Abu Abedalá Huceine ibne Amade Azauzani (), mais conhecido como Azauzani (; m. ), foi um filólogo e lexicógrafo árabe originário de . Considerado uma autoridade em gramática, léxico, língua e literatura árabes, tornou-se conhecido sobretudo por seus trabalhos dedicados à poesia árabe antiga e à lexicografia árabo-persa. Sua obra mais conhecida é o Sharḥ al-Muʿallaqāt al-sabʿ, comentário às sete Muallaqat, que alcançou ampla circulação e recebeu numerosas edições e traduções parciais a partir do . Escreveu também o Kitāb al-Maṣādir, um dos primeiros léxicos árabo-persas, organizado com base no Dīwān al-adab de , e o Tarjumān-i Qurʾān, que figura entre os mais antigos léxicos persas do Alcorão.
Vida
Abu Abedalá Huceine ibne Amade Azauzani foi um filólogo e lexicógrafo árabe originário de , cidade situada entre Herate e Nixapur. As fontes divergem acerca de seu nome completo. Cátibe Chelebi o identifica como Maomé ibne Amade, enquanto Jorji Zaidan e Carl Brockelmann o denominam Huceine ibne Ali ibne Amade. Contudo, uma cópia antiga de sua própria obra Kitāb al-Maṣādir registra seu nome como Huceine ibne Amade, forma adotada por Ahmet Özel. Azauzani alcançou reputação como estudioso da gramática, do léxico e da literatura árabe. o apresenta como uma das principais autoridades de seu tempo em gramática, léxico e língua árabe, enquanto destaca sua posição nos estudos de língua e literatura. Sua notoriedade posterior deve-se sobretudo ao comentário às sete Muallaqat e ao Kitāb al-Maṣādir, uma das primeiras obras lexicográficas árabo-persas. A circulação relativamente precoce deste último trabalho é atestada por , que relata tê-lo estudado em 516 A.H. (1122) com seu mestre Almaidani. Há divergência também quanto à cronologia de sua vida. Ibne Alquifti situa Azauzani ainda em atividade no , ao passo que Abede Algafir Alfarici, autor cronologicamente mais próximo, registra sua morte em 486 A.H. (1093). Özel adota esta última data.
Obras
A obra mais conhecida de Azauzani é o Sharḥ al-Muʿallaqāt al-sabʿ, comentário às sete Muallaqat. Sua exposição relativamente clara e acessível e a ausência de digressões consideradas desnecessárias contribuíram para sua ampla circulação, e o texto recebeu numerosas edições a partir do . Partes do comentário foram também publicadas separadamente por orientalistas europeus acompanhadas de traduções. Armand-Pierre Caussin de Perceval publicou em Paris, em 1820, o comentário à cássida de Inru Alcaice ibne Hujer com tradução francesa, enquanto Silvestre de Sacy havia publicado em 1816 o comentário à cássida de Labide, igualmente acompanhado de tradução francesa. J. A. Vullers publicou o comentário à cássida de Tarafa ibne Alabede com tradução latina e também trabalhou sobre a de . O comentário foi ainda publicado sob o título Nayl al-arab fī sharḥ Muʿallaqāt al-ʿArab. Em outra edição, Muḥammad Ibrāhīm Salīm acrescentou às sete cássidas os poemas de Alaxa, Anabiga Adubiani e Abide ibne Alabras que figuram juntamente com elas no comentário de Alcátibe Atabrizi.
O Kitāb al-Maṣādir, sua segunda obra principal, é um léxico que fornece equivalentes persas para os substantivos verbais árabes. Segundo o próprio Azauzani em seu prefácio, a seleção vocabular privilegiou palavras encontradas no Alcorão, frequentemente utilizadas nos hádices e presentes em divãs célebres, embora não especifique quais divãs tinha em mente. A obra foi deliberadamente mantida concisa e sem exemplos para facilitar sua memorização. Em sua organização, Azauzani tomou como modelo o Dīwān al-adab de , classificando os verbos segundo seus tipos e dividindo os substantivos verbais em duas partes, correspondentes às formas trilíteras e às formas aumentadas.
Cerca de meio século depois, , compôs o Tāj al-Maṣādir. Embora não indique o Kitāb al-Maṣādir como fonte, Özel observa que seu conteúdo se aproxima estreitamente do trabalho de Azauzani, com apenas pequenas adições. O Kitāb al-Maṣādir foi posteriormente editado por Taqī Bīnish mediante o cotejo de sete manuscritos, entre eles cópias datadas de 632 A.H. (1235) e 670 A.H. (1272). Uma terceira obra preservada, o Tarjumān-i Qurʾān, figura entre os mais antigos léxicos persas do Alcorão. O vocabulário é organizado segundo categorias de palavras, como nomes e verbos. São conhecidas duas cópias manuscritas da obra, conservadas na Biblioteca de Gota, na Alemanha, e na biblioteca da Universidade de Istambul.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século XI Categoria:Pessoas do Império Seljúcida