Os sequestradores de aeronaves nos ataques de 11 de setembro foram 19 homens afiliados com a al-Qaeda, uma organização jihadista sediada no Emirado Islâmico do Afeganistão. Eles eram oriundos de quatro países: 15 eram cidadãos da Arábia Saudita, dois dos Emirados Árabes Unidos, um do Egito, e um do Líbano. Para realizar os ataques, os sequestradores estavam organizados em quatro equipas, cada uma liderada por um sequestrador que iria comandar o voo com três ou quatro sequestradores "músculo" que estavam treinados para ajudar a subjugar os pilotos, passageiros, e tripulação. Cada equipa tinha um voo atribuído e um alvo onde se deveriam despenhar. Mohamed Atta foi o cabecilha escolhida para os quatro grupos.

Os primeiros sequestradores a chegar aos Estados Unidos foram Khalid al-Mihdhar e Nawaf al-Hazmi, que se estabeleceram no Condado de San Diego, Califórnia, em janeiro de 2000. Eles foram seguidos por três sequestradores-piloto, membros da célula de Hamburgo Mohamed Atta, Marwan al-Shehhi, e Ziad Jarrah em meados de 2000 para terem aulas de voo na escola Huffman Aviation em Venice, Flórida. O quarto sequestrador-piloto, Hani Hanjour, que não era um membro da célula de Hamburgo, chegou em San Diego em dezembro de 2000. O resto dos "sequestradores músculo" chegaram no início e meados de 2001.

Seleção Khalid al-Mihdhar e Nawaf al-Hazmi eram ambos jihadistas experienciados e respeitados nos olhos do líder da al-Qaeda Osama bin Laden.

Quanto aos pilotos que iriam participar nos ataques, três deles eram membros originais da célula de Hamburgo (Mohamed Atta, Marwan al-Shehhi, e Ziad Jarrah). Depois do seu treino nos campos de treino da al-Qaeda no Afeganistão, eles foram escolhidos bin Laden e pela ala militar da al-Qaeda devido ao seu extenso conhecimento da cultura ocidental e capacidades de linguagem, aumentando a segurança operacional da missão e as suas chances de sucesso. Mohamed Atta recebeu imediatamente comando sobre o planeamento e execução do ataque quando chegou ao Afeganistão em janeiro de 2000. O quarto suposto piloto, Ramzi Bin al-Shibh, membro da célula de Hamburgo, foi também escolhido para participar nos ataques, mas não foi capaz de obter um visto para entrar nos Estados Unidos. Ele foi mais tarde substituído por Hani Hanjour, um nacional saudita.

Al-Mihdhar e al-Hamzi também foram potenciais sequestradores piloto mas não foram bons nas suas aulas de piloto iniciais em San Diego. Ambos foram mantidos como sequestradores "músculo", que iriam ajudam a subjugar os passageiros e tripulação e permitir que os sequestradores piloto tomassem controlo dos voos. Além de al-Mihdhar e al-Hazmi, outros 13 sequestradores músculo foram selecionados no fim de 2000 e início de 2001. Todos da Arábia Saudita, com a exceção de Fayez Banihammad, que era dos Emirados Árabes Unidos.

Pouco depois dos ataques, o FBI concluiu que a maioria dos sequestradores "músculo" não sabiam que estavam numa missão suicida, ao contrário dos pilotos eles não prepararam testamentos ou deram outras indicações que esperavam que as suas vidas acabassem. Segundo uma gravação de áudio de Osama bin Laden de 2001, os sequestradores "músculo" não estavam em contacto com os sequestradores piloto e não lhes foi dita a verdadeira natureza da sua missão até ao dia dos ataques.

Sequestradores VooNomeImagemIdadeNacionalidadeVoo American Airlines 11 (Alvo: Torre Norte)Mohamed Atta (líder)33Abdulaziz al-Omari22Wail al-Shehri28Waleed al-Shehri22Satam al-Suqami25Voo United Airlines 175 (Alvo: Torre Sul)Marwan al-Shehhi (líder)23Fayez Banihammad24Mohand al-Shehri22Hamza al-Ghamdi20Ahmed al-Ghamdi22Voo American Airlines 77 (Alvo: O Pentágono)Hani Hanjour29Khalid al-Mihdhar26Majed Moqed24Nawaf al-Hazmisemmoldura|128x128px25Salem al-Hazmi20Voo United Airlines 93 (Alvo: Desconhecimento, possivelmente Washington, D.C.)Ziad Jarrah26Ahmed al-Haznawi20Ahmed al-Nami23Saeed al-Ghamdi21

Aeronaves sequestradas

Voo American Airlines 11: 1 World Trade Center, Torre Norte

Nota: texto em negrito assinala quem pilotou os aviões.

Sequestradores: Mohamed Atta, Abdulaziz al-Omari, Wail al-Shehri, Waleed al-Shehri, Satam al-Suqami.

Duas assistentes de bordo ligaram ao balcão de reservas da American Airlines durante o sequestro. Betty Ong relatou que "os cinco sequestradores vieram de lugares de primeira-classe: 2A, 2B, 9A, 9C e 9B". A assistente de bordo Madeline Amy Sweeney ligou ao gestor dos serviços de aviação no Aeroporto Internacional Logan em Boston e descreveu-os como do Médio Oriente. Ela deu à equipa os números dos assentos e eles obtiveram a informação do bilhete e cartão de crédito dos sequestradores, identificando Mohamed Atta.

A voz de Mohamed Atta foi ouvido pelo sistema de controlo de tráfego aéreo, transmitindo mensagens pensadas serem para os passageiros.

Voo United Airlines 175: 2 World Trade Center, Torre Sul

Sequestradores: Marwan al-Shehhi, Fayez Banihammad, Mohand al-Shehri, Hamza al-Ghamdi, Ahmed al-Ghamdi.

Um mecânico da United Airlines recebeu uma chamada de uma assistente de bordo que afirmou que os pilotos tinham sido assassinados e o avião sequestrado.

Voo American Airlines 77: Pentágono

Sequestradores: Hani Hanjour, Khalid al-Mihdhar, Majed Moqed, Nawaf al-Hazmi, Salem al-Hazmi.

Dois sequestradores, Hani Hanjour e Majed Moqed, foram identificados por funcionários como tendo comprado bilhetes únicos de primeira-classe para o Voo 77 pelo Serviço da Travel Advance em Totowa, Nova Jérsia com $1,842.25 em dinheiro.

Renee May, uma assistente de bordo do Voo 77, usou um telemóvel para ligar à mãe em Las Vegas. Ela disse que o seu voo tinha sido sequestrado por seis indivíduos que os tinham mudado para a parte de trás do avião. Ao contrário dos outros voos, não houve relato de esfaqueamentos ou ameaças de bomba. Segundo o Relatório da Comissão do 11 de setembro, é possível que os pilotos não tenha sido esfaqueados até à morte e que tenham sido mandados para a parte de trás do avião. Um dos sequestradores, provavelmente Hanjour, anunciou no intercomunicador que o voo tinha sido sequestrado. A passageira Barbara Olson ligou ao seu marido, Theodore Olson, o Advogado-geral dos Estados Unidos, afirmando que o voo tinha sido sequestrado e os sequestradores tinham facas e x-atos.

Dois dos sequestradores estavam na lista de vigilância do FBI: Khalid al-Mihdhar e Nawaf al-Hamzi. Al-Mihdhar e Nawaf al-Hazmi voaram de Los Angeles em janeiro de 2000 e mais tarde tiveram aulas de aviação em San Diego, durante esse tempo eles foram alegadamente ajudados por Omar al-Bayoumi e pelos diplomatas sauditas Fahad al-Thumairy e Mussaed Ahmed al-Jarrah.

Voo United Airlines 93: Shanksville, Pensilvânia

Sequestradores: Ziad Jarrah, Ahmed al-Haznawi, Ahmed al-Nami, Saeed al-Ghamdi.

O passageiro Jeremy Glick afirmou que os sequestradores pareciam árabes, usando bandas vermelhas na cabeça, e tinham facas.

Mensagens faladas (por Jarrah) para os passageiros mas que foram erradamente transmitidas pelo sistema de controlo de tráfego aéreo.

Jarrah é também ouvido na caixa negra. Além disso, amostras de ADN submetidas pela sua namorada coincidiram com os restos recuperados em Shanksville.

Investigação

Antes dos ataques

Antes dos ataques, o agente do FBI Robert Wright Jr. tinha escrito vigorosas críticas da alegada incompetência do FBI em investigar supostos extremistas a residir dentro dos Estados Unidos. Wright fazia parte da força-tarefa de contraterrorismo de Chicago do Bureau e envolveu-se no projeto Vulgar Betrayal, que estava ligado a Yasin al-Qadi.

Segundo James Bamford, a NSA tinha apanhado comunicações de al-Mihdhar e al-Hamzi em 1999, mas tinham sido impedidos por conflitos burocráticos internos com a CIA, e não fizeram uma análise completa da informação que tinha passado à agência. Por exemplo, só tinha passados os primeiros nomes, Nawaf e Khalid.Shadow Factory, James Bamford, Doubleday, 2008, Capítulo 1: Intercept

Bamford também alega que a Estação Alec (unidade designada para bin Laden) da CIA sabia que al-Mihdhar estava a planear vir a Nova Iorque desde janeiro de 2000. Doug Miller, um dos três agentes do FBI a trabalhas na estação da CIA, tentou enviar uma mensagem ao FBI a alertar-los sobre isto, para que pusessem al-Mihdhar numa lista de vigilância. O seu chefe da CIA, Tom Wilshire, chefe adjunto da estação, alegadamente negou permissão a Miller. Miller pediu a Mark Rossini por conselhos; Rossini pressionou o adjunto de Wilshire mas também foi rejeitado.Bamford, Capítulo 1

Bamford também alega que al-Mihdhar e al-Hazmi acabaram a viver com Abdussattar Shaikh por algum tempo para poupar dinheiro. Shaikh era, coincidentemente, um informador do FBI, mas como eles nunca agiram de forma suspeita à volta dele, ele nunca os reportou. A estação de Banguecoque disse à Estação Alec que al-Hamzi tinha ido para Los Angeles. Nenhuma desta informação chegou à sede do FBI.Bamford, Capítulo 2: San Diego

A 23 de agosto de 2001, menos de três semanas antes dos ataques, a Mossad deu ao governo estadunidense os nomes de 19 residentes suspeitos de tentar realizar um ataque contra os Estados Unidos. Entre os nomes estavam Mohamed Atta, Marwan al-Shehhi, Khalid al-Mihdhar, e Nawaf al-Hazmi. Não se sabe se a lista continha todos os nomes dos sequestradores ou se o tamanho da lista era uma coincidência; apenas esses quatro foram tornados públicos.

Ataques Dentro de minutos dos ataques, o FBI abriu a maior investigação do FBI na história dos Estados Unidos, Operação PENTTBOM. Os suspeitos foram identificados dentro de 72 horas pois poucos tentaram disfarçar os seus nomes no voo e cartões de crédito. Eles também estavam entre os poucos cidadãos não-estadunidenses e quase os únicos passageiros com nomes árabes nos seus voos, permitindo ao FBI identificar-los usando tais detalhes como datas de nascimento, residências conhecidas ou possíveis, estado do visto, e identificação específica dos supostos pilotos. A 14 de setembro, três dias depois dos ataques, o FBI anunciou os nomes dos 19 sequestradores, e a 27 de setembro, publicaram fotos dos sequestradores, junto com informação sobre as suas possíveis nacionalidades e pseudónimos. Quinze dos sequestradores eram oriundos da Arábia Saudita, dois dos Emirados Árabes Unidos, um do Líbano, e um do Egito.

O passaporte de Satam al-Suqami foi alegadamente recuperado "a uns quarteirões de onde as torres gémeas do World Trade Centre uma vez estiveram"; um transeunte apanhou-o e deu-o a um detetive da polícia de Nova Iorque pouco antes das torres colapsarem. Os passaportes de outros dois sequestradores, Ziad Jarrah e Saeed al-Ghamdi, foram recuperados do local da colisão do Voo United Airlines 93 na Pensilvânia, e um quarto passaporte, de Abdulaziz al-Omari, foi recuperado da bagagem que não entrou no Voo American Airlines 11.

Segundo o Relatório da Comissão do 11 de setembro, 26 conspiradores da Al-Qaeda procuraram entrar nos Estados Unidos para realizar missões suicidas. No fim, o FBI relatou que existiram 19 sequestradores no total: cinco em três dos voos, e quatro no quarto. Depois de uma controvérsia sobre um comentário posterior, a Secretário de Segurança Interna dos EUA Janet Napolitano afirmou em maio de 2009 que a Comissão do 11 de Setembro descobriu que nenhum dos sequestradores entrou nos Estados Unidos pelo Canadá.

Nawaf al-Hazmi e Hani Hanjour frequentaram a Igreja Dar al-Hijrah na Virgínia, onde o Imã Anwar al-Awlaki pregava, no início de abril de 2001. Através de entrevistas com o FBI, foi descoberto que al-Awlaki tinha-se encontrado com Nawaf al-Hazmi várias vezes enquanto os dois vivam em San Diego. Na época, al-Hamzi vivia com al-Mihdhar. Os sequestradores do mesmo avião frequentemente tinham laços fortes pois muitos deles tinham andado juntos na escola ou vivido juntos antes dos ataques.

Recuperação dos restos dos sequestradores