A eleição municipal de São José em 2024 ocorreu no dia 6 de outubro em turno único para eleger um prefeito, um vice-prefeito e os dezenove vereadores responsáveis pela administração da cidade. Os mandatos iniciaram em 1° de janeiro de 2025, com previsão de término em 31 de dezembro de 2028.
O prefeito Orvino Coelho de Ávila, do Partido Social Democrático (PSD), estava em seu primeiro mandato e venceu os outros quatro postulantes ao cargo, sendo reeleito com 41,41% dos votos. Dezenove vereadores, dentre estes treze que já estavam no cargo, foram escolhidos para a 21ª legislatura entre 247 candidatos aptos - apesar de ter menos 118 candidatos a vereador em relação a eleição anterior, o número tornou a cidade a sexta do estado com mais candidatos por vaga neste pleito (13,3).
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, São José foi o quarto maior colégio eleitoral de Santa Catarina em 2024, com 191.370 eleitores. Projeções populacionais indicam que esta eleição foi a última sem a possibilidade de segundo turno para o executivo - atualmente, é a maior cidade catarinense onde a eleição é feita em turno único.
Eleitorado Em junho de 2024, São José contava com 191.370 pessoas aptas a votar, um aumento de 12% no eleitorado em relação à última eleição municipal, em 2020, com a cidade ganhando 20.553 eleitores desde então. Caso repita ao menos a metade desse crescimento até 2028, São José teve sua última disputa em turno único em 2024, visto que para entrar para a lista de cidades brasileiras que podem ter segundo turno são necessários 200 mil eleitores. Os eleitores representavam 71% da população total da cidade, que de acordo com o Censo 2022 era de 270.299 habitantes.
A cidade é dividida em duas zonas eleitorais (29ª, que inclui a cidade vizinha de São Pedro de Alcântara, e 84ª). Os eleitores tiveram até o dia 8 de maio para fazer a 1ª via ou a regularização do título junto ao cadastro biométrico. Cinco novos locais de votação foram adicionados e um retirado, dois locais foram alterados e um transferido emergencialmente próximo a data do pleito.
Contexto político
Eleição municipal anterior
A última eleição municipal em São José, que foi disputada num cenário de polarização política e em meio a pandemia de COVID-19, terminou com a vitória de Orvino Coelho de Ávila, que obteve 26.897 votos. O candidato do Partido Social Democrático (PSD), apoiado pela então prefeita Adeliana Dal Pont, conseguiu 26,57% dos votos válidos, 11.111 a mais que o segundo colocado, Fernando Anselmo, do então Partido Social Liberal (PSL), que teve 15,59% dos votos válidos. Nove candidatos disputaram a prefeitura e 365 candidatos tentaram uma vaga na Câmara Municipal, um dos maiores números de postulantes da história.
Com a vitória, Orvino deixou o cargo de vereador, que ocupava a 44 anos - era o recordista do Brasil até então - e o PSD chegou a doze anos a frente do executivo josefense, com os oito anos de Adeliana e quatro de Orvino, além de ser manter como o maior partido da Câmara com seis cadeiras, além de outras cinco para partidos da coligação do prefeito. Nesta eleição também foram eleitos os primeiros vereadores do Patriota e do Partido Novo. O Partido dos Trabalhadores não conseguiu uma cadeira pela segunda eleição seguida, apesar da décima candidata mais votada ser petista, devido ao quociente eleitoral.
Reflexos do cenário estadual e nacional Os resultados da eleição de 2022 mostraram que, apesar da derrota na disputa presidencial, o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados tem muita força na cidade, que é estratégica por estar entre as maiores de Santa Catarina. No segundo turno, Bolsonaro teve 63,17% dos votos em São José contra 36,83% do vencedor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No âmbito estadual, Jorginho Mello e Jorge Seif, ambos do Partido Liberal (PL), o mesmo de Bolsonaro, venceram as disputas pelo governo e pela cadeira no Senado Federal, respectivamente.
O governador Jorginho, também presidente estadual do PL, passou a comandar as articulações por candidaturas no estado. Um nome forte que já se colocava como pré-candidato possível era Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal durante o governo Bolsonaro, entre 2021 e 2022. Tendo passado parte da infância e juventude na cidade, Silvinei já tinha sido secretário de segurança em São José entre 2007 e 2008, durante o governo de Fernando Elias. Ele se preparava para uma possível candidatura quando foi preso em Florianópolis no dia 9 de agosto de 2023, no âmbito de uma investigação sobre interferências nas eleições gerais de 2022. Com isso, seu nome perde força e ele desiste da disputa.
Rompimentos e disputas entre aliados Com a impossibilidade de contar com Silvinei Vasques, o nome escalado por Jorginho Mello para a disputa em São José pelo PL acabou sendo o da ex-prefeita Adeliana dal Pont, que concorreu para o cargo de prefeita em 2008, 2012 e 2016, tendo vencido as duas últimas pelo PSD e ajudando a eleger, em 2020, o atual prefeito Orvino Coelho de Ávila como continuidade de sua gestão. Entretanto, Adeliana e Orvino romperam desde a última eleição, com ela deixando o PSD para migrar para o PL sob o apoio de Jorginho alguns dias após a prisão de Silvanei. Esse movimento foi parecido com a saída dela do MDB para o PSD nas eleições de 2012.
Com a aparente força da tendência conservadora, Orvino, visando sua reeleição, passou a também se aproximar do campo bolsonarista, seja com medidas políticas, como a compra de fuzis para a Guarda Municipal, quanto com a aproximação de nomes como os deputados federais Eduardo Bolsonaro e Júlia Zanatta - esta última, em especial, faz parte de um núcleo mais ideológico do PL catarinense que não concordou com a indicação de Adeliana. Este núcleo fez com que a ex-prefeita tivesse algumas dificuldades em associar seu nome ao conservadorismo, incluindo um episódio onde o ex-presidente Jair Bolsonaro não quis ficar no palanque com ela após ficar sabendo que Adeliana o criticou no contexto da pandemia de COVID-19 no Brasil. Após articulações de Jorginho e seus aliados, uma trégua foi estabelecida entre Zanatta e Adeliana, e Bolsonaro se encontrou com a ex-prefeita e declarou seu apoio. Orvino, por sua vez, conseguiu o apoio de Silvanei, antes cotado como seu rival eleitoral e ainda filiado ao PL de Jorginho e Adeliana. Após a eleição, ele se tornou secretário de Orvino e se filiou ao PSD do prefeito.
Frente por uma "terceira via" alternativa Para além da rivalidade entre o prefeito e sua antecessora e suas disputas pela mesma parcela ideológica da população, outros três candidatos corriam por fora visando conquistar o eleitorado, visto que, uma vez que São José não tem segundo turno, seria possível vencer mesmo com votações bem menores que 50% mais um, como demonstrado na eleição de 2020. O ex-vereador Moacir da Silva, que foi um dos postulantes em 2020 pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), foi o escolhido para ser o candidato de uma frente alternativa a Adeliana e Orvino, que, no entendimento dos partidários desta frente, representavam o mesmo grupo de poder. Ele passou para o Podemos e disputou numa coligação com seu ex-partido, além do PRD e do PRTB. Um dos seus aliados no PDT comparou esta eleição josefense com a eleição legislativa francesa onde a vitória da Nova Frente Popular veio através de uma aliança informal para derrotar a extrema-direita. A coligação também teve conversas com outros partidos antes de ser formada, como o PT e o PSB, mas acabaram sendo feitas duas coligações.
Após nomes como Rosaura Rodrigues e Fabricio Colombo serem cotados, o Partido dos Trabalhadores (PT) lançou o nome do ex-vereador Antônio Battisti como candidato. No dia 11 de julho, Battisti comunicou ao PT que desistiria da disputa por questões de saúde. Ele acabou voltando atrás mais tarde e foi mantido como o candidato do partido, que além da disputa no executivo tinha como meta retornar a câmara após dois pleitos sem eleger vereadores na cidade e cuja Federação Brasil da Esperança se coligou com o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Essa foi a terceira disputa de Battisti, que também se candidatou em 1996 e 2016. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) tinha cotado nomes como Angela Albino, ex-deputada estadual e federal e candidata a prefeita de Florianópolis por três ocasiões, e Jhonatan Cardoso, que chegou a ser listado como pré-candidato, mas no fim indicou o vice de Battisti, Marinho.
Outros nomes que chegaram a cotados como pré-candidatos foram Sargento Zenon, do Democracia Cristã, e o ex-deputado estadual Bruno Souza, que foi convidado a mudar seu domicílio eleitoral e se lançar candidato por São José, mas acabou se desfiliando do Partido Novo após desavenças neste processo. O partido acabou lançando a empresária Vanessa Milis para prefeita e o também empresário Victor Souza como vice em chapa pura.
Candidatos a prefeito Conforme o sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral.
Prefeito(a)Vice-prefeito(a)Coligação Partido(s)Candidato(a)Partido FederaçãoOcupaçãoCandidato(a)Partido FederaçãoOcupação22142x142pxAdeliana Dal PontPL Engenheira Ex-prefeita de São José (2013-2020)148x148pxThiago Paiva Ramos (Pastor Thiago)PL EmpresárioPra cuidar de São José Avante, PL, PP, 13151x151pxAntônio Luiz BattistiPT Federação Brasil de Esperança Servidor público civil aposentado Ex-vereador de São José (2001 a 2012)149x149pxMário Dias (Marinho)PCdoB Federação Brasil de Esperança Servidor público civil aposentadoFrente São José da Mudança Federação Brasil de Esperança (PT, PCdoB e PV) e PSB20141x141pxMoacir da SilvaPODE Administrador Ex-vereador de São José (2008 a 2020)140x140pxFabiana Cristina da Silveira PereiraPRD AdvogadaSão José Pode Muito Mais PDT, PRD, PRTB, PODE55149x149pxOrvino Coelho de ÁvilaPSD Prefeito de São José (2021-atualmente)139x139pxMichel da Silva SchlemperMDB Vice-prefeito de São José (2021-atualmente)Em São José o trabalho não para PSD, MDB, Republicanos, UNIÃO30139x139pxVanessa Milis VieiraNOVO Empresária139x139pxVictor Alexandre de SouzaNOVO EmpresárioSem coligação
Candidatos a vereador A regra eleitoral permitia que um partido ou federação indicasse uma chapa que contivesse, no máximo, 100% das vagas em disputa mais 1, que no caso de São José eram 20 candidatos. Dos 257 nomes que se candidataram, 10 foram considerados inaptos. A tabela a seguir considera apenas candidatos aptos e foi extraída do sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral. Desde a promulgação da Emenda Constitucional nº 97/2017, a coligação em eleições proporcionais não existe mais no Brasil, estando na tabela apenas para facilitar a visualização.
Coligação ao executivoPartido ou federaçãoCandidatosEm São José o trabalho não para (77 candidatos)MDB20PSD20Republicanos17UNIÃO20Pra cuidar de São José (60 candidatos)Avante20PL20PP20São José Pode Muito Mais (57 candidatos)PDT19PRD17PRTB13PODE8Frente São José de Mudança (18 candidatos)FE Brasil18PT16PCdoB2Partidos e federações não coligadas (35 candidatos)NOVO16DC15Fed. PSOL REDE4PSOL4Total247
Debates Foram realizados dois debates, transmitidos via rádio e pela internet. Pelas regras eleitorais, as organizadoras foram obrigadas a convidar todos os candidatos cujo partido tenha cinco ou mais parlamentares no legislativo federal - das chapas em São José, apenas o Partido Novo não chegou a esse número no prazo, o que levou a candidata Vanessa Milis a não ser convidada para o debate da rádio CBN Floripa e do portal NSC Total. Além dela, outra ausência foi a do candidato a reeleição Orvino, que não compareceu em ambos os debates. DataOrganizador(es)MediaçãoAdeliana (PL)Battisti (PT)Moacir (PODE)Orvino (PSD)Vanessa (NOVO)Ref.9 de agostoJovem Pan News FlorianópolisEmanuel Soares10 de agostoCBN Floripa / NSC TotalRaphael Faraco
Pesquisas eleitorais