Bananada é um festival de música brasileiro de pop rock que ocorre anualmente, desde 1999, em Goiânia, Goiás. Foi criado pelo produtor cultural e vocalista da banda MQN (Make U Naked) Fabrício Nobre, que queria divulgar a sua banda e outras bandas do seu selo musical (Monstro Discos).
O nome "Bananada" é uma homenagem divertida à tradicional culinária goiana (a Bananada de Goiás) e, ao mesmo tempo, uma ironia com o formato "festival", buscando subverter a seriedade dos grandes eventos.https://opopular.com.br/magazine/fundador-do-bananada-relembra-a-trajetoria-do-festival-1.2185244
História e Significado Cultural O Festival nasceu no contexto de uma cena musical goiana rica e autoral, mas ainda carente de grandes plataformas de visibilidade. Embora inicialmente focado em bandas de rock e indie do Centro-Oeste, o evento rapidamente ganhou notoriedade nacional ao promover um intercâmbio cultural inédito entre artistas de todas as regiões do país, sendo citado pela imprensa especializada como um "núcleo de resistência" em um estado tradicionalmente associado ao sertanejo.
O Bananada evoluiu de um festival puramente rock and roll para um evento que celebra o transculturalismo, integrando em sua programação gêneros musicais diversos, como rap, funk, MPB, pop e eletrônica. Essa diversidade reforçou sua bandeira de existência e resistência cultural, social e política, oferecendo um espaço para artistas com discursos de representatividade e inclusão, como o rap feminino e artistas da cultura afro-brasileira.
Em suas edições, o festival demonstrou sua capacidade de mesclar ícones da música brasileira com a vanguarda independente, apresentando em seus palcos nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Os Mutantes, ao lado de bandas de destaque da nova geração, como Boogarins (oriunda de Goiânia), BaianaSystem e Francisco, el Hombre. O evento também se expandiu além dos shows, incorporando outras atividades culturais, como gastronomia, feiras, workshops e exposições em diversos locais da cidade, como o Centro Cultural Oscar Niemeyer.
Reconhecimento e Impacto O Festival Bananada é amplamente reconhecido pela crítica especializada e pela imprensa nacional, como a revista Rolling Stone Brasil, como um dos mais importantes festivais da cena independente do país. A sua longevidade (mais de 20 anos) e sua relevância consolidaram Goiânia como um polo significativo para o rock e a música autoral.
O festival tem um impacto relevante para o cenário musical:
Divulgação e Intercâmbio: Serve como vitrine para novos artistas, proporcionando a oportunidade de se apresentarem para públicos e produtores de todo o país. Diversidade e Representatividade: É notável por promover a inclusão de diferentes gêneros e discursos, destacando a força da música produzida em Goiás e promovendo o diálogo com a produção nacional. Plataforma de Crescimento: Várias bandas que hoje têm projeção nacional tiveram participações decisivas nas primeiras edições do Bananada.
Edições
1ª Edição (1999) A primeira edição do Festival Bananada foi realizada em 1999 em Goiânia, Goiás. O evento nasceu da necessidade de dar visibilidade às bandas da efervescente cena local, que se sentiam marginalizadas pelo cenário mainstream do rock nacional.
A primeira edição foi totalmente underground e itinerante. As apresentações ocorreram em espaços reduzidos, como o Bar do Fabrício e outros locais alternativos e casas de shows de Goiânia. Essa característica inicial moldou o Bananada como um festival que valorizava a intimidade e a proximidade com o público.
O público era majoritariamente composto por músicos locais, amigos, e entusiastas do rock goiano, refletindo a natureza do-it-yourself (DIY) e a comunidade inicial do festival.
O line-up da edição inaugural foi quase que inteiramente composto por bandas do cenário de Goiânia, a maioria ligada ao selo Monstro Discos. A banda MQN (Make U Naked), do próprio fundador do festival, Fabrício Nobre, foi um dos principais nomes a se apresentar, simbolizando a base criativa do evento. A banda Prot(o) foi outro nome seminal da cena local, com uma sonoridade experimental e influências post-rock, ajudando a definir a identidade sonora do festival.
O palco inicial do Bananada revelou e celebrou bandas como Motherfish, Violins, Hang the Superstars, e outras que pavimentariam o caminho para o "Rock de Goiânia" ser reconhecido nacionalmente.
2ª Edição (2000) O ano de 2000 marcou a segunda edição do festival, mantendo o foco em construir uma cena forte em Goiânia, mas já esboçando os primeiros passos em direção à projeção nacional. Essa edição manteve o caráter descentralizado e underground do ano de estreia. As apresentações ocorreram em locais alternativos e casas de shows de menor porte em Goiânia, como o extinto Teatro Goiânia. Esta foi a última edição a ocorrer dessa maneira, antes da mudança definitiva para o Martim Cererê.
O line-up continuou a ser dominado por bandas do rock goiano, a maioria ligada ao selo Monstro Discos. O destaque ficou por conta dos primeiros intercâmbios consistentes com a cena indie de São Paulo e de outras regiões. As bandas MQN, Prot(o), e Supersônicos foram presenças garantidas.
O festival começou a trazer artistas de peso de fora do rock mais tradicional, como a rapper paulistana Flora Matos (em início de carreira), já mostrando a vocação do Bananada para a diversidade de gêneros que se acentuaria nos anos posteriores.
O evento seguiu com o formato de showcases com foco em descobrir talentos. O público ainda era composto majoritariamente pela comunidade indie e universitária de Goiânia, mas já com a presença de músicos e produtores de outras capitais em busca de novidades.
3ª Edição (2001) A edição de 2001 é considerada um divisor de águas, pois o festival encontrou o lar que o consagraria e permitiu sua expansão. O festival mudou-se para o Centro Cultural Martim Cererê, em Goiânia. Esta foi a primeira vez que o Bananada foi realizado neste complexo de teatros e espaços abertos, que se tornaria a sede do evento por mais de uma década. A mudança garantiu a estrutura necessária para receber um público maior e um line-up mais extenso.
O foco ainda estava na cena indie e underground brasileira, com grande ênfase nas bandas ligadas ao selo Monstro Discos e ao eixo Rio-São Paulo-Goiânia. MQN, Prot(o), Supersônicos, Hang the Superstars, Carbona, Low Tech All Stars, Irmãos Rocha, Mechanics e Bois de Gerião estavam entre os principais nomes.
O evento cresceu, passando a ser percebido não apenas como uma festa de amigos, mas como um festival de música sério. O público aumentou significativamente em relação aos dois primeiros anos, adaptando-se ao novo formato no Martim Cererê. A consolidação no Martim Cererê permitiu que o Bananada começasse a atrair a atenção da mídia especializada nacional, saindo do circuito estritamente goiano e preparando o terreno para a internacionalização no ano seguinte.
4ª Edição (2002) A edição de 2002 é histórica por ter sido o ano em que o festival deixou de ser um evento exclusivamente nacional e recebeu suas primeiras atrações estrangeiras. Foi realizado no Centro Cultural Martim Cererê.
Foi a primeira edição com bandas internacionais, que colocou o Bananada no mapa global dos festivais indie. As atrações estrangeiras vieram dos Estados Unidos.
5ª Edição (2003) A quinta edição, realizada em 2003 no Centro Cultural Martim Cererê, demonstrou que o Bananada era uma plataforma aberta à diversidade de estilos, indo além do indie rock tradicional de Goiânia. Nessa edição o festival atraiu aproximadamente 3 mil pessoas ao longo de três noites.
36 bandas se apresentaram, dentre elas Garotos Podres, lenda do punk rock nacional, BNegão, apresentando seu trabalho solo (hip-hop e funk com influências brasileiras) e Jorge Cabeleira e o Dia em que Todos Seremos Inúteis, representando a cena manguebit e pernambucana. Além dessas atrações, apresentaram-se a banda MQN (GO), Namoska (GO), Móveis Coloniais de Acaju (DF), Pipodélica (SC), Forgotten Boys (SP), Flores Indecentes (GO), The Not Yet Famous Blues Band (GO), Trissônicos (GO), Prot(o), Pata de Elefante (RS), Multisofá (MG), Os Reaças (GO), Mechanics (GO), Hang the Superstars (GO), Garotos Podres (SP), Jess Saes (RJ) e outros
6ª Edição (2004) A edição de 2004 do festival foi realizada entre os dias 21 e 23 de maio. O festival mudou temporariamente do Centro Cultural Martim Cererê para o Jóquei Clube de Goiás, em Goiânia.
O line-up de 2004 contou com a presença da banda de indie rock liderada por Evan Dando, a The Lemonheads. All Systems Go foi outra banda norte-americana que participou do festival. Outras bandas também se destacaram: Thee Butchers Orchestra (SP), MQN (GO), Wander Wildner (RS), Devotos (PE) e Edur Ebelp. O festival apresentou um total de 40 bandas, sendo 20 em cada palco ao longo dos três dias.
7ª Edição (2005) Em 2005, o festival manteve a as apresentações no Martim Cererê. O festival continuou a ser uma vitrine para a nova safra do indie e do hardcore brasileiro.
A atração principal foi a banda Ratos de Porão, um ícone do crossover thrash e hardcore punk brasileiro. O festival também incluiu bandas como Blind Pigs e Dead Fish.
8ª Edição (2006) A edição de 2006, também realizado no Martim Cererê, entre os dias 19 e 21 de maio, marcou um momento em que o Bananada começou a mesclar o underground com nomes já bem estabelecidos e vanguardistas do pop rock brasileiro.
A programação destacou uma nova safra talentosa, incluindo The Rockfellers, Barfly, Señores, Pelúcias, Trissônicos, Lake, Iscariot, RPDC, Bang Bang Babies, Sangue Seco e Johnny Suxx n' the Fucking Boys.
O Bananada 2006 serviu de palco para o lançamento de novos discos de bandas conhecidas nacionalmente: Dead Rocks (SP), Mustang (RJ), Bois de Gerião (DF) e Pelebrói Não Sei (PR)
A programação trouxe bandas de diversas regiões, muitas delas estreando nos festivais da Monstro Discos, como Sangria (BA), Os Boonies (RN), The Feitos (RJ) e Porcas Borboletas (MG).
9ª Edição (2007) A edição de 2007 do festival ocorreu entre os dias 18 e 20 de maio no Martim Cererê e ficou marcada por uma forte presença de hard rock, garage e pelo aprofundamento do intercâmbio com bandas internacionais e de diversas regiões do Brasil. O foco foi em bandas com sonoridade mais intensa e agressiva, sem perder a qualidade indie.
O festival trouxe a banda Born a Lion de Portugal, reforçando o intercâmbio com a cena lusófona. O Devotos (de Pernambuco) e o Graforréia Xilarmônica (do Rio Grande do Sul) foram os grandes nomes que representaram o punk rock e o rock clássico do Brasil.
O palco de domingo contou com o Daddy-O Grande & The Dead Rocks, um projeto que unia músicos dos EUA e de São Paulo.
O line-up dessa edição teve diversas bandas, como Devotos (PE), Coletivo Rádio Cipó (PA), Super Hi-Fi (RJ), Valentina (GO), MQN (GO), Trissônicos (GO), Daddy-O Grande & The Dead Rocks (EUA e SP), Graforréia Xilarmônica (RS), Banzé (SP), 2fuzz (CE), Rockz (RJ), Mezatrio (AM) e muitas outras.
10ª Edição (2008) A edição de 10 anos do Bananada, realizada em 23 de maio de 2008, celebrou o crescimento com uma programação diversificada e pop. Como nas edições passadas, foi realizado no Centro Cultural Martim Cererê.
O line-up celebrou o aniversário com a volta de bandas clássicas e a presença de novos hits, com a presença de Pato Fu, banda de pop rock alternativo de Minas Gerais, Móveis Coloniais de Acaju e Banda Tereza (do Rio de Janeiro). A cena local foi novamente bem representada por Black Drawing Chalks e Lêda Catunda.
O evento de 2008 manteve o formato de workshops e oficinas, consolidando o Bananada não apenas como um festival de shows, mas como uma plataforma de educação e mercado para músicos independentes.
11ª Edição (2009) A edição de 2009 manteve a força do festival no Martim Cererê, ocorreu entre os dias 22 e 24 de maio,