Este artigo apresenta um histórico dos principais vazamentos ocorridos no Brasil referente a óleo e derivados. Anos com vazamentos registrados19511955196219661967197219741975197619781980198119821983198419851986198719881989199019911992199319941995199719981999200020012002200320042005200820092010201120122013201420152016201720182019202020212022202320242025

1951 Em 24 de janeiro, um vazamento ocorrido no navio petroleiro Cerro Gordo, quando descarregava petróleo e derivados na Ilha Barnabé em Santos (litoral paulista), atingiu o estuário santista e posteriormente pegou fogo.

1955 O primeiro vazamento de gás descontrolado (blowout) da Petrobras já registrado aconteceu no poço AG-13 no campo de Água Grande, localizado no Recôncavo Baiano. Um operário morreu durante o acidente e outros sofreram queimaduras.

1962 Durante etapa de perfuração de um poço de gás, no campo de Mapele na Bahia há cerca de 20 km de Salvador, ocorreu um vazamento de gás descontrolado (chamado de blowout) e uma explosão que queimou o produto durante um ano e meio e alimentou uma chama de 80 metros de altura. As chamas podiam ser vistas até mesmo de Salvador, chegando a clarear parte da região metropolitana. Não houve nenhuma vítima após o acidente, mas todo o reservatório de Mapele se exauriu em 1964 após ocorrer a queima de todo o gás. Este foi considerado um dos maiores blowouts da história da Petrobras.

1966 No dia 10 de maio, um vazamento de gasolina em uma válvula de drenagem no km 19 do oleoduto Rio-Belo Horizonte, na altura do bairro Tinguá em Nova Iguaçu (Rio de Janeiro), provocou um incêndio após entrar em contato com um lampião de uma procissão de fiéis da Igreja Batista. Sete pessoas morreram devido às chamas, que se propagaram pelo leito do rio Tinguá.

1967 Uma colisão do navio petroleiro Quererá com um dos píeres do Terminal Madre de Deus na Bahia, provocou o rompimento de tubulações condutoras de petróleo, gasolina, diesel e gás natural, provocando forte explosão e incêndio que cobriu uma área de quatrocentos metros quadrados no mar. A maré estava em estágio de vazante, o que evitou que o material vazado fosse projetado para mais longe no mar.

1972 No dia 30 de março, um vazamento de GLP de esfera da Refinaria de Duque de Caxias provocou explosão de grande intensidade deixando 42 pessoas mortas e 40 feridos. Cerca de três explosões aconteceram, projetando fragmentos das esferas a quilômetros de distância, tremores foram sentidos na zona norte do Rio de Janeiro e muitas casas tiveram vidros de portas e janelas destruídas pelo impacto.

1974 No dia 29 de julho, ocorreu uma explosão de um tanque de armazenamento de produtos químicos na Ilha Barnabé em Santos, provocou o vazamento de 3,15 m³ de tolueno para o estuário santista, além de provocar a morte de um operário e deixar outras pessoas feridas.

Em agosto, a colisão do navio petroleiro Takimyia Maru em uma rocha submersa no canal de São Sebastião levou ao vazamento de 6 mil m³ de óleo no mar.

1975 Em março, o petroleiro de bandeira iraniana Tarik Iba Ziyad apresentou problemas no casco e provocou derramamento de 6 mil m³ de petróleo na Baía de Guanabara. Uma camada de 10 cm de espessura de óleo cobriu o mar e pegou fogo em certos pontos.

No dia 8 de abril, um vazamento de 30 m³ de querosene ocorreu no oleoduto que distribui o produto da Refinaria Duque de Caxias para o depósito da Shell. O furo que provocou o acidente era de 6 mm e foi causado devido a corrosão. O vazamento atingiu a Praia da Ribeira, na Ilha do Governador, onde fica localizado o terminal da Shell.

1976 Em 26 de fevereiro, um vazamento de nafta ocorreu no oleoduto que liga Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão até a Petroquímica União em Santo André (atualmente unidade da Braskem), sendo seguido de explosões e chamas que atingiram 10 metros de altura. A nafta vazada atingiu um riacho e espalhou as chamas por ele. O incêndio ocorreu na altura do quilômetro 27 da Rodovia Anchieta, próximo à Vila Balneária em São Bernardo do Campo, e atingiu uma área de mais de quatro quilômetros.

1978 Em janeiro, o navio petroleiro Brazilian Marina colide com uma rocha no canal de São Sebastião e provoca vazamento de 6 mil m³ de óleo no mar. Cerca de 20 praias foram atingidas pela mancha de óleo, chegando até mesmo ao sul do Rio de Janeiro.

1980 No dia 6 de junho, ocorreu um descontrole no mecanismo de segurança da sonda marítima de perfuração Discoverer 534 que provocou a explosão de uma nuvem de gás, logo antes da unidade finalizar a atividade de fechamento do poço 1-RJS-130 (o qual não era comercial) no campo de Namorado, Bacia de Campos. A explosão foi seguida de incêndio e feriu 23 pessoas que atuavam na unidade de perfuração, a qual estava localizada a 133 quilômetros de Macaé.

1981 No dia 26 de agosto, um vazamento de vapores contendo ácido sulfúrico, na Refinaria Henrique Lage em São José dos Campos, provocou 9 óbitos e 13 outras pessoas intoxicadas. Após o acidente, a refinaria foi paralisada por seis horas. A causa do evento foi um superaquecimento do fluido que foi transferido para tancagem intermediária, vazando então pelo topo do tanque e se espalhando por uma área de 100 metros.

Em 18 de novembro, um vazamento de cerca de 50 toneladas de óleo de caldeira ou de lastro vazaram do petroleiro grego Anemoe Nelpaieye na baía de Ilha Grande, Angra dos Reis. O acidente ocorreu enquanto ele operava no terminal Tebig da Petrobras, atingindo as praias da Ilha da Jipoia, Ilha dos Porcos, a ponta sul da praia Piraquara. A causa do evento foi indicada como provável erro de manobra operacional.

1982 No dia 8 de janeiro, uma explosão no oleoduto que interliga a Refinaria Presidente Bernardes provocou o vazamento de 200 m³ de diesel próximo à favela do Miranda em Cubatão. A explosão lançou óleo sob alta pressão, lançando pedras, terra e deixando um buraco de 3 metros no solo. O óleo vazado atingiu o leito do Rio Cubatão, estuário de Santos e o largo de São Vicente.

Em 18 de abril, um vazamento de cerca de 477 m³ de óleo combustível ocorreu no oleoduto que liga a Refinaria de Paulínia ao Terminal de Barueri da Petrobras na Grande São Paulo. Metade deste volume foi contida no dique de contenção e o restante atingiu o Rio Atibaia. A mancha de óleo foi derramada na altura da cidade de Campinas, mas atingiu também a cidade de Paulínia e a represa de Americana, onde se localiza a praia do Lago Azul.

No dia 29 de maio, cerca de 100 m³ de nafta e óleo diesel vazaram no Rio Putim, em Guararema, após rompimento do oleoduto que liga a refinaria Henrique Lages ao Terminal de Utinga, em Santo André. A mancha de óleo atingiu também trechos do Rio Paraíba. O evento disparou ações do Grupo de Ação de Emergência da CETESB que colocou barreiras flutuantes para impedir o deslocamento da mancha de óleo.

Em 28 de outubro, Um vazamento de 300 toneladas de óleo cru no Terminal de Guararema atingiu o rio Putim, afluente do Rio Paraíba. Foram instaladas boias para evitar que a chuva fizesse o óleo transbordasse e atingir também o Rio Paraíba, o que poderia afetar o abastecimento de água na região de São José dos Campos.

1983

No dia 31 de agosto, um descarrilhamento de uma locomotiva, que partiu da Refinaria Landulfo Alves com destino ao Terminal Riachuelo em Sergipe, provocou a liberação de cerca de 120 m³ de gasolina na zona urbana de Pojuca. Três vagões tombaram, despejando o combustível que escorreu às margens da linha de trem. Posteriormente acontece uma explosão que causa a morte de aproximadamente 100 pessoas. No dia 14 de outubro, ocorreu o rompimento do oleoduto que interliga a Refinaria Presidente Bernardes com o Terminal Almirante Barroso em São Sebastião. Cerca de 2,5 mil m³ vazaram no acidente, poluindo mangues, praias e costões do Canal de Bertioga. O acidente foi considerado até essa data como o maior vazamento de óleo no litoral brasileiro, atingindo cerca de 100 km quadrados de área costeira contendo mangues.Rodrigues, Fabíola; Moura, Débora; Lamparelli, Cláudia (1989). «Efeitos do óleo nas folhas de mangue». Revista Ambiente. 3 (1)miniaturadaimagem|Atividade de limpeza das praias de Bertioga após o vazamento de 2,5 mil m³ de óleo em 1983 Em 20 de outubro, um vazamento de 200 m³ de gasolina ocorreu no oleoduto que liga a Refinaria Presidente Bernardes em Cubatão, no km 37,5 da via Anchieta (próximo à Represa Billings). Parte do vazamento atingiu o Rio das Pedras, que era responsável por abastecer 5% da Baixada Santista. Em novembro, um acidente de navegação envolvendo as embarcações Carmópolis e Arabean provocou o vazamento de cerca de 300 m³ no canal de São Sebastião, atingindo até mesmo a região de Ubatuba. A extensão da mancha principal atingiu cerca de 8 km de comprimento.

1984

No dia 24 de fevereiro, ocorreu uma das maiores tragédias da baixada santista. Um vazamento de cerca de 700 m³ de gasolina ocorreu no duto que liga a Refinaria Presidente Bernardes (RPBC) ao Terminal da Alemoa em Santos. Um incêndio de grandes proporções atingiu a Vila Socó em Cubatão, matando 93 pessoas. Em 4 de maio, cerca de 200 m³ de gasolina vazaram após rompimento no oleoduto de produtos claros que interliga o Terminal de Barueri com o de Utinga (Santo André). O combustível foi derramado próximo à favela do Jardim Felicidade no Bairro do Campo Limpo (São Paulo), assustando os moradores. A assessoria de imprensa da Petrobras informou que a causa do vazamento seria a construção de um aterro, que foi mal compactado, próximo a uma fábrica na região. O produto jorrou por 15 minutos, até provocar a queda de pressão no terminal de Barueri e o bombeamento ser paralisado automaticamente. Após o acidente, foram improvisados diques de terra para evitar que parte da gasolina atingisse o Rio Pinheiros. No dia 20 de maio, um vazamento de 250m³ de nafta aconteceu próximo à favela Jardim Primavera, zona Sul de São Paulo, levando 2 pessoas a óbito e deixando 2 feridos por intoxicação. A ruptura aconteceu no oleoduto que interliga o Terminal de Barueri com o de Utinga (Santo André). A Petrobras responsabilizou as obras de um aterro da empresa Pirâmides Brasília pelo vazamento, assim como já havia informado após o vazamento ocorrido semanas antes no mesmo oleoduto no bairro Campo Limpo. No dia 4 de junho, o transbordamento de um dique de contenção no Terminal Almirante Barroso provocou o derramamento de 5 m³ de óleo no Córrego do Outeiro, que passa pelo centro de São Sebastião. Um incêndio de grandes proporções iniciou e gerou pânico à população. Cerca de 3 m³ de nafta misturada com diesel vazaram no km 57 da rodovia Piaçaguera-Guarujá a partir de um oleoduto que interliga a refinaria Presidente Bernardes em Cubatão com um terminal de abastecimento de carros tanque. O cheiro do produto chamou a atenção dos moradores, que acionaram os bombeiros da própria refinaria que seguiram imediatamente para o local. De imediato foi desligado o bombeamento do duto e lançada espuma em conjunto com água no local para evitar a ocorrência de uma explosão.

1985

Em março de 1985, o navio Marina colidiu com o píer do terminal de São Sebastião, levando ao derramamento de 2,5 mil m³ de óleo. Praias e costões foram afetadas e as manchas de óleo atingiram Ubatuba e suas ilhas. No dia 12 de maio, o navio cargueiro Jatobá, de propriedade da Petrobras, explodiu no porto de Recife contendo 2 mil toneladas de Gás liquefeito de petróleo (GLP) durante atividade de descarregamento do produto. Após o acidente, o cargueiro foi rebocado em chamas para 4 milhas ao norte do porto, restando ainda 500 toneladas de GLP em seu interior. O porto de Recife teve um prejuízo estimado em Cr$40 milhões devido ao incêndio em dois armazéns, enquanto a Companhia de Armazéns Gerais de Pernambuco sofreu danos na ordem de Cr$100 milhões com a destruição parcial de seu terminal de grãos.