​ O assassinato de Laudemir de Souza Fernandes, gari de 44 anos de idade, ocorreu em 11 de agosto de 2025, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, após uma discussão de trânsito envolvendo o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior.

Familiares, colegas de trabalho e autoridades manifestaram profunda indignação. O velório de Laudemir, em Contagem, foi marcado por protestos e pedidos de justiça.

Álvaro Damião, o prefeito de Belo Horizonte, repudiou o crime como “estarrecedor”, e demonstrou solidariedade à família pedindo que a justiça seja rápida e implacável.

Vítima e assassinato

Laudemir de Souza Fernandes tinha 44 anos de idade e trabalhava como gari na empresa Localix Serviços Ambientais há quase oito anos, sendo descrito como dedicado, honesto e de "coração gigante" por colegas e pela empresa.

Segundo familiares, especialmente a enteada, ele era humilde, protetor e gostava muito do que fazia, tendo tentado apaziguar a situação antes de ser assassinado.

Crime

Na manhã de 11 de agosto de 2025, por volta das 9h, no bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte, Laudemir trabalhava na Rua Modestina de Souza quando o empresário Renê, em um carro BYD cinza, se envolveu numa discussão com a motorista do caminhão de lixo, sacou uma arma e, após ameaças, disparou atingindo Laudemir no abdômen, cujo tiro atravessou o corpo.

Laudemir foi socorrido e levado ao Hospital Santa Rita, em Contagem, mas não resistiu aos ferimentos.

Prisão e investigação

Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, foi preso em flagrante horas após o crime, enquanto malhava em uma academia na região Oeste de Belo Horizonte, e transferido ao DHPP. Em audiência de custódia em 13 de agosto, sua prisão foi convertida em preventiva.

A Polícia Civil ainda investiga o caso, incluindo a origem da arma — pertencente à esposa de Renê, a delegada Ana Paula Balbino Nogueira — e como ele teve acesso ao armamento.

O inquérito teve seu prazo prorrogado em 30 dias para conclusão e teve participação em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Renê Nogueira Júnior foi denunciado por homicídio triplamente qualificado, ameaça e fraude processual — este último crime foi imputado a ele porque, segundo os investigadores, mensagens obtidas apontaram que ele orientou a esposa a entregar à polícia uma segunda arma, sem ser a pistola utilizada para matar Laudemir. Por sua vez a delegada foi indiciada por prevaricação, por supostamente não ter acionado as autoridades após a ação do marido, e posse ilegal de arma, já que a pistola do crime pertencia a ela.

Em outubro de 2025, a Justiça decretou sigilo no caso devido a "acessos atípicos", depois que a esposa do assassino fez 29 pesquisas em um sistema interno da Polícia Civil, no intervalo entre a ocorrência ter sido registrada e a prisão de seu marido ter sido efetivada, decisão que foi revertida no mês seguinte. Foram marcadas audiências para os dias 25 e 26 de novembro, para ouvir as testemunhas de acusação (no primeiro dia), as de defesa e o réu (no dia seguinte). O Ministério Público do Estado de Minas Gerais solicitou o bloqueio de 3 milhões de reais de Renê, afim de garantir uma futura indenização à família do gari morto. O processo tramita no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais sob o nº 5176858-12.2025.8.13.0024.

Por sua vez, dois dias após o crime, a delegada ganhou licença médica e se afastou das funções (mas não do cargo) na Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, por um prazo de 60 dias, renovados por mais 60, ficando afastada até o dia 13 de dezembro de 2025, seguindo recebendo seu salário normalmente.

Caso considerados culpados, Renê Nogueira Junior pode uma condenação de até 35 anos, enquanto sua esposa pode pegar até 6 anos de prisão.

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