A Diocese do Algarve (Dioecesis Pharaonensis) é uma diocese católica desta região do sul de Portugal, com uma história que remonta ao século IV. É dependente da Arquidiocese de Évora.

História É antiquíssima a história da Diocese do Algarve. O cristianismo teria entrado no território que actualmente corresponde a Portugal pelo Sul, vindo do Norte de África (morada de grandes Padres da Igreja, como Cipriano de Cartago ou Agostinho de Hipona), onde florescia com especial pujança.

A primeira sede da diocese algarvia foi na cidade romana de Ossónoba, que se presume não ser muito longe da actual Faro. Em 304, o bispo Vicente, primeiro prelado de que há registo histórico, assistiu ao Concílio de Elvira, primeira reunião magna do clero peninsular. O bispado manteve-se aí ao longo da dominação visigótica e mesmo muçulmana, continuando a existir um bispo moçárabe na região, tendo no entanto o termo Ossónoba cedido gradualmente lugar a Šanta Maria al-Harun, isto é, Santa Maria de Faro.

Em 1189, com a reconquista de Silves por D. Sancho I de Portugal, foi recriada a diocese de Ossónoba, na dependência da arquidiocese de Braga, seguindo o rito romano dos cristãos do Norte, naquela cidade (e não em Faro, que permanecia em mãos muçulmanas) sendo no entanto destruída logo em 1191, ante o avanço das forças do Califado Almóada. A restauração definitiva da diocese deu-se por instigação de D. Afonso X de Castela, em 1253, na sequência da pretensa doação do Reino do Algarve pelo emir de Niebla ao monarca castelhano; contudo, ao nomear um novo prelado para a diocese, Afonso X envia-o ao seu futuro genro D. Afonso III de Portugal, a fim de o prover no cargo (reconhecendo assim tacitamente a soberania portuguesa sobre o Algarve).

Não obstante, a diocese agora recriada ficava na dependência da Catedral de Sevilha, sendo que só mais tarde se tornou de novo sufragânea de Braga. Em 1394, com a elevação de Lisboa a metrópole eclesiástica, passou Silves a depender da arquidiocese da capital, e não da bracarense.

Os bispos do Algarve iriam permanecer em Silves até ao século XVI. A sua localização no interior da região e o progressivo assoreamento do rio Arade contribuíram para o declínio da cidade, pelo que o prelado algarvio pediu ao Rei e ao Papa a mudança da Sé-Catedral mais para o litoral. Através da bula «Sacrossancta Romana Ecclesia» (20 de Outubro de 1539), Paulo III autorizou a transferência, e nesse sentido D. João III de Portugal procedeu à elevação de Faro, vila litorânea que então conhecia grande incremento económico e demográfico, ao estatuto de cidade, condição imprescindível para a transferência do bispado.

Porém, o regresso da Sé do Algarve à primitiva Igreja de Santa Maria de Ossónoba/Faro (Sé Catedral de Faro) só se efectuou em 30 de Março de 1577, quando era prelado o insigne humanista e teológo Jerónimo Osório. Entretanto, em 1540, com a elevação de Évora à condição de arcebispado, passou a diocese do Algarve a depender desta.

A residência do Bispo de Faro é o Paço Episcopal de Faro, situado no Largo da Sé.

Bispos Diocesanos Bispos de Ossónoba Vicente (306, 314) Itácio Claro (380) Pedro (589) Saturnino (653) Exarno (666) Belito (683) Agrípio (688, 693)

Bispos do Algarve em Silves Bispos encarregados da diocese: D. Nicolau (1189-1191) D. Frei Roberto (1253-1261) D. Garcia (I) (1261-1268) D. Frei Bartolomeu (1268-1292) D. Frei Domingos Soares (1292-1297) D. João (I) Soares Alão (1297-1310/c. 1310) D. Afonso (I) Anes (1312-1320) D. Pedro (I) (1322-1333) D. Frei Álvaro (I) Pais (1333-1352) D. Vasco (1354-1367) D. João (II) (1367-1370) D. Martinho (I) de Zamora (1371-1379), depois arcebispo de Braga e bispo de Lisboa D. Pedro (II) CavaleiroPedro Cavaleiro que havia sido colector apostólico em Portugal no tempo de Gregório XI, O percurso eclesiástico e político de Afonso Domingues de Linhares, bispo da Guarda (1364-1394) (1394-1397), por Mário Farelo, Centro de Estudios Segovianos: Instituto Diego de Colmenares, 2013, pág. 318 (1383) D. Paio Gonçalves de Meira (1384) D. João (III) Afonso de Azambuja (1389-1390), também bispo do Porto, bispo de Coimbra, bispo de Lisboa e cardeal D. Martinho (II) Gil (1391-1401), primeira vez D. João (IV) Afonso Aranha (1404-1407) D. Martinho (II) Gil (1407-1409), segunda vez D. Fernando (I) da Guerra (1409-1414), depois bispo do Porto e arcebispo de Braga D. João (V) Álvaro (1414-1418) D. Garcia (II) de Menezes (1418-1421) D. Álvaro (II) de Abreu (1421-1429) D. Rodrigo (I) (1429-1440) D. Rodrigo (II) Dias ou Rodrigo Diogo (1441-?) D. Luís Pires (1450-1453) D. Álvaro (III) Afonso (1453-1467), depois bispo de Évora D. João (VII) de Melo (1467-1480), depois nomeado arcebispo de Braga D. Jorge da Costa (1481-1485) D. João (VII) Camelo (1486-1501) D. Fernando (II) Coutinho (1501-1538) D. Manuel (I) de Sousa (1538-1545) D. João (VIII) de Melo (1549-1564) D. Jerónimo (I) Osório da Fonseca (1564-1577)

Bispos do Algarve em Faro Bispos encarregados da diocese: D. Jerónimo (I) Osório da Fonseca (1577-1580) D. Afonso (II) de Castelo Branco (1581-1585), também bispo de Coimbra-conde de Arganil e duas vezes vice-rei de Portugal D. Jerónimo (II) Barreto (1585-1589) D. Francisco (I) Cano (1589-1594) D. Fernando (III) Martins de Mascarenhas (1595-1616) D. João (IX) Coutinho (1617-1626) D. Francisco (II) de Menezes (1627-1634) D. Francisco (III) Barreto (1634-1649) Sede vacante D. Francisco (IV) Barreto (1671-1679) D. José (I) de Menezes (1680-1685) D. Simão da Gama (1685-1703), depois arcebispo de Évora D. António (I) Pereira da Silva (1704-1715) D. José (II) Pereira de Lacerda (1716-1738) D. Frei Inácio (I) de Santa Teresa (1741-1751) D. Frei Lourenço de Santa Maria e Melo (1752-1783) D. André Teixeira Palha (1783-1786) D. José (III) Maria de Melo (1786-1789) D. Francisco (V) Gomes de Avelar (1789-1816) D. Joaquim de Sant'Ana Carvalho (1820-1823) D. Frei Inocêncio António das Neves Portugal (1824) D. Bernardo António de Figueiredo (1825-1838) D. António (II) Bernardo da Fonseca Moniz (1844-1854) D. Carlos Cristóvão Genuês Pereira (1855-1863) D. Inácio (II) do Nascimento de Morais Cardoso (1864-1871), depois Patriarca de Lisboa D. António (III) Mendes Belo (1884-1908), depois Patriarca de Lisboa D. António (IV) Barbosa Leão (1908-1919) D. Marcelino António Maria Franco (1920-1955) D. Frei Francisco (VI) Fernandes Rendeiro, OP (1955-1966), depois bispo de Coimbra-conde de Arganil D. Júlio Tavares Rebimbas (1966-1972) D. Florentino de Andrade e Silva (1972-1977) D. Ernesto Gonçalves da Costa (1977-1988) D. Manuel (II) Madureira Dias (1988-2004) D. Manuel (III) Neto Quintas (2004-2026) D. Vitorino José Pereira Soares (2026-Atual)

Vigararias Vigararia de Faro Vigararia de Tavira

Ordens e congregações religiosas No espaço territorial da Diocese do Algarve estão implantadas as seguintes ordens religiosas e institutos de vida consagrada:

Masculinos Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos) Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos) Congregação do Espírito Santo (Espiritanos) Ordem dos Frades Menores (Franciscanos) Companhia de Jesus (Jesuítas) Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas)

Femininos Ordem das Carmelitas Descalças Congregação da Divina Providência e Sagrada Família Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição Congregação das Irmãs de Santa Doroteia Filhas de Maria Auxiliadora Franciscanas Missionárias de Maria Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria Irmãs Carmelitas Missionárias Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena Missionárias da Caridade Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus

Escutismo Escutismo nesta diocese: Região do Algarve

Ver também Sé Catedral de Faro Paço Episcopal de Faro Seminário Episcopal de Faro Sé Catedral de Silves Santuário da Mãe Soberana

Ligações externas

Memorias para a historia ecclesiastica do bispado do Algarve de Silva Lopes.

Algarve Categoria:Fundações em Portugal em 1189

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