As enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 referem-se às inundações que ocorrem no estado brasileiro do Rio Grande do Sul entre o final de abril e início de maio de 2024. O governo gaúcho classificou a situação como "a maior catástrofe climática" da história do estado.

Abril

- Áreas do rio Pardo começam a ser afetadas por fortes chuvas e granizo. - O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emite o primeiro alerta vermelho de volume elevado de chuva. - São registradas as primeiras cinco mortes. Dezoito pessoas estão desaparecidas naquele momento e 77 municípios são considerados impactados pela água. Duas pontes foram destruídas.

Maio

- O Rio Grande do Sul decreta estado de calamidade pública, são registrados mais 5 óbitos, já são 114 municípios e mais de 19 mil pessoas afetadas. Entre as causas das mortes estão descarga elétrica, afogamento e deslizamentos de terra, segundo a Defesa Civil. - O número de vítimas fatais dispara, com 19 novas mortes registradas em 24 horas, totalizando 29 óbitos. Mais de 4.500 pessoas já estão em abrigos em todo o Estado. A Defesa Civil adverte que a barragem da Usina Hidrelétrica (UHE) 14 de Julho, localizada entre Cotiporã e Bento Gonçalves, na Serra do Rio Grande do Sul, está em processo de colapso. Famílias nas áreas de risco começam a ser evacuadas. Na região metropolitana de Porto Alegre, a Defesa Civil alerta que o Lago Guaíba está prestes a transbordar. - Metade do estado já é afetada, contabilizando 265 municípios. As mortes chegam a 39. Além disso, 68 pessoas estão desaparecidas. O Lago Guaíba ultrapassa a marca histórica de 1941 e alcança o nível inédito de 4,77 metros. Isso causa inundações em diversos bairros da capital do estado, Porto Alegre, incluindo o centro histórico. Ainda em Porto Alegre, a rodoviária e os centros de treinamento do Internacional e do Grêmio ficam debaixo d’água. A Defesa Civil alerta para o rompimento parcial da barragem 14 de Julho e adverte que moradores de sete municípios da região devem sair das áreas de risco e procurar abrigos. O órgão também coloca o rio Taquari em situação de inundação severa. No mesmo dia, 2 saídas de Porto Alegre foram danificadas, restringindo a entrada e saídas de pessoas pela zona norte da cidade. - A estatística chegava a 55 mortos e com 74 desaparecidos, superando o número de mortes das enchentes de 2023. Além dos danos a casas e prédios, a infraestrutura pública também havia sido atingida: mais de 400 mil pontos sem energia elétrica e pelo menos 186 municípios sem sinal de internet e telefone, mais de 1 milhão de usuários estavam sem abastecimento de água. - Ja eram conhecidos 78 óbitos e 175 feridos. Já são 341 municípios afetados, ou mais de 840 mil pessoas. Em entrevista coletiva ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Eduardo Leite do estado do rio grande do sul comparou o plano de reconstrução do estado como o Plano Marshall comparando o cenário a um "cenário de guerra". Centenas de ONGs e grupos espontâneos criados por brasileiros em diversos estados do país e no exterior faziam arrecadações em dinheiro e mantimentos de primeira necessidade para envio. - O lago guaíba chega a média histórica de 5,33 metros, ultrapassando 2,33 metros da cota de inundação que é de 3 metros. Já são 85 óbitos confirmados, e 385 dos 497 municípios do estado já foram atingidos de alguma forma. O aeroporto internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, foi fechado por tempo indeterminado. - Os óbitos chegam a 90, e o número de desaparecidos continua a aumentar chegando a 132. O número de desabrigados chegou a quase 160 mil. A intensidade da chuva começou a diminuir, mas o nível dos principais rios continuava elevado, e muitas cidades permaneciam com bairros inteiros sob a água. - Mais 10 óbitos são registrados e chegam a 100, com uma leve queda no número de desaparecidos para 130. Mais de 500 mil pessoas estavam sem água, incluindo 85% da população de Porto Alegre. Uma frente fria chegou ao Estado, derrubando as temperaturas e causando mais chuvas e ventos fortes, além de riscos de raios e trovoadas. - Já somam-se 107 mortos e 136 desaparecidos. Mais de 1,7 milhão de pessoas afetadas, em 425 municípios do estado. Com o desabastecimento, supermercados ficaram lotados de pessoas em busca de água mineral e alimentos básicos; postos de gasolina ficaram desabastecidos após grande procura. Mas o caos também faz muita gente se ver forçada a sair de Porto Alegre. O destino principal é o litoral norte do estado, que não havia sido afetado. As chuvas deram uma trêgua no estado o que permitiu algumas famílias voltarem as suas residências no vale do Taquarí. - O Rio Grande do Sul contabiliza 126 mortos, 141 desaparecidos e 756 feridos. Cerca de 1,9 milhão de pessoas foram afetadas em 441 municípios, com 340 mil tendo que deixar suas casas e 71 mil alojadas em abrigos. O padrão meterológico do dia anterior permanecia e as autoridades começaram o primeiro trabalho de limpeza. - As autoridades locais contabilizam 136 mortos, 125 desaparecidos e 806 feridos. O Estado ultrapassa a marca de 2 milhões de pessoas afetadas em 446 municípios. O Rio Grande do Sul volta a registrar chuvas em vários pontos. O Lago Guaíba havia atingido 4,57 metros, o menor nível desde o início da enchente. No entanto, à noite, o nível começou a subir novamente. Em Porto Alegre choveu entre 25 e 30 m. - O número de mortos subiu para 145 e há 132 desaparecidos. Mais de 600 mil pessoas estão fora de casa. O nível do Guaíba deve subir novamente e pode alcançar 5,50 metros, o que seria um novo recorde. No sul do estado, a Lagoa dos Patos continua a subir. As consequências da enchente começam a avançar para a cidade de Rio Grande, com sua importância portuária nacional. A situação meteriológica varia por todo o estado, porém o frio é predominante por todo território. - Houve outras 3 mortes registradas elevando o número para 148. As chuvas pararam deixando uma onda de frio em todo estado, com regiões registrando geadas como na Serra Gaúcha (que havia sido afetada pelas enchentes) e a região de Campanha (que não havia sido afetada). Municípios como Canoas e Pelotas estão orientando a evacuação de áreas de risco, e nas regiões do Vale do Taquari e Caí, os moradores já precisam sair de casa. Em Porto Alegre, o lago Guaíba está subindo 14 centímetros em quatro horas. - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está indicando um representante do governo federal para atuar de forma permanente no Rio Grande do Sul enquanto dura a calamidade pública no estado, posteriormente o indicado para o cargo foi o Ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta que foi nomeado como Ministro-chefe da Secretaria Extraordinária da Presidência da República de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul. O número de vítimas dos temporais e enchentes que assolam o estado desde o final de abril chegou a 149. O boletim da Defesa Civil ainda registra 112 desaparecidos e 806 feridos. O nível do Guaíba atingiu 5,20 metros na manhã e voltou a avançar sobre ruas em Porto Alegre; uma das áreas afetadas é a do bairro Lami, na Região Sul. São 538,2 mil gaúchos desalojados (em casas de amigos ou parentes) e outros 77,4 mil em abrigos, superando populações de Rio Branco, Macapá, Vitória, Porto Velho, Boa Vista, Florianópolis, Aracaju e Palmas. - O número de mortos manteve-se estável e as chuvas cessaram. O Lago Guaíba registou uma leve queda mantendo-se em 5,21m, 2,21 m a cima da cota de inundação. O frio manteve-se presente, cidades registraram temperaturas entre 1 e 6 graus celsius de mínimas. Em Porto Alegre uma das principais estações de tratamento de água voltou a funcionar e reabastecer parte da população. As localidades no entorno da Lagoa dos Patos continuam em alerta. Em Rio Grande, a água atingiu áreas que anteriormente não haviam sido afetadas, no mesmo dia em que o nível da água atingiu seu máximo desde o início das enchentes na cidade, evento consequência da queda do nível guaíba que desagua indiretamente na Lagoa dos Patos. - Conforme o clima estava estabilizado, novas buscas também registraram novos óbitos que cresceram para 154, em comparação os desaparecidos diminuiram para 88. O Lago Guaíba reduziu seu nivel na cidade de Porto Alegre, atingindo 4,522 metros, faziam dois dias que o nível do lago não abaixava dos 5 metros. Para tentar auxiliar no escoamento da água de dentro da cidade para de volta ao lago, foi derrubada uma comporta do muro de contenção do Caís da Maúa, que já havia sido severamente afetada pela enchente. No vale do Taquarí, as cidades que haviam enfrentado os primeiros problemas da catástrofe começaram a se reconstruir com o escoamento das águas e o cerceamento das chuvas. O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza (MDB), confirmou que o governo planeja a construção de "cidades provisórias" em Porto Alegre, Canoas, Guaíba e São Leopoldo para abrigar as pessoas afetadas pelas enchentes em todo o estado. - Ao todo 461 municípios gaúchos foram diretamente afetados pelos temporais, o que representa 93% das cidades do estado. As inundações que até o momento estavam estabilizadas por conta da estiagem da chuva, começaram a revelar novos problemas em diversas áreas. Na saúde além dos danos diretos das enchentes, o Rio Grande do Sul foi retirado temporariamente a rede de envio e recebimento de órgãos e tecidos para transplantes. O motivo apontado para isso foi o fechamento do Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, o que pode afetar 2,7 mil pessoas que estão na fila por um transplante. Outra consequência foi revelada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MTST), que possui o título de maior produtor de arroz orgânico nacional com seus assentamentos no Rio Grande do Sul, o movimento calcula que o prejuízo do arroz perdido, somado ao que foi gasto como adiantamento em insumos para os produtores, é de R$ 17,6 milhões, além disso, 95 bovinos morreram, perda de animais, pastagens, galpões e leite não entregue é estimada em R$ 2,9 milhões. - Um novo óbito foi registrado, aumentando o número para 155 o número de óbitos total. O Rio Grande do Sul está em alerta para mais inundações e deslizamentos de terra, de acordo com alertas emitidos pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. Em Porto Alegre, moradores de algumas localidades da região central e região norte conseguiram retornar a suas casas, as ruas ficaram tomadas de lixo e móveis sendo retirados de dentro das casas. Manifestações começaram a aparecer no bairro boêmio Cidade Baixa, em móveis descartados foram escritas declarações contra o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo e contra o governador do estado, Eduardo Leite. - A um aumento do número de mortos, com um total de 157 óbitos. Permanecendo 88 desaparecidos e com os trabalhos de busca sendo intensificados pela manutenção do clima estável e sem chuvas. Mesmo com a estabilidade o estado continuou em alerta para uma possivel volta das chuvas. A violência no estado sofreu um aumento significativo, cidades registraram furtos e roubos a lojas, além de roubos de veículos por quadrilhas. Na cidade de Porto Alegre, ônibus foram incendiados em protesto contra a suposta violência policial sofrida por um morador que foi encontrado morto na zona sul da cidade. - O número de óbitos se manteve estável, e as buscas por desaparecidos permaneceram, o clima permaneceu estável e frio. Bombas de sucção são instaladas na cidade de Porto Alegre para auxiliar no escoamento da cidade para de volta ao lago. A preocupação começa a ser com o rescaldo da catástrofe, que pode elevar os casos de doenças, como leptospirose, ou acidentes com animais peçonhentos, como escorpiões.