All-Negro Comics foi uma revista em quadrinhos americana de 1947 que representa a primeira publicação conhecida escrita e desenhada exclusivamente por roteiristas e artistas afro-americanos. A iniciativa pode ser comparada aos chamados race films, produções cinematográficas voltadas ao público negro, feitas entre as décadas de 1910 e 1950,Mattos, A. C. Gomes de. A Outra Face de Hollywood: Filme B. [S.l.]: Rio de Janeiro: Rocco. ISBN 85-325-1496-0 e ao cinema blaxploitation dos anos 1970.
Editada por Orrin Cromwell Evans, a antologia em quadrinhos teve apenas uma edição, com circulação e vendas limitadas.
Em 2025, a editora brasileira Clio lançou um campanha de financiamento coletivo na platforma Catarse para publicar pela primeira vez no país, a edição contou com tradução do historiador e pesquisador de quadrinhos africanos, afro-brasileiros e afro-americanos.
Histórico de publicação O jornalista afro-americano Orrin Cromwell Evans foi "o primeiro redator negro a cobrir pautas gerais para um jornal branco de grande circulação nos Estados Unidos" quando ingressou na equipe do Philadelphia Record. Reprinted from Comics Buyer's Guide February 28, 1997, pp. 32, 34, 37-38. Article includes reprinted editorial page "All-Negro Comics: Presenting Another First in Negro History" from All-Negro Comics #1 Evans era membro da NAACP e um forte defensor da igualdade racial. Após o fechamento do Record em 1947, Evans pensou em usar o meio dos quadrinhos para destacar ainda mais "a esplêndida história do jornalismo negro".
Evans fez parceria com o ex-editor do Record Harry T. Saylor, o editor esportivo Bill Driscoll e mais duas pessoas para fundar a editora All-Negro Comics, Inc., na Filadélfia, com ele mesmo como presidente.
Em meados de 1947, a empresa publicou uma edição de All-Negro Comics, uma revista em quadrinhos de 48 páginas no formato padrão, com capa colorida brilhante e miolo em papel jornal. O copyright foi registrado em 15 de julho de 1947, com data de edição de junho de 1947.Catalog of Copyright Entries. Third Series: 1947, Library of Congress, Copyright Office, p. 10 Sua tiragem e distribuição são desconhecidas. Diferente de outras revistas em quadrinhos da época, foi vendida por 15 centavos em vez dos tradicionais 10 centavos.
Segundo o escritor Tom Christopher, Evans
"...co-criou as histórias da revista junto com os artistas, que incluíam seu irmão, George J. Evans Jr.; dois outros cartunistas da Filadélfia, sendo um deles John Terrell e o outro chamado Cooper; além de um artista de Baltimore que assinava como Cravat. Provavelmente, os cartunistas escreviam seus próprios roteiros, com contribuições editoriais adicionais de Bill Driscoll."
Como observa um historiador cultural sobre a época:
"Embora houvesse algumas imagens heroicas de negros criadas por negros, como a tira de quadrinhos Jive Gray e All-Negro Comics, essas imagens não circulavam fora das comunidades negras segregadas no período pré-direitos civis."Carpenter, Stanford W. "Imagining Just Them, Just Us, or a Just Society: Creating Black Characters for the Justice Society of America Comic Book", Chapter 14 in Agorsah, E. Kofi, and G. Tucker Childs, Africa and the African Diaspora: Cultural Adaptation and Resistance (AuthorHouse, 2005),
Evans tentou publicar uma segunda edição, mas não conseguiu comprar o papel jornal necessário. Um autor acredita que Evans foi impedido de fazê-lo por distribuidores preconceituosos, assim como por editoras concorrentes de donos brancos (como a Parents Magazine Press e a Fawcett Comics), que começaram a lançar seus próprios títulos com temas afro-americanos.
O Official Overstreet Comic Book Price Guide, referência padrão da área, considera a edição única como "rara" e observa: "Raramente encontrada em bom ou ótimo estado; muitas cópias têm páginas amareladas."
Em 2022, o roteirista de quadrinhos Chris Robinson financiou com sucesso uma campanha no Kickstarter para remasterizar e republicar a revista. A edição reimpressa venceu o Prêmio Eisner de Melhor Coleção/Projeto Arquivístico — Quadrinhos em 2024.
Conteúdo A revista Time, em 1947, descreveu All-Negro Comics como "a primeira desenhada por artistas negros e povoada inteiramente por personagens negros". Ao descrever a história principal, Ace Harlem, disse:
"Os vilões eram dois assaltantes negros de terno zoot e fala gíria, cuja presença em qualquer outro gibi poderia ter gerado queixas de 'distorção' racial. Como era tudo dentro da comunidade, Evans achava que os leitores negros não se importariam."
O protagonista Ace Harlem era um detetive afro-americano. Já os personagens da história Lion Man and Bubba foram criados para inspirar o orgulho do povo negro em sua herança africana.
Histórias
Página editorial introdutória: All-Negro Comics: Presenting Another First in Negro History (Apresentando mais uma inovação na História Negra) Ace Harlem – história de detetive desenhada por John Terrell. A estrutura e o estilo da narrativa lembram os detetives das tiras de aventura da época, como Dick Tracy. Sua presença nas páginas de All-Negro Comics antecipa personagens como Shaft, o famoso detetive negro do cinema blaxploitation dos anos 1970, sendo um dos primeiros exemplos de um herói urbano afro-americano forte, inteligente e autossuficiente em posição de protagonismo. The Little Dew Dillies – história infantil com criaturas querubins que só bebês podem ver e ouvir, desenhada por Cooper Ezekiel's Manhunt – conto ilustrado de aventura infantil com duas páginas Lion Man and Bubba – estrelada por um afro-americano universitário enviado pela ONU a um depósito de urânio na Costa do Ouro, na África, onde adota o órfão Bubba. Desenhado por George J. Evans Jr. (sem relação com o artista branco George Evans). Um autor moderno comentou que Lion Man "usava o obrigatório colante de super-herói", embora capa e páginas mostrem-no de tanga. A figura de Lion Man pode ser interpretada como uma resposta direta a Tarzan e aos chamados tarzanides, heróis brancos que se tornavam "reis da selva", frequentemente retratados como superiores aos povos africanos. Hep Chicks on Parade – gags ilustradas com mulheres estilizadas em roupas exageradas, assinadas por "Len" Lil' Eggie – por Terrell, sobre o marido submisso Egbert e sua esposa Sugarfoot – história de humor desenhada por Cravat, estrelando os músicos viajantes Sugarfoot e Snake Oil tentando conquistar a filha de um fazendeiro. Segundo o editorial de Evans, os criadores queriam "resgatar o humor quase perdido do adorável negro andarilho dos tempos antigos" Remember — Crime Doesn't Pay, Kids! – aviso de utilidade pública em uma página com Ace Harlem e anúncio da próxima edição Galeria
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