Xibe Abi Talibe () era um bairro de Meca associado a Abu Talibe ibne Abede Almotalibe, chefe dos haxemitas e tio de Maomé. Tornou-se conhecido sobretudo por ter abrigado os haxemitas e almotalibitas durante o boicote econômico e social imposto aos dois clãs pelos demais coraixitas nos primeiros anos da pregação islâmica. O isolamento teria durado aproximadamente três anos e decorreu da proteção que os parentes de Maomé continuaram a lhe oferecer diante da oposição coraixita. Durante esse período, os dois clãs enfrentaram restrições às relações comerciais e sociais e dificuldades de abastecimento, até que a oposição de alguns membros dos próprios coraixitas contribuiu para o encerramento do boicote. Pouco depois, a morte de Abu Talibe e a retirada da proteção clânica por seu sucessor, Abu Laabe, agravaram a posição de Maomé em Meca.

História

Xibe Abi Talibe era um bairro de Meca associado a Abu Talibe ibne Abede Almotalibe, chefe dos haxemitas e tio de Maomé, que ali residia. O local tornou-se particularmente conhecido durante os primeiros anos da pregação islâmica, quando serviu de refúgio aos haxemitas e almotalibitas durante o boicote imposto contra os dois clãs pelos demais coraixitas. Antes do início do boicote, diante das ameaças dirigidas a Maomé, Abu Talibe havia procurado mobilizar ambos os clãs em sua defesa. Segundo as tradições, seus membros concordaram em protegê-lo por solidariedade familiar, independentemente de terem aderido à religião que pregava, com a exceção de Abu Laabe. Diante da proteção concedida a Maomé por seus parentes, os coraixitas recorreram a um boicote econômico e social contra os dois clãs. Segundo a tradição, o boicote foi formalizado num pacto escrito que proibia relações matrimoniais, transações comerciais e determinadas formas de contato social com os haxemitas e almotalibitas. O documento teria sido depositado na Caaba, conferindo caráter solene ao compromisso assumido pelos participantes.

O isolamento no Xibe Abi Talibe teria durado aproximadamente três anos. A TDV afirma que os muçulmanos que permaneceram em Meca viveram durante esse período isolados nesse bairro, enquanto outras fontes associam especificamente o confinamento aos haxemitas e almotalibitas, que enfrentaram restrições econômicas e dificuldades de abastecimento. Segundo a tradição, alguns coraixitas mantiveram contatos com os isolados e procuraram contornar as restrições. Hixame ibne Anre ibne Rebia teria levado secretamente alimentos ao Xibe, fazendo entrar durante a noite um camelo carregado de provisões. Também se relata que Haquime ibne Hizame, sobrinho de Cadija, procurava levar-lhe provisões. Em uma dessas ocasiões, teria sido interceptado por Abu Jal, que tentou impedir a entrega, provocando uma altercação com Abu Albaquetari, que tomou a defesa de Haquime. Segundo outra tradição, Abu Talibe organizou a vigilância das elevações que circundavam o local para prevenir possíveis ataques.

William Montgomery Watt considera provável que o boicote também tivesse motivações econômicas e relaciona sua contestação a rivalidades entre os clãs coraixitas. Segundo sua análise, a manutenção das restrições favorecia particularmente os maquezumitas e omíadas no comércio de Meca, contribuindo para a oposição de outros membros dos coraixitas ao pacto. Segundo a tradição, Hixame ibne Anre procurou Zuair ibne Abi Omaia, neto de Abede Almotalibe, e obteve posteriormente o apoio de Mutime ibne Adi, Abu Albaquetari e Zama ibne Alaçuade. O grupo manifestou-se publicamente pelo encerramento do pacto na Mesquita Sagrada, apesar da oposição de Abu Jal. Outra tradição associa o fim do boicote ao próprio documento do pacto. Segundo esse relato, Maomé teria informado Abu Talibe de que insetos haviam consumido o texto, poupando apenas uma fórmula que mencionava Deus; Abu Talibe teria então apresentado a informação aos coraixitas como prova da veracidade de seu sobrinho. Segundo o mesmo conjunto de relatos, Mutime ibne Adi participou da anulação do documento que formalizava o boicote. Abu Talibe morreu em Meca pouco depois do encerramento do boicote, cerca de três anos antes da Hégira, por volta de 619 ou 620. Após sua morte, a chefia dos haxemitas passou a Abu Laabe, que retirou a proteção clânica anteriormente concedida a Maomé, agravando a posição deste em Meca.

Bibliografia

Categoria:História dos haxemitas Categoria:Geografia de Meca Categoria:Almotalibitas