conflito, porém o Kronprinz Erzherzog Rudolf e o foram entregues para o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. Os outros foram todos desmontados na década de 1920, com exceção do Erzherzog Albrecht, que foi convertido em um alojamento flutuante e permaneceu com os italianos até 1950.
+ Legenda Armas principais Número e tamanho dos canhões da bateria principal Deslocamento Deslocamento do navio totalmente carregado Propulsão Número e tipo do sistema de propulsão e velocidade máxima Batimento Data em que o batimento de quilha ocorreu Lançamento Data em que o navio foi lançado ao mar Comissionamento Data em que o navio foi comissionado em serviço Destino Fim que o navio teve
Ironclads de bateria lateral Classe Drache
thumb|240px|esquerda|O Drache c. 1867–1868 A principais potências europeias iniciaram programas de construção para modernizarem suas frotas diante dos novos desenvolvimentos tecnológicos depois do lançamento do francês Gloire em 1859. A Marinha Austríaca, sob a direção arquiduque Fernando Maximiliano, o Comandante Naval, encomendou dois novos navios em 1860 em resposta aos dois ironclads da Classe Formidabile da Marinha Real Italiana. As embarcações austríacas foram projetadas por Josef von Romako, o Diretor de Construção Naval. Eles eram ironclads de bateria lateral pequenos com uma bateria principal de 28 canhões. Seu projeto serviu de base para as sucessoras Classe Kaiser Max e Classe Erzherzog Ferdinand Max, que formaram o núcleo da frota austríaca no início da década de 1860.
Os dois ironclads foram mantidos em águas austríacas como proteção contra um possível ataque dinamarquês durante a Guerra dos Ducados do Elba em 1864, mas os inimigos permaneceram no Mar do Norte e Mar Báltico no decorrer do conflito. Dois anos depois, na Guerra Austro-Prussiana contra Prússia e Itália, o Drache e o Salamander participaram da Batalha de Lissa, onde a frota austríaca conseguiu uma vitória decisiva contra a frota italiana. Durante a batalha, o Drache destruiu o navio de defesa de costa Palestro, porém foi danificado pela artilharia italiana, já o Salamander não foi muito danificado. Os dois pouco fizeram depois disso pelo restante de suas carreiras, se deteriorando bastante até 1875. O casco do Drache estava na época seriamente apodrecido, assim foi tirado do serviço e desmontado em 1883. O Salamander foi usado como navio de guarda entre 1875 e 1883, sendo despojado e depois desmontado em 1896.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 10 × 48 libras18 × 24 libras t 1 motor a vapor;10,5 nós (19,4 km/h) fevereiro de 1861 setembro de 1861 novembro de 1862 Desmontado em 1883 agosto de 1861 maio de 1862 Desmontado em 1896
Classe Kaiser Max (1862)
thumb|240px|O Kaiser Max c. 1866 A recém-unificada Itália, principal rival da Áustria, também tinha iniciado um programa de construção na década de 1860 e reivindicava áreas da Áustria como historicamente italianas, assim seu expansionismo naval representava uma ameaça direta aos austríacos. Fernando Maximiliano, a fim de igualar as recentes aquisições italianas, encomendou em 1861 mais três novos ironclads. Romako novamente preparou os projetos, baseando-se na predecessora Classe Drache. As novas embarcações adotaram melhoramentos incrementais em relação a seus predecessores, incluindo motores mais poderosos e mais canhões. Seu projeto acabou tendo falhas que deixaram os navios instáveis, um problema que não pode ser corrigido em reformas realizadas em 1867.
O Don Juan d'Austria foi enviado para o Mar do Norte durante a Guerra dos Ducados do Elba, mas chegou muito tarde para participar de qualquer confronto contra a frota dinamarquesa. Os três participaram da Guerra Austro-Prussiana e estavam na Batalha de Lissa, com o Kaiser Max sendo um dos primeiros a avistar a frota italiana. Tiveram embates ferrenhos com os italianos na batalha, mas não foram seriamente danificados porque sua blindagem era forte o bastante para aguentar a artilharia inimiga. Os navios pouco fizeram depois disso devido em grande parte ao desinteresse político sobre questões navais. Deterioraram-se até estarem inutilizáveis no início da década de 1870. Foram desmontados em 1873, mas seus motores, placas de blindagem e outros equipamentos foram reutilizados para a construção dos novos ironclads da sucessora Classe Kaiser Max.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 16 × 48 libras15 × 24 libras t 1 motor a vapor11,4 nós (21,1 km/h) outubro de 1861 março de 1862 1863 Desmontados em 1873 julho de 1862 junho de 1862 março de 1863
Classe Erzherzog Ferdinand Max
thumb|esquerda|240px|O Erzherzog Ferdinand Max após 1880 A Classe Erzherzog Ferdinand Max era muito maior que suas predecessoras, com isto permitindo que seu armamento fosse aumentado para 32 canhões de 48 libras. Entretanto, a necessidade de finalizá-los rapidamente devido a tensões cada vez maiores com a Itália forçou os estaleiros da Stabilimento Tecnico Triestino a entregá-los com apenas aproximadamente metade da bateria planejada. Os dois navios foram rapidamente colocados em serviço com o início da Guerra Austro-Prussiana. Eles nunca receberam seu armamento planejado, pois a derrota austríaca levou a um desinteresse em questões navais que impediu que o dinheiro necessário para finalizá-los fosse concedido. Foram finalmente rearmados em meados da década de 1870 com canhões de 180 milímetros.
Os dois participaram da Batalha de Lissa. O Erzherzog Ferdinand Max foi a capitânia do contra-almirante Wilhelm von Tegetthoff, o comandante da Marinha Austríaca, abalroando e afundando o ironclad italiano Re d'Italia. Já o Habsburg não esteve tão envolvido na batalha e não foi muito danificado. Passaram o resto da guerra realizando patrulhas pelo Mar Adriático, mas a frota italiana permaneceu em seus portos. Os pequenos orçamentos navais das duas décadas seguintes impediram um serviço ativo. Eles foram reduzidos para deveres secundários na década de 1880, com o Erzherzog Ferdinand Max se tornando uma embarcação auxiliar para a escola de treinamento de artilharia e o Habsburg um navio de guarda e alojamento flutuante em Pola. O Habsburg foi desmontado em 1898, mas o Erzherzog Ferdinand Max permaneceu no inventário até 1916, quando também foi desmontado.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 16 × 48 libras t 1 motor a vapor;12,5 nós (23,2 km/h) maio de 1863 maio de 1865 julho de 1866 Desmontado em 1916 junho de 1863 junho de 1865 Desmonado em 1898
Ironclads de bateria central SMS Lissa
thumb|240px|O Lissa antes de 1875 O Lissa foi o primeiro da segunda geração de ironclads austro-húngaros, construídos a partir das experiências da Batalha de Lissa. Tegetthoff tinha enfatizado táticas de abalroamento a fim de compensar sua inferioridade numérica. Estas táticas dificultavam o uso dos armamentos no tradicional arranjo lateral de ironclads anteriores, mas o então recém-desenvolvido navio de bateria central resolvia essa questão. Projetos deste tipo concentravam o armamento principal em uma casamata localizada na parte central da embarcação, permitiam uma blindagem mais espessa ao mesmo tempo que menor em escala e melhores arcos de disparo para atirar à vante ou à ré. O projeto do Lissa também foi preparado por Romako, que se inspirou no britânico HMS Hercules. Entretanto, diferentemente do navio britânico, a casamata do navio austro-húngaro ficava dividida em dois conveses. Apesar do país ter sido derrotado pela Prússia um ano antes da Guerra Austro-Prussiana, os armamentos do Lissa foram encomendados da prussiana Krupp.
Escassez de dinheiro adiou a finalização da embarcação, algo que também limitou sua carreira. Permaneceu atracado e inativo na reserva durante a maior parte da década de 1870, mesmo estando nominalmente designado para a esquadra de ironclads. Durante este período, o único evento de destaque foi um incêndio quase a bordo em 1872. Seu casco estava seriamente apodrecido em 1880, assim passou por uma reforma em que teve seu armamento reformulado e a madeira de seu casco substituída. Voltou para a esquadra da ironclads, continuando a servir até 1888. O Lissa foi tirado de serviço em 1892 e desmontado até 1895.
Navio Armasprincipais Deslocamento Propulsão Serviço Batimento Lançamento Comissionamento Destino 12 × 229 mm t 1 motor a vapor;12,8 nós (23,7 km/h) junho de 1867 fevereiro de 1869 maio de 1871 Desmontado em 1893–1895
SMS Custoza
thumb|esquerda|240px|O Custoza c. 1880