A trajetória do socialismo na Alemanha evoluiu de círculos intelectuais clandestinos no século XIX para uma força política institucional que moldou o Estado de bem-estar social moderno e o sistema partidário contemporâneo.

Formação e unificação O socialismo alemão moderno emergiu na década de 1840, impulsionado pela industrialização e pelo pensamento de intelectuais como Karl Marx e Friedrich Engels. Embora o 'Manifesto Comunista' tenha sido publicado em 1848, a repressão após as revoluções daquele ano limitou o crescimento imediato das organizações operárias. Nesse vácuo, economistas como Karl Rodbertus ganharam influência ao propor um socialismo focado na reforma econômica estatal, lançando bases para o que se tornaria uma característica marcante do movimento germânico: a forte relação com a estrutura do Estado.

A organização política efetiva ocorreu em 1863 com a fundação da Associação Geral dos Trabalhadores Alemães (ADAV) por Ferdinand Lassalle, que defendia o sufrágio universal e cooperativas financiadas pelo governo. Em 1869, August Bebel e Wilhelm Liebknecht fundaram o Partido Social-Democrata dos Trabalhadores (SDAP), mais alinhado ao internacionalismo marxista. Em 1875, as duas vertentes unificaram-se no Congresso de Gota para formar o Partido Socialista Operário da Alemanha (SAPD). Esta união foi duramente criticada por Marx em Crítica ao Programa de Gotha, que via nela uma capitulação às teses de Lassalle. Entre 1878 e 1890, o partido sobreviveu à ilegalidade sob as Leis Antissocialistas de Bismarck, consolidando-se como a maior força política do país ao final do século XIX.

A grande cisão Após a legalidade, o Programa de Erfurt (1891) formalizou o marxismo como ideologia do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), mas a estabilidade do Império Alemão gerou o "Revisionismo" de Eduard Bernstein, que propunha reformas parlamentares em vez de revolução. Esta tensão interna explodiu com a Primeira Guerra Mundial; a maioria do SPD apoiou o esforço de guerra, enquanto a ala radical, liderada por Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, rompeu com o partido para formar a Liga Spartacus e, posteriormente, o Partido Comunista da Alemanha (KPD) em 1919.

Durante a República de Weimar, a esquerda alemã permaneceu dividida entre o SPD governista e o KPD revolucionário, fragmentação que facilitou a ascensão do regime nazista em 1933, sob o qual ambos foram perseguidos. Após a Segunda Guerra Mundial, o socialismo alemão seguiu caminhos distintos: na Alemanha Oriental (RDA), o SPD e o KPD foram forçados a fundir-se no Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED), que governou o país sob influência soviética até 1989. Na Alemanha Ocidental, o SPD abandonou formalmente o marxismo no Programa de Godesberg (1959), transformando-se em um partido de massa progressista e pró-mercado regulado.

No século XXI Com a reunificação da Alemanha em 1990, o herdeiro do partido governante da RDA transformou-se no PDS (Partido do Socialismo Democrático). Em 2007, a insatisfação com as reformas neoliberais do governo de Gerhard Schröder (SPD) levou à fusão do PDS com dissidentes sindicais do oeste, formando o Die Linke (A Esquerda). O Die Linke consolidou-se como uma força à esquerda da social-democracia tradicional, defendendo o fim da OTAN e a expansão radical do setor público.

A partir de 2024, o panorama socialista fragmentou-se ainda mais com a criação da Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), um partido que combina políticas econômicas socialistas com conservadorismo social e ceticismo em relação à imigração.

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