Em 7 de janeiro de 1989, Ruhollah Khomeini, líder supremo do Irã, enviou uma carta a Mikhail Gorbatchov, o Secretário-Geral da União Soviética. Esta carta foi a única mensagem escrita de Khomeini a um líder estrangeiro. A carta de Khomeini foi entregue pelos políticos iranianos Abdollah Javadi Amoli, Mohammad-Javad Larijani e Marzieh Hadidchi. Na carta, Khomeini declarou que o comunismo estava a dissolver-se no bloco soviético, e convidou Gorbatchov a considerar o Islã como uma alternativa à ideologia comunista.

Carta a Gorbachev Ruhollah Khomeini escreveu a Mikhail Gorbatchov em 3 de janeiro de 1989. Em 7 de janeiro, os representantes de Khomeini, Abdollah Javadi Amoli, Mohammad-Javad Larijani e Marzieh Hadidchi, foram a Moscou para entregar oficialmente a carta. Autoridades soviéticas encontraram a delegação iraniana no aeroporto. Gorbachev então se encontrou com os representantes iranianos por aproximadamente duas horas, onde um intérprete traduziu a carta para Mikhail Gorbachev e seus colegas. Quando alguma parte da carta não estava clara, o intérprete pediu que a delegação iraniana esclarecesse. Gorbachev ouviu educadamente e tomou nota do seu conteúdo. O conteúdo da carta foi mantido em segredo, e por isso os funcionários soviéticos não sabiam que era um convite para considerar o Islã.

Conteúdo Em sua carta, Khomeini parabenizou Gorbachev, dizendo que ele demonstrou bravura ao lidar com o mundo moderno e elogiou sua reconstrução dos princípios soviéticos. Ele sugeriu o islamismo como uma alternativa à ideologia comunista e recomendou filósofos muçulmanos como ibne Arabi, Avicena e Alfarábi .

A carta incluía uma previsão sobre o fim do marxismo e o colapso do comunismo. Khomeini declarou: "Sr. Gorbachev! É claro para todos que, de agora em diante, o comunismo só terá que ser encontrado nos museus da história política mundial, pois o marxismo não pode atender a nenhuma das necessidades reais da humanidade. O marxismo é uma ideologia materialista e não pode tirar a humanidade da crise causada pela falta de crença na espiritualidade, a principal aflição da sociedade humana no Oriente e no Ocidente." Khomeini alertou Gorbachev "para não cair nos braços do capitalismo ocidental." Khomeini acrescentou ainda na carta que: "O principal problema que seu país enfrenta não é a propriedade privada, a liberdade e a economia; seu problema é a ausência de verdadeira fé em Deus."Showdown with Nuclear Iran: Radical Islam's Messianic Mission to Destroy Israel and Cripple the United States, Michael D. Evans, Thomas Nelson, p. 188

Reação de Gorbatchov Após ouvir o texto da carta, Gorbachev agradeceu a Ruhollah Khomeini pela carta e disse: "Enviarei uma resposta a esta carta o mais rápido possível" e acrescentou: "Entregaremos [a carta de Khomeini] aos clérigos soviéticos". Referindo-se ao convite de Khomeini ao islamismo, ele disse: "Estamos aprovando a lei da liberdade religiosa na União Soviética. Já afirmei antes que, apesar de termos ideologias diferentes, podemos ter um relacionamento pacífico". Ele então sorriu e disse: "O Imame Khomeini nos convidou para o Islã; temos que convidá-lo para nossa escola de pensamento?" Então ele acrescentou: "Este convite é uma interferência na questão interna de um país porque cada país é livre para selecionar sua escola de pensamento".

Após ouvir a resposta de Gorbachev, o aiatolá Amoli, chefe dos representantes iranianos, agradeceu a Gorbachev por sua atenção. Ele disse: "...nós prezamos a liberdade religiosa e esperamos uma condição amigável para que todas as pessoas possam conviver entre si, visto que cada uma tem suas próprias escolas de pensamento. Mas a questão da interferência deve ser esclarecida. Vocês são livres na Rússia para fazer o que quiserem, e ninguém tem o direito de interferir neste domínio. O conteúdo da carta não tinha nada a ver com o materialismo e o território da Rússia; apenas se referia às suas almas".

Em Fevereiro de 1989, Eduard Shevardnadze, Ministro dos Negócios Estrangeiros da União Soviética, entregou a resposta de Gorbachev a Khomeini quando este viajou para o Irã.

Controvérsia no Irã A carta tornou-se controversa entre os clérigos xiitas da cidade iraniana de Qom, que consideravam os pensamentos dos místicos e filósofos muçulmanos como heréticos. Numa carta a Khomeini, lamentaram a necessidade de Khomeini de remeter Gorbachev para pensadores “desviantes”, “heréticos” e “sunitas”, argumentando que o Alcorão era suficiente para apoiar os princípios islâmicos. No entanto, a carta foi e continua a ser celebrada pelo governo iraniano.

Carta de Ali Khamenei Mohammad-Javad Larijani, membro da delegação iraniana que transmitiu a carta de Khomeini, disse: "...uma mensagem do líder da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, dirigida à juventude ocidental, complementa uma carta de 1989 escrita pelo falecido imã Khomeini ao ex-líder soviético, Mikhail Gorbachev". Ele afirmou que as cartas de Khomeini e Khamenei (Aos Jovens da Europa e da América do Norte e Aos Jovens dos Países Ocidentais) convidam as pessoas do Ocidente a compreender o Islã.

Ver também

Aos Jovens da Europa e da América do Norte (carta do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei) Aos Jovens dos Países Ocidentais (carta do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei)

Ligações externas

Picture of Iranian delegation with Mikhail Gorbachev Ayatollah Amoli and Mikhail Gorbachev

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