Edilberto Melo de Oliveira (Belém, 3 de junho de 1964), mais conhecido como Edil e, desde o final da carreira, como Edil Highlander, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como atacante. Foi um artilheiro reconhecido no futebol paraense, sendo benquisto pelas duas principais torcidas locais, de Paysandu e Remo. Sua carreira não se resumiu ao Estado, incluindo desde o Vasco da Gama ao Náutico e do Marítimo (Venezuela) ao Espinho (Portugal), chegando a ser artilheiro do Campeonato Paraense de Futebol de 2000 pelo Castanhal,DA COSTA, Ferreira (2013). Edil - o gol era o seu objetivo incansável. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, p. 122-123 além de ídolo e campeão sergipano de 2002 pelo Confiança.
Edil, que chegou a ser o maior artilheiro dos campeonatos estaduais realizados em 1992 (com 24 gols pelo "Papão"), possuía um estilo de jogo sempre raçudo e impetuoso em busca do gol, cujas comemorações ficaram marcadas pelo folclore - desde a interpretações de Braddock, sobretudo pelos azulinos, até as "espadadas" de Highlander que simulavam decapitações contra seus colegas. A respeito, declarou que "a incorporação de personagens de filmes famosos fizeram parte da minha carreira, jogando pelo Remo e pelo Paysandu. Era uma honra, uma motivação saber que sempre eu marcava em clássicos, em especial no Mangueirão. Não tinha Re-Pa sem gol do Edil. Eu fui o carrasco dos clubes. O meu segredo era ter dedicação total, concentração no que tinha que fazer em campo. A torcida, dos dois lados, gostava de mim. Poderia fazer três, quatro gols nos times pequenos, mas se não deixava a marca no Re-Pa, não adiantava".
Edil marcou ao todo 15 gols no clássico, sendo o 13º maior artilheiro geral do confronto e o maior desde a década de 1980.DA COSTA, Ferreira (2015). Fatos e Personagens do Re-Pa. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 216-220 Com dez gols (cinco como remista e cinco como alviazul), divide com Dadinho a artilharia em duelos realizados no Mangueirão. A respeito do clássico, declarou também que "Eu já joguei vários clássicos quando vesti a camisa do Vasco, todos com o Maracanã lotado, e nenhum se compara ao clássico da Amazônia. Eu torço para os dois clubes. Sempre fico satisfeito quando os dois ganham. Tenho vários títulos pelas duas equipes e por isso conquistei o carinho e o respeito das duas torcidas. Não tenho como puxar mais para um lado.".
O atacante é ainda o décimo maior artilheiro do Paysandu (com 95 gols) e o segundo maior artilheiro do futebol paraense considerando todas as divisões do Campeonato Brasileiro de Futebol, com 37 gols contabilizados, sobretudo pela dupla Re-Pa. Ele tem outros familiares no esporte: seu sobrinho Bebeto, também atacante ex-Remo e Paysandu, jogou ainda por Flamengo e Corinthians, sendo filho de outro Bebeto (este, irmão de Edil), igualmente ex-jogador da dupla Re-Pa e ainda do Bahia. Também tem parentesco com o goleiro Clemer.
Carreira 1985 a 1990: Paysandu e Venezuela
Edil começou no Paysandu, clube pelo qual sua família torce e ao qual foi levado pelo irmão Bebeto. Tinha doze anos quando chegou, passando pela escolinha, infanto e júnior antes de ser profissionalizado. Ainda referido como Edilberto, esteve no elenco campeão paraense de juniores em 1982, ao lado de outros atletas que logo integrariam o time profissional, dentre eles Charles Guerreiro.DA COSTA, Ferreira (2002). 1982 - Campeão Paraense de Futebol Juniores. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 101 Bebeto já figurava no time principal, chegando a participar no ano anterior de vitória por 3–0 sobre o Flamengo pelo Brasileirão de 1981.DA COSTA, Ferreira (2002). 1981 - Paysandu 3 X Flamengo 0. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, p. 100
Edil integrou como reserva o Paysandu campeão paraense de 1985, não chegando a marcar gols na campanha.DA COSTA, Ferreira (2013). 1985 - Paysandu chega ao bicampeonato com 1 derrota em 19 partidas. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 229-232 Em 1986, disputou seu primeiro Re-Pa pelo time adulto, em vitória por 2–1 na qual o "Papão" terminou campeão de torneio triangular amistoso envolvendo também o Corinthians. Foi titular, mas nos outros dois clássicos seguintes naquele ano, ambos válidos pelo estadual, participou saindo do banco. O Remo terminou campeão, após seis anos.DA COSTA, Ferreira (2015). 2000. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 154-155 Seu primeiro gol no time adulto teria ocorrido em outro clássico, o contra a Tuna Luso, em derrota de 2–1 em 10 de agosto naquele estadual. Em setembro, fez suas três partidas pelo Brasileirão daquele ano (1–0 para o Corinthians no Pacaembu e 1–1 com o Joinville e 1–0 para o semifinalista America-RJ, ambos no Mangueirão), sempre saindo do banco, sem marcar.Placar - CD-ROM "História Do Brasileirão de 1971 A 2001"
Já no estadual de 1987 o Paysandu foi campeão invicto, no primeiro trabalho de Givanildo Oliveira como treinador no futebol paraense. Edil foi titular, como ponta-direita em trio ofensivo formando com Cabinho e Miguelzinho. Na campanha, além de um dos gols na partida em 2–2 com o Yamada Clube que garantiu o primeiro turno em favor dos alvicelestes, marcou em quatro clássicos: o único do Re-Pa no primeiro turno; dois em 3–2 em duelo contra a Tuna Luso e outro em 2–1 sobre o Remo, ambos no segundo turno; e mais um, empatando o Re-Pa vencido de virada por 2–1 na final do certame. Marcou ao todo treze gols na campanha, de março a agosto.DA COSTA, Ferreira (2013). 1987 - Paysandu traz Givanildo Oliveira e levanta o título invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 237-240
Ainda em agosto, Edil estreou pela seleção paraense, que não era reunida havia nove anos. Esteve nas duas partidas contra o Amazonas pelo Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. Cada equipe venceu a outra por 1–0 em casa, e no sorteio os amazonenses terminaram favorecidos,DA COSTA, Ferreira (2013). A seleção do Pará através dos tempos. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 306-331 no que foi a edição final desse torneio. Edil ainda faria quatro gols pelo Módulo Branco do Campeonato Brasileiro de Futebol de 1987, dois deles em empate em 2–2 no clássico com a Tuna no mata-mata pela terceira fase.DA COSTA, Ferreira (2013). 1987 - Segunda Divisão - Módulo Branco. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 165-167 O Paysandu terminou no vice-campeonato para o Operário.
Edil foi em seguida, por conta própria, ao futebol da Venezuela, onde convidado pelo irmão Bebeto, que já jogava naquele país. Edil, que comprara o próprio passe, defendeu o Marítimo, que vivia um momento local de hegemonia, faturando entre 1987 e 1993 seus quatro títulos no campeonato venezuelano. O time já havia sido campeão da temporada 1986-87 e foi bicampeão seguido na de 1987-88. Novo título veio na temporada 1989-90. Não era o bastante para avançar de fase na Taça Libertadores da América, com a equipe terminando na terceira colocação na edição de 1988, em que as duas vagas ficaram com a dupla chilena Colo-Colo e Universidad de Chile, enquanto na de 1989 as três vagas ficaram com os brasileiros Internacional e Bahia, além do Deportivo Táchira. Mas Edil continuava a ser um sonho do Remo, que tentou contrata-lo ainda em abril de 1989, conforme presenciado pelo jornal Diário do Pará, a relatar o seguinte diálogo telefônico do atacante com o dirigente remista Israel Vasconcelos:A conversa ao telefone de Israel com Edil e Spina (1º de abril de 1989). Diário do Pará: Esportes, p. 1
Edil voltou ao Pará, mas acabou inativo pelo restante do ano de 1989 ao não conseguir acertar com nenhum dos grandes - estando perto por duas vezes de assinar com o Remo ao mesmo tempo em que também chegou a ser reapresentado no Paysandu como reforço. Apenas em março de 1990 é que seu retorno à Curuzu foi oficializado,Edil assina com o Paissandu e já estréia amanhã (3 de março de 1990). Diário do Pará: Esportes, p. 1 negociando por seis meses o empréstimo do próprio passe. Reeditou o trio de 1987 com Cabinho e Miguelzinho e foi pela primeira vez artilheiro do Campeonato Paraense de Futebol. Marcou treze vezes, incluindo quatro em vitória de 6–3 sobre o Tiradentes e os três de triunfo de 3–0 sobre o Pinheirense, além de outro em vitória por 3–0 no Re-Pa que decidiu o primeiro turno, em 22 de abril. O resultado rendeu a demissão do então técnico azulino Armando Bracalli, substituído por Paulinho de Almeida.DA COSTA, Ferreira (2013). 1990 - Remo coloca a faixa de bicampeão, sob a batuta de Paulinho de Almeida. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 251-255
Em 6 de maio, Edil, àquela altura artilheiro do estadual (com dez gols), jogou pela terceira vez pela seleção paraense, novamente reunida após aquelas duas partidas de 1987. Foi o último jogo da seleção no século XX, obtendo-se empate em 1–1 no Mangueirão contra a Bulgária, que jogou com Hristo Stoichkov, Emil Kostadinov (autor do gol búlgaro), Krasimir Balakov e Yordan Lechkov, dentre outros. Bebeto também jogou pelo Pará, que curiosamente utilizou o uniforme da própria seleção brasileira. Edil teve mais de uma chance de marcar, mas o goleiro adversário Iliya Valov mostrou arrojo nos lances.
Posteriormente, o Remo venceria o segundo turno do estadual, mas o "Papão" venceu o terceiro, após um 0–0 no Re-Pa. O regulamento previa então finais entre as duas equipes, com o Paysandu tendo o benefício de dois empates. Contudo, o Remo reverteu a vantagem após vencer a primeira decisão por 1–0 e segurar o 0–0 na segunda, sagrando-se campeão, já em agosto.
1991-1995: Remo, Vasco, Paysandu e Portugal
Edil em seguida iniciou sua primeira passagem pelo próprio Remo, na disputa da segunda divisão brasileira de 1991. Marcou dois gols, um deles em Re-Pa empatado em 1–1. Por ironia, o Paysandu terminou campeão da competição, realizada no primeiro semestre.DA COSTA, Ferreira (2002). 1991 - Segunda Divisão - Campeão Brasileiro de Futebol. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 113-119 O Remo, por sua vez, também se sobressaía nacionalmente, terminando na quarta colocação geral da Copa do Brasil daquele ano, em campanha na qual chegou a eliminar o Vasco da Gama. Edil foi titular no empate de 1–1 arrancado em pleno estádio de São Januário em 21 de março, resultado que classificou os visitantes. O "Leão" terminaria eliminado na semifinal pelo futuro campeão Criciúma. O confronto em Belém contra a equipe treinada por Luiz Felipe Scolari rendeu um público recorde na competição em jogos travados na Região Norte. A campanha semifinalista segue sendo a melhor de uma equipe dessa região no torneio.
Edil acabou transferido ao próprio Vasco em seguida, mas não fez sucesso. Jogou treze vezes e só marcou um gol, e anos depois, em 2015, desaprovou a transferência do conterrâneo Yago Pikachu ao mesmo clube. Segundo Edil, a discriminação e falta de apoio de Eurico Miranda o teriam atrapalhado na equipe carioca: "cheguei em um time que só tinha feras do futebol e, no final, avalio que a minha passagem foi boa, mas, por ser do Norte, fui bastante discriminado. O Eurico já estava lá e tinha esse mesmo jeito de hoje. Sentia que o Eurico não gostava muito de mim, fui sendo colocado de lado, não tinha apoio lá dentro". Ali, conviveu com o Bebeto mais famoso. Disputou somente a Taça Guanabara de 1991, marcando apenas o gol da vitória de virada por 2–1 a oito minutos do fim sobre o Volta Redonda, dentro do estádio Raulino de Oliveira.