Serafina Rosa Pontes (Rio de Janeiro, 7 de outubro de 1850 – Fortaleza, 11 de outubro de 1923) foi uma poetisa e escritora brasileira.DUARTE, Constância Lima. Serafina Rosa Pontes. In: MUZART, Zahidé Lupinacci (org.). Escritoras brasileiras do século XIX: volume I. Florianópolis: Editora Mulheres, 1999. p. 455–468.SILVA, Régia Agostinho da. Entre mulheres, história e literatura: a escrita feita por mulheres em Fortaleza no século XIX. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA DA ANPUH, 26., 2011, São Paulo. Anais [...]. São Paulo, 2011. p. 1–21.

Vida Filha ilegítima, Serafina foi abandonada pela mãe biológica ainda recém-nascida e não chegou a conhecer o pai. Foi adotada na infância pelo médico cearense Francisco Alves Pontes, que a levou para Fortaleza em 1873, durante uma viagem ao Rio de Janeiro.CASTRO, Carla. Serafina Rosa Pontes. In: CASTRO, Carla. Resquícios de memórias: dicionário biobibliográfico de escritoras e ilustres cearenses do século dezenove. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2019. p. 328–344. Tinha baixa visão e, em sua época, era considerada praticamente cega.

Serafina Pontes faleceu em Fortaleza, em 11 de outubro de 1923, aos 73 anos, em sua casa no bairro Jacarecanga.

Obra Diversos estudiosos consideram que, em razão de sua trajetória de vida e de sua deficiência, a obra de Serafina Pontes é marcada pela tristeza e pela melancolia, embora também tenha escrito versos de tom humorístico e circunstancial. Seus poemas, compostos entre 1868 e 1894, apresentam fortes traços do romantismo e demonstram fidelidade a essa escola literária. É possível apontá-la como a primeira poetisa ultrarromântica do Ceará e uma das únicas escritoras que publicaram obras no fim do século XIX nesse estado, juntamente com Emília Freitas e Francisca ClotildeCASTRO, Carla Pereira de. Memoricídio: o apagamento da literatura de autoria feminina cearense do século XIX. In: MORAES, Kleiton Sousa de (org.). Intelectuais, usos do passado e ensino de História. Sobral (CE): Sertão Cult, 2020. p. 145-157.. Em 1894, publicou Livro da Alma, coletânea de poemas prefaciada por Francisca Clotilde, com quem mantinha amizade. A aproximação com Serafina rendeu infuência na obra de ambas as autoras.

Além dos versos românticos, a obra inclui 26 trovas compostas por ocasião das festas juninas, que fazem brincadeiras com pessoas de seu círculo de amizade.

Alguns de seus poemas foram musicados e tornaram-se populares nas serenatas de Fortaleza, como Serenata, Martírios e Nunca mais.

Relação com o abolicionismo Serafina também abordou o abolicionismo em sua produção poética. Naquele contexto, o movimento abolicionista tinha forte vínculo com os meios intelectuais brasileiros, uma vez que a escravidão era vista como um obstáculo ao progresso e à civilização.

Livro Poesia Livro da Alma (1894)

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