A expressão "única igreja verdadeira" refere-se a uma posição eclesiológica, que afirma que Jesus deu sua autoridade na Grande Comissão apenas à uma igreja institucional cristã visível em particular - o que comumente se chama de denominação. Esta visão é mantida pela Igreja Católica, pela Igreja Ortodoxa Oriental, pela comunhão Ortodoxa Oriental, pela Igreja Assíria do Oriente, pela Antiga Igreja do Oriente, pelas Igrejas Cristãs e Igrejas de Cristo, pelas Igrejas de Cristo e pelas Igrejas Luteranas, bem como algumas batistas. Cada uma delas sustenta que a sua própria igreja institucional específica (denominação), representa exclusivamente a única igreja original. A reivindicação ao título de "única igreja verdadeira" refere-se à primeira das Quatro marcas da Igreja mencionadas no Credo Niceno: "uma igreja santa, católica e apostólica". Como tal, também se relaciona com reivindicações de catolicidade e sucessão apostólica: reafirmar a herança da autoridade e responsabilidade espiritual, eclesiástica e sacramental que Jesus Cristo deu aos apóstolos.

O conceito de cisma modera um pouco as reivindicações concorrentes entre algumas igrejas – pode-se potencialmente reparar o cisma, uma vez que lutam pelo mesmo objetivo. Por exemplo, as igrejas Católica e Ortodoxa Oriental consideram-se mutuamente cismáticas e, pelo menos, heterodoxas, se não heréticasPelo menos a posição católica sobre o assunto é clara: os ortodoxos rejeitam a infalibilidade papal, negam o Filioque e o poder das indulgências, entre outras doutrinas. Mas com os ortodoxos há menos clareza. Muitos ortodoxos se opõem às doutrinas católicas do Purgatório, expiação substitutiva, da Imaculada Conceição e da supremacia papal, entre outras, considerando-as doutrinas heréticas. Ver Vatican Insider , "Two Orthodox bishops accuse the Pope of heresy" 04-15-14, mas ambas mantiveram diálogos e até participaram em concílios na tentativa de resolver a divisão que existe entre elas.

Muitos protestantes tradicionais consideram todos os cristãos batizados como membros de uma "Igreja Cristã" espiritual - não institucional - independentemente de suas crenças divergentes; esta crença é às vezes referida pelo termo teológico "igreja invisível". Alguns anglicanos de igreja anglo-católica defendem uma versão da teoria da ramificação que ensina que a verdadeira Igreja Cristã compreende ramos anglicanos, ortodoxos orientais, católicos antigos, ortodoxos orientais, luteranos escandinavos, morávios, persas e católicos romanos.

Outras denominações, como a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Igreja SUD) também reivindicam a herança da autoridade e responsabilidade que Jesus Cristo conferiu aos apóstolos. Outros grupos, como a Iglesia ni Cristo, acreditam na doutrina do último profeta, onde tal sucessão não ocorre. A Igreja Adventista do Sétimo Dia considera-se a única igreja verdadeira no sentido de ser uma remanescente fiel (aos mandamentos de Deus), particularmente o 4° mandamento em Êxodo 20:8.

Ensinamentos por denominação Catolicismo A Igreja Católica Romana ensina que Cristo fundou apenas "uma Igreja verdadeira", e que esta Igreja verdadeira é a Igreja Católica, o lugar de comunhão, com o bispo de Roma (o papa) como seu chefe supremo e infalível. Daí resulta que se considera "o sacramento universal da salvação da raça humana" e a "única religião verdadeira".

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, a eclesiologia católica professa que a Igreja Católica é a "única Igreja de Cristo" - isto é, a única igreja verdadeira definida como "una, santa, católica e apostólica" nas Quatro marcas da Igreja no Credo Niceno. O Concílio de Niceia (ano 325) formulou originalmente este ensinamento e ratificou o Credo Niceno. A igreja ensina que apenas a Igreja Católica foi fundada por Jesus Cristo, que nomeou os Doze Apóstolos para continuar o seu trabalho como os primeiros bispos da Igreja.Kreeft, p. 98: "A razão fundamental para ser católico é o fato histórico de que a Igreja Católica foi fundada por Cristo, foi invenção de Deus, não do homem... Assim como o Pai deu autoridade a Cristo (Jo 5:22; Mt 28:18-20), Cristo transmitiu-a aos seus apóstolos (Lc 10,16), e eles transmitiram-na aos sucessores que nomearam como bispos." A crença católica afirma que a Igreja "é a presença contínua de Jesus na terra"Schreck, p. 131 e que todos os bispos devidamente consagrados têm uma sucessão linear desde os apóstolos. Em particular, o Bispo de Roma (o Papa), é considerado o sucessor do apóstolo Simão Pedro, de quem o Papa deriva a sua supremacia sobre a Igreja. A encíclica papal de 1943, Mystici Corporis Christi, descreve ainda a Igreja como o Corpo Místico de Cristo. Assim, a Igreja Católica afirma que "a única Igreja de Cristo que no Credo é professada como una, santa, católica e apostólica... Esta Igreja constituída e organizada no mundo como uma sociedade, subsiste na Igreja Católica, que é governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele". Na encíclica Humani Generis, o Papa Pio XII declarou que "o Corpo Místico de Cristo e a Igreja Católica Romana são uma e a mesma coisa". O Concílio Vaticano II repetiu este ensinamento, afirmando no Decreto sobre as Igrejas Orientais: "A Santa Igreja Católica, que é o Corpo Místico de Cristo, é constituída por fiéis que estão organicamente unidos no Espírito Santo pela mesma fé, os mesmos sacramentos e o mesmo governo".

Ao responder a algumas perguntas sobre a doutrina da Igreja a respeito de si mesma, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano declarou em 2007: "Clarius dicendum esset veram Ecclesiam esse solam Ecclesiam catholicam romanam..." ("Deve ser dito mais claramente que somente a Igreja Católica Romana é a verdadeira Igreja..."). E também esclareceu que o termo subsistit in é usado em referência à Igreja no decreto Lumen Gentium do Concílio Vaticano II de 1964, que "indica a plena identidade da Igreja de Cristo com a Igreja Católica".

O Quarto Concílio de Latrão de 1215, declarou que: "Existe uma Igreja universal dos fiéis, fora da qual não há absolutamente nenhuma salvação", uma declaração que é mais conhecida como a doutrina extra Ecclesiam nulla salus.

Na encíclica Mortalium animos de 6 de janeiro de 1928, o Papa Pio XI escreveu que "nesta única Igreja de Cristo nenhum homem pode ser ou permanecer se não aceitar, reconhecer e obedecer à autoridade e supremacia de Pedro e dos seus legítimos sucessores" e citou o declaração de Lactâncio: "a Igreja Católica é a que retém o verdadeiro culto. Aqui está a fonte da verdade, este é o domicílio da Fé, este é o templo de Deus: se alguém não entrar por ele ou se alguém dele sair, está fora da esperança da vida e salvação". Assim, o Concílio Vaticano II de 1962-1965 declarou: "Qualquer pessoa, [...] sabendo que a Igreja Católica foi tornada necessária por Cristo, recusasse entrar ou permanecer nela, não poderia ser salva". No mesmo documento, o Concílio continuava: "A Igreja reconhece que, de muitas maneiras, está ligada a quantos, sendo batizados, são honrados com o nome de cristãos, embora não professem a fé na sua totalidade ou não preservem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro".Lumen gentium, 15 E num decreto sobre o ecumenismo, Unitatis redintegratio, afirmava: "os católicos reconheçam com alegria e estimem os bens verdadeiramente cristãos, oriundos de um patrimônio comum, que se encontram nos irmãos de nós separados. É digno e salutar reconhecer as riquezas de Cristo e as obras de virtude na vida de outros que dão testemunho de Cristo, às vezes até à efusão do sangue. Deus é, com efeito, sempre admirável e digno de admiração em Suas obras".

A Igreja Católica ensina que a plenitude dos "meios de salvação" existe apenas na Igreja Católica, mas a Igreja reconhece que o Espírito Santo pode servir-se de comunidades eclesiais separadas de si para "impulsionar rumo à unidade católica" e assim, em última análise, levar as pessoas à salvação na Igreja Católica. Ensina que qualquer pessoa que é salva é salva através da Igreja Católica, mas que as pessoas podem ser salvas ex voto e pelo martírio pré-batismal, bem como quando estão presentes condições de ignorância invencível, embora a ignorância invencível em si não seja um meio de salvação.

A teologia católica romana considera os cismáticos formais como fora da igreja, entendendo por "cismáticos formais", "pessoas que, conhecendo a verdadeira natureza da Igreja, cometeram pessoal e deliberadamente o pecado do cisma". A situação, por exemplo, daqueles que foram criados desde a infância num grupo que não está em comunhão com Roma, e que agem de boa fé e mantiveram quase a totalidade da fé ortodoxa, é diferente. Esta visão diferenciada aplica-se especialmente às igrejas do Cristianismo oriental, mais particularmente ainda à Igreja Ortodoxa, embora ainda permaneçam impedimentos doutrinários, como o desacordo sobre a primazia da Sé Romana, a infalibilidade papal, a natureza do Purgatório, as indulgências, a Imaculada Conceição e algumas outras doutrinas importantes.

Ortodoxia A Igreja Ortodoxa Oriental (oficialmente, Igreja Católica Ortodoxa) identifica a sua comunhão confederativa de igrejas ortodoxas como a "Igreja Única, Santa, Católica e Apostólica" do Credo Niceno-Constantinopolitano e aplica este título em documentos conciliares e outros documentos oficiais, por exemplo, nos sínodos de Constantinopla realizados em 1836 e 1838, e na correspondência com o Papa Pio IX (r. 1846–1878) e com o Papa Leão XIII (r. 1878–1903).

Luteranismo A Igreja Luterana se vê como o "tronco principal da histórica Árvore Cristã" fundada por Cristo e pelos Apóstolos, sustentando que durante a Reforma, a Igreja de Roma caiu. A Confissão de Augsburgo encontrada no Livro de Concórdia, um compêndio de crenças das Igrejas Luteranas, ensina que "a fé confessada por Lutero e seus seguidores não é nada nova, mas a verdadeira fé católica, e que suas igrejas representam a verdadeira fé católica ou igreja universal". Quando em 1530 os luteranos apresentaram a Confissão de Augsburgo a Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, eles acreditavam ter "mostrado que cada artigo de fé e prática era verdadeiro, antes de tudo, às Sagradas Escrituras, e depois também aos ensinamentos dos pais da igreja e dos conselhos".

Portanto, a teologia luterana afirma que:

Em particular, os luteranos laestadianistas enfatizam esta crença.

Batistas