Terra Comum, ou Tierra Común, é uma organização latino americana fundada em 2020 por Paola Ricaurte, Nick Couldry e Ulises Ali Mejías que reúne ativistas, cidadãos e pesquisadores que possuem uma visão decolonial sobre os dados e a tecnologia. A proposta principal do grupo é criar caminhos para enfrentar o colonialismo de dados no Sul Global, mas principalmente na América Latina e no Caribe, por meio de iniciativas como cursos, palestras, capacitações, disponibilização de materiais e outros. A organização enfatiza que a imaginação é sua maior ferramenta, buscando criar um futuro onde a vida humana não envolva a extração de dados que discrimina e aliena as pessoas de suas próprias vidas.
História A ideia para a criação da organização surgiu meses antes da pandemia de Covid-19, quando Nick Couldry fez uma palestra sobre colonialismo de dados na Cidade do México. Nesse mesmo dia, em uma conversa com Paola Ricaurte o pesquisador sugeriu que eles fizessem mais palestras como aquela ao redor da América Latina, já que esse é um tema de interesse e que dialoga diretamente com a região. Ricaurte respondeu que não seria uma tarefa simples, pois é bastante custoso viajar pela América Latina, já que as passagens aéreas são caras. Isso chocou Couldry pois a realidade na Europa é diferente, onde é mais fácil viajar entre os países próximos, o que os fizeram pensar numa alternativa mais simples. A solução encontrada foi criar um site simples para unir e arquivar eventos locais que pensam sobre o colonialismo de dados, incentivando eventos locais sem a necessidade de grandes gastos com viagens, aumentando o arquivo de discussões e fomentando a solidariedade na resistência.
Colonialismo de Dados Para o Terra Comum, o colonialismo de dados é entendido como uma nova fase histórica do colonialismo que não se concentra mais na exploração de terras ou riquezas naturais, mas sim na apropriação dos dados de pessoas para gerarem valor. As grandes Big Techs utilizam o poder histórico concentrado no Norte Global para extrair esses dados globalmente, especialmente em regiões com infraestrutura mais fraca, como a África e a América Latina, reforçando antigas desigualdades. Essa apropriação ocorre de forma aparentemente consensual, por exemplo ao clicar em "aceitar" termos e condições de uso, o que permite a extração contínua dos dados, o que alimenta um novo estágio do capitalismo, conhecido também como Capitalismo de Vigilância, que gera uma riqueza extraordinária para essas empresas e cria novas relações sociais mediadas por dados, onde "o recurso são as pessoas. Na perspectiva do Tierra Comum, trata-se de um estágio genuinamente novo do colonialismo que usa o poder da tecnologia para colonizar a vida humana.
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https://www.tierracomun.net/
Referências Categoria:Organizações fundadas em 2020 Categoria:Organizações sem fins lucrativos da América do Sul Categoria:Ativismo
Categoria:Direitos digitais